quinta-feira, 31 de março de 2016

Palavrões

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a "vulgarização" do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.
 

"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas Pra caralho, o Sol é quente Pra caralho, o universo é antigo Pra caralho, eu gosto de cerveja Pra caralho, entende?
 

No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não!" e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade "Não, absolutamente não" o substituem. "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.
 

Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma! . O "porra nenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepne", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.
 

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o- pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba... Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o- pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
 

E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cú!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cú!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cú!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
 

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!". 

Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda- se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!.
 

Grosseiro, mas profundo... Pois se a língua é viva, inculta, bela e mal-criada, nem o Prof. Pasquale explicaria melhor. "Nem fodendo..."

(desconheço à autoria)

segunda-feira, 28 de março de 2016

Como "cagar" na casa da sua(seu) namorada(o)

Pois é caro leitor, se você passou da conta no almoço e pintou aquele aperto, seus problemas acabaram! Pois este manual é sua tábua de salvação.

Regra Número 1 – Não cague! – Ok. O guia parte do pressuposto que você vai cagar na casa dela. Mas, antes de cagar, avalie a possibilidade de não fazê-lo. Quando sentir a pontada, raciocine. “Posso segurar? É desesperador?” Nessa hora, é fundamental saber se essa segurada não se transformará em uma fábrica de flatulências. Se isso ocorrer, opte por cagar.

Regra Número 2 – Não cague em banheiro muito frequentado. - Se você tem de cagar, escolha aquele que fica na sala onde ninguém visita. Ou vá ao banheiro da empregada (isso, claro, se a empregada não estiver presente). Ou vá à suíte do quarto de hóspedes. Ou algo do tipo. Evite a todo custo o banheiro do corredor ou aquele ao lado da sala de televisão. É caixão. Você vai lá, todo feliz, despeja seus detritos no vaso, lava as mãos e, quando sai, vê sua sogra indo direto no banheiro para lavar a mão antes do almoço! Ou o sogro! Ninguém merece.

Regra Número 3 - Examine bem o trono. – Examine a privada da casa da sua namorada. Antes de cagar, dê descarga para ver se ela está funcionando. Nunca, em hipótese alguma, inicie os trabalhos sem dar descarga e testar a potência dela. Caso contrário, se a privada estiver entupida, você terá três caminhos a seguir, todos desgraçadamente ruins: 1) Deixar a bosta boiando ali e correr o risco do seu sogro entrar em seguida e, para todo o e sempre, considerá-lo um sujeito decrépito por deixar o 'braço-da-alcione' a boiar; 2) Tentar dar descarga, a água transbordar e você ficar ali, vendo a água da privada inundar o banheiro com resquícios de suas fezes. Um caos completo, com direito a deixar a mãe dela limpando aquela bosta toda; 3) Ser obrigado a pegar um saco plástico, enfiar a bosta dentro e sair – com o saco plástico pingando água da privada no chão – até conseguir chegar ao banheiro mais próximo. Em resume: teste a merda da privada!

Regra Número 4 – Cuidado com o fedor. – Tenha cuidado com o mau cheiro. Algumas pessoas são mestres em cagadas fedorentíssimas. Use a inteligência. Ao despejar a merda no vaso, dê descarga imediatamente. O raciocínio é simples: quanto mais ela ficar boiando por ali, mais cheiro ruim vai exalar. O ideal seria cagar com a descarga funcionando, mas molha a bunda. Quando estiver no trono, olhe em volta. Abra os armários e as gavetas. Se achar um perfume, dê umas borrifadas no banheiro antes de sair do recinto. Esta é uma boa forma de matar as moléculas de merda que estão voando pelo ar. Se tiver “Bom Ar”, não exagere. Você não vai querer sair do banheiro cheirando bom ar. Ah, e sempre, sempre, sempre feche a porta. Nunca! Jamais dê borrifadas de perfume no vaso, pois perfumes e desodorantes só vão fazer a expansão do cheiro, na qual as moléculas de bosta se misturam com as dos perfumantes, e se espalham muito mais rápido pelo ar. Se possível, tenha isqueiros ou fósforos em mãos, e deixe os acessos por algum tempo, o combustão tratará de acabar com o mau cheiro, depois pegue uma toalha e faça movimentos giratórios a fim de expulsar o cheiro pelo ar, mas nunca aproxime o fogo do vaso ou do perfume, pois os gases tem butano e os perfumes normalmente tem álcool que é obviamente inflamável, e o objetivo desse manual não é que você explodir o banheiro ou bater o record com labareda.

Regra Número 5 - Verifique a existência de papel no recinto. – Nunca, mas nunca mesmo, comece os trabalhos sem verificar se há papel higiênico no ambiente. Toda a sua estratégia escorre pela privada se você tiver de abrir a porta e gritar: “Amoooooooor! Acabou o papel!”. Também aproveite para conferir se o vaso está bem encaixado, principalmente se você for um noob com mais de 120Kg, pois seria desagradável uma pegadinha privada (sacou o trocadilho?).

Regra Número 6 - Certifique-se de que esteja bem asseado. - Avalie bem se a sua higienização após o trabalho ficou completa, principalmente se você estiver portando cueca ou calcinha branca ou de cores claras, pois você corre o risco de beber um pouco, fazer um rala-e-rola e ter uma surpresa desagradável como uma "freada" no meio da sua cueca/calcinha, na qual isso vai queimar a sua cara com a moça(o) pro resto da tua vida!
Regra Número 7 - Certifique-se que a porta esteja trancada! - Este é um item importante. Mesmo seguindo corretamente todo este protocolo, é imprescindível que a porta esteja bem fechada, pois seria desagradável a tua namorada ou muito pior, se qualquer outra pessoa, te flagrar cagando, você com aquela cara avermelhada de fazer força. Isso é lamentável, pois certamente mulheres bonitas não cagam (ou não).

Regra Número 8 - Pose de Intelectual. - Outro conselho útil; Se você gosta de ler no banheiro, nunca peça a Folha de São Paulo ou qualquer outro jornal do seu sogro. Escolha um livro ou uma revista, uma Veja por exemplo, é perfeita para este tipo de atividade. O jornal é incômodo de ler no banheiro, e um livro além de ser mais fácil de manusear vai lhe conferir uma aura de intelectual junto ao seu futuro sogro. Importante escolha um livro fino ou fácil de ler, como Paulo Coelho que ajuda a entrar no "espírito da coisa", afinal, demorar demais no trono pode causar-lhe hemorróidas além de um apelido de "cagão"!

Acima de tudo, é importante que você faça suas necessidades fecais em casa, muito antes de sair, para não dar uma de "Ogro" na frente de terceiros, mas se precisar, lembre-se das dicas de ouro desse manual, e torça para que não falte água quando você precisar dar uma evacuada na casa da sua namorada, pois além de não conseguir dar descarga, você corre o risco de rasgar o papel na sua mão, deixando marcas da Faixa de Gaza nos dedos, afinal, lembre-se que, o filho da puta do Murphy e a sua tradicional lei, nunca falham...

Fonte:http://desciclopedia.ws/wiki/Deslivros:Como_cagar_na_casa_da_namorada.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Na época da Ditadura


Podíamos acelerar nossos Mavericks pelas auto-estradas acima dos 120km/h sem nenhum risco e e não éramos multados por radares maliciosamente escondidos, 
mas não podíamos falar mal do presidente..

Podíamos comprar armas e munições à vontade, pois o governo sabia quem era cidadão de bem, quem era bandido e quem era terrorista,
mas não podíamos falar mal do Presidente.

Podíamos paquerar a funcionária, a menina das contas a pagar ou a recepcionista sem correr o risco de sermos processados por “assédio sexual”, 
mas não podíamos falar mal do Presidente.

Usávamos eufemismos hipócritas para fazer referências a raças (ei! negão!), credos (esse crente aí!) ou preferências sexuais (fala! sua bicha!) e não éramos processados por “discriminação” por isso, 
mas não podíamos falar mal do presidente. 

Podíamos tomar nossa redentora cerveja no fim do expediente do trabalho para relaxar e dirigir o carro para casa, sem o risco de sermos jogados à vala da delinqüência, sendo preso por estar “alcoolizado”,
mas não podíamos falar mal do Presidente.

Podíamos cortar a goiabeira do quintal, empesteada de taturanas,
sem que isso constituísse crime ambiental, 

mas não podíamos falar mal do presidente. 

Podíamos ir a qualquer bar ou boite, em qualquer bairro da cidade, 
de carro, de ônibus, de bicicleta ou a pé, sem nenhum medo de sermos assaltados, sequestrados ou assassinados, 
mas não podíamos falar mal do presidente. 

Hoje temos um país governado por ladrões, cafetões e suas putas e a única coisa que podemos fazer....
 

...é falar mal do presidente! 
que merda!

segunda-feira, 21 de março de 2016

Um dia de merda

Aeroporto Santos Dumont, 15:30.
Senti um pequeno mal estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse. Mas, atrasado para chegar ao
ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para Miami, resolvi segurar as pontas. Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão.
"Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo".
O avião só sairia as 16:30.
Entrando no ônibus, sem sanitários. Senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto.
Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil, falei: "Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro".
Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de
vontade para trabalhar e segurei a onda. O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante:
"Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levara em torno de 1 hora, devido a obras na pista".
Aí o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação ânus a qualquer momento. Suava em bicas...Meu amigo percebeu e, como bom amigo
que era, aproveitou para tirar um sarro.

O alivio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV, mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada, mas com um
vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e
percebi, consternado, que havia cagado.
Um coco sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor.
Daqueles que da vontade de ligar pros amigos e parentes e convida-los a apreciar na privada. Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal. Mas sem dúvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de solidariedade, e confessei serio: "Cara, caguei !"
Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle. "Que se dane, me limpo no aeroporto" - pensei. "Pior que isso não fico".
Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte. Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira, mas não pude evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como uma pasta morna.
Foi merda para tudo que e lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calcas,meias e pés. E mais uma cólica anunciando mais merda, agora liquida, das que queimam o fiofó do
freguês ao sair rumo à liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar, afinal de contas o que era um peidinho para quem já estava todo cagado. Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa.
E me caguei pela quarta vez. Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tira-lo levou metade dos pelos do rabo junto.
Mas era tarde demais para tal artifício absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.
Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse correr ao banheiro e
entrando de boxe em boxe, constatei a falta de papel higiênico em todos os cinco. Olhei para cima e blasfemei: "Agora chega, né?"
Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que conclui como sendo o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia. Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha
feito o "check-in" e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de
minha parte. Ele tinha despachado a mala com roupas. Na mala de mão só tinha um pulôver de gola "V".
A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus. Desesperado, comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis.
Minha cueca joguei no lixo. A camisa era historia. As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias mudaram de cor, tingida pela merda.
Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10. Teria que improvisar.
A invenção e mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar. Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água.
Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar. Sai do banheiro e atravessei o aeroporto em direção
ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calcas do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola "V", sem camisa. Mas caminhava com a dignidade de um lorde.
Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o "RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO" e atravessei todo o corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria. A aeromoça aproximou-se e perguntou se
precisava de algo. Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir: "Nada, obrigado.
Eu só queria esquecer este dia de merda !!!"


(desconheço a autoria)

quarta-feira, 16 de março de 2016

O Classificado Através da História

SÍTIO -Vendo. Barbada. Ótima localização. Água à vontade. Árvores frutíferas. Caça abundante. Um paraíso. Antigos ocupantes despejados por questões morais. Ideal para casal de mais idade. Negócio de Pai para filhos. Tratar com Deus.

CRUZEIRO - Procuram-se casais para um cruzeiro de 40 dias e 40 noites.
Ótima oportunidade para fazer novas amizades, compartilhar alegre vida de bordo e preservar a espécie. Trazer guarda-chuva. Tratar com Noé.


ELEFANTES - Vendo. Para circo ou zoológico. Usados mas em bom estado.
Já domados e com baixa do exército. Tratar com Aníbal.


CAVALO - Troco por um reino. Tratar com Ricardo III.


CISNE -Troco por qualquer outro animal de porte, mais moço. Deve ser macho. Tratar com Leda.


LEÃO - Oferece-se para shows, aniversários, quermesses, etc. Fotogênico, boa voz, experiência em cinema. Tem referências da MGM, para a qual trabalhou até a aposentadoria compulsória.


ÓRGÃO - Compro qualquer um. À vista. Também a audição, o sistema linfático, etc. Tratar com Dr. Frankestein, no Castelo.


CABEÇAS - Compro para coleção. Tenho as de João Batista, Maria Antonieta e todo o bando de Lampião.


COZINHEIRA - Procuro. Para família de fino trato. Deve ter experiências em banquetes e uma boa mão para venenos. Se falhar, pode dormir no emprego, para sempre. Tratar com Lucrecia Borgia.


TÓRRO TUDO - E toco cítara. Tratar com Nero.


BARBADA - Vendo ótima residência por preço de ocasião. Motivo força maior. 117 qtos., 80 banhs., amplos salões, lustres, tapetes, deps. compls. p/
200 empreg., 50 vagas na estrebaria. Centro de terreno ajardinado. Tratar com Luís XVI, em Versalhes, antes que seja tarde.


TELEFONE - Pouco usado. Prefixo 1. Tratar com A.G. Bell.


CASAMENTO - Homem só, boa aparência, situação estável. Procura moça para ser companheira pelo resto da vida dela. Procurar Barba Azul.


CORRESPONDÊNCIA - Quero me corresponder com qualquer pessoa em qualquer lugar. Escrever para Robinson Crusoé com urgência.


CHICOTE - Correntes, arreios, chapa quente, Cadeirinha de Afrodite, Cabrito Mecânico, grande seleção de alicates, uma prensa, ferros para marcação. Vendo tudo com manual de instrução. Motivo prisão. Tratar com Marquês de Sade.


ASSISTENTE DE PINTOR - Deve ter prática em pintar de costas. Preciso de assistente porque estou momentaneamente impossibilitado de trabalhar.
Caiu pingo no meu olho. Procurar Michelangelo, na Capela Sistina.


ENGENHEIRO - Precisa-se, urgente, para substituir elemento demitido motivo embriagues. Tratar prefeitura de Pisa, Itália.
 

TRIPULANTES - Preciso para excursão marítima. Jogo tudo nesta empreitada. Tentaremos provar que se pode chegar à índia viajando para o Oeste. Se conseguirmos, seremos famosos. Se não, a história nos esquecerá. Tratar com Cristóvão Colombo.

Luis Fernando Veríssimo

domingo, 13 de março de 2016

Radares RP, de 14/03/2016 à 19/03/2016

Com o intuito de alertar o cidadão de bem, anote onde encontrar-se-á os radares da TRANSERP de 14/03/2016 à 19/03/2016...



Caso não consiga visualizar à imagem ou queira imprimi-la em formato pdf, acesso o link abaixo:
https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/transerp/i07radar.pdf 

sábado, 12 de março de 2016

A compensação



Não faz muito, li um artigo sobre as pretensões literárias de Napoleão Bonaparte. Aparentemente, Napoleão era um escritor frustrado. Tinha escrito contos e poemas na juventude, escreveu muito sobre política e estratégia militar e sonhava em escrever um grande romance. Acreditava-se, mesmo, que Napoleão considerava a literatura sua verdadeira vocação, e que foi sua incapacidade de escrever um grande romance e conquistar uma reputação literária que o levou a escolher uma alternativa menor, conquistar o mundo.
Não sei se é verdade, mas fiquei pensando no que isto significa para os escritores de hoje e daqui. Em primeiro lugar, claro, leva a pensar na enorme importância que tinha a literatura nos séculos 18 e 19, e não apenas na França, onde, anos depois de Napoleão Bonaparte, um Vitor Hugo empolgaria multidões e faria História não com batalhões e canhões mas com a força da palavra escrita, e não só em conclamações e panfletos mas, muitas vezes, na forma de ficção. Não sei se devemos invejar uma época em que reputações literárias e reputações guerreiras se equivaliam desta maneira, e em que até a imaginação tinha tanto poder. Mas acho que podemos invejar, pelo menos um pouco, o que a literatura tinha então e parece ter perdido: relevância. Se Napoleão pensava que podia ser tão relevante escrevendo romances quanto comandando exércitos, e se um Vitor Hugo podia morrer como um dos homens mais relevantes do seu tempo sem nunca ter trocado a palavra e a imaginação por armas, então uma pergunta que nenhum escritor daquele tempo se fazia é essa que nos fazemos o tempo todo: para o que serve a literatura, de que adianta a palavra impressa, onde está a nossa relevância? Gostávamos de pensar que era através dos seus escritores e intelectuais que o mundo se pensava e se entendia, e a experiência humana era racionalizada. O estado irracional do mundo neste começo de século é a medida do fracasso desta missão, ou desta ilusão.
Depois que a literatura deixou de ser uma opção tão vigorosa e vital para um homem de ação quanto a conquista militar ou política ― ou seja, depois que virou uma opção para generais e políticos aposentados, mais compensação pela perda de poder do que poder, e uma ocupação para, enfim, meros escritores ―, ela nunca mais recuperou a sua respeitabilidade, na medida em que qualquer poder, por armas ou por palavras, é respeitável. Hoje a literatura só participa da política, do poder e da História como instrumento ou cúmplice.
E não pode nem escolher que tipo de cúmplice quer ser. Todos os que escrevem no Brasil, principalmente os que têm um espaço na imprensa para fazer sua pequena literatura ou simplesmente dar seus palpites, têm esta preocupação.
Ou deveriam ter. Nunca sabemos exatamente do que estamos sendo cúmplices.
Podemos estar servindo de instrumentos de alguma agenda de poder sem querer, podemos estar contribuindo, com nossa indignação ou nossa denúncia, ou apenas nossas opiniões, para legitmar alguma estratégia que desconhecemos.
Ou podemos simplesmente estar colaborando com a grande desconversa nacional, a que distrai a atenção enquanto a verdadeira história do País acontece em outra parte, longe dos nossos olhos e indiferente à nossa crítica. Não somos relevantes, ou só somos relevantes quando somos cúmplices, conscientes ou inconscientes.
Mas comecei falando da frustração literária de Napoleão Bonaparte e não toquei nas implicações mais importantes do fato, pelo menos para o nosso amor próprio. Se Napoleão só foi Napoleão porque não conseguiu ser escritor, então temos esta justificativa pronta para o nosso estranho ofício: cada escritor a mais no mundo corresponde a um Napoleão a menos. A literatura serve, ao menos, para isso: poupar o mundo de mais Napoleões. Mas existe a contrapartida: muitos Napoleões soltos pelo mundo, hoje, fariam melhor se tivessem escrito os romances que queriam. O mundo, e certamente o Brasil, seriam outros se alguns Napoleões tivessem ficado com a literatura e esquecido o poder.
E sempre teremos a oportunidade de, ao acompanhar a carreira de Napoleões, sub-Napoleões, pseudo-Napoleões ou outras variedades com poder sobre a nossa vida e o nosso bolso, nos consolarmos com o seguinte pensamento: eles são lamentáveis, certo, mas imagine o que seria a sua literatura.
Da série Poesia numa Hora Destas?!
Deus não fez o homem, assim, de improviso em cima da divina coxa numa hora vaga.
Planejou o que faria com esmero e juízo (e isso sem contar com assessoria paga).
Tudo foi pensado com exatidão antes mesmo do primeiro esboço, e foram anos de experimentação até Deus dizer que estava pronto o moço.
Mas acontece sempre, é sempre assim não seria diferente do que é agora.
A melhor idéia apareceu no fim e dizem que o polegar Ele bolou na hora.

Luis Fernando Veríssimo