quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A Décima Oitava

Ela tem, delegado, um nariz arrebitado, mas isso não é nada. Nariz arrebitado a gente resiste. Mas a ponta do nariz se mexe quando ela fala.
Isso quem resiste? Eu não. Nunca pude resistir mulher que quando fala a ponta do nariz sobe e desce. Muita gente nem nota. É preciso prestar atenção, é preciso ser um obsessivo como eu. O nariz mexe milímetros. Para quem não está vidrado, não há movimento algum. Às vezes só se nota de determinada posição, quando a mulher está de perfil. Você vê a pontinha do nariz se mexendo, meu Deus. Subindo e descendo. No caso dela também se via de frente. Uma vez ela reclamou, "Você sempre olha para a minha boca quando eu falo". Não era a boca, era o nariz. Eu ficava vidrado no nariz. Nunca disse pra ela que era o nariz. Delegado, eu sou louco? Ela ia dizer que era mentira, que seu nariz não mexia. Era até capaz de arranjar um jeito de o nariz não mexer mais.
Mas a culpa, delegado, é da inconstância humana. Ninguém é uma coisa só, nós todos somos muitos. E o pior é que de um lado da gente não se deduz o outro, não é mesmo? Você, o senhor, acreditaria que um homem sensível como eu, um homem que chora quando o Brasil ganha bronze, delegado, bronze? Que se emocionava com a penugem nas coxas dela? Que agora mesmo não pode pensar na ponta do nariz dela se mexendo que fica arrepiado? Que eu seria capaz de atirar um dicionário na cabeça dela? E um Aurelião completo, capa dura, não a edição condensada? Mas atirei. Porque ela também se revelou.
Ela era ela e era outras. A multiplicidade humana, é isso. A tragédia é essa. Dois nunca são só dois, são 17 de cada lado. E quando você pensa que conhece todos, aparece o décimo oitavo. Como eu podia adivinhar, vendo a ponta do narizinho dela subindo e descendo, que um dia ela me faria atirar o Aurelião completo na cabeça dela? Capa dura e tudo? Eu, um homem sensível?
Eu devia ter desconfiado de alguma coisa quando descobri que o celular dela tocava Wagner. Quem escolhe Wagner para o seu telefone celular? Pode-se saber muita coisa sobre uma pessoa pelo que ela escolhe para tocar quando soa o seu celular. Eu achei engraçado o Wagner, ela um doce de mulher escolhendo o Wagner, mas na hora não dei maior importância. Hoje sei que Wagner era um sinal. Um dos outros, das outras, que ela tinha por dentro, escolheu o Wagner. Foi uma maneira de dizer que o nariz arrebitado não era tudo, que eu não me enganasse com o seu jeitinho de falar, com o apelido que ela me deu, "Guinguinha", veja o senhor, "Guinguinha", que só depois eu descobri era o nome de um cachorro que ela teve quando era pequena e morreu atropelado, "Guinguinha". Que uma que ela tinha por dentro era uma Valquiria indomável de 2 metros. Hein? Fagner, não. Wagner. O alemão.
Tudo bem, eu também tenho outros por dentro. Nós já estávamos juntos um tempão quando ela descobriu que eu sabia imitar o Silvio Santos. Sou um bom imitador, o meu Romário também é bom, faço um Lima Duarte passável, mas ninguém sabe, é um lado meu que ninguém conhece. Ela ficou boba, disse "Eu não sabia que você era artista". Ela também não sabia que eu tenho pânico de beringela. Não é só não gostar, é pânico mesmo, na primeira vez que ela serviu beringela eu saí correndo da mesa, ela atrás gritando "Guinguinha, o que foi?". Também sou um obsessivo. Reconheço. A obsessão foi a causa de nossa briga final. Tenho outros por dentro que nem eu entendo, minha teoria é que a
gente nasce com várias possibilidades e quando uma predomina as outras ficam lá dentro, como alternativas descartadas, definhando em segredo. E, vez que outra, querendo aparecer.
Tudo bem, viver juntos é ir descobrindo o que cada um tem por dentro, os 17 outros de cada um, e aprendendo a viver com eles. A gente se adapta. Um dos meus 17 pode não combinar com um dos 17 dela, então a gente cuida para eles nunca se encontrarem. A felicidade é sempre uma acomodação. Eu estava disposto a conviver com ela e suas 17 outras, a desculpar tudo, delegado, porque a ponta do seu nariz mexe quando ela fala.
Mas aí surgiu a décima oitava ela. Nós estávamos discutindo as minhas obsessões.
Ela estava se queixando das minhas obsessões. Não sei como, a discussão derivou para a semântica, eu disse que "obsedante" e "obcecante" eram a mesma coisa, ela disse que não, eu disse que as duas palavras eram quase iguais e ela disse "Rará", depois disse que "obcecante" era com "c" depois do "b", eu disse que não, que também era com "s", fomos consultar o dicionário e ela estava certa, e aí ela deu outra risada ainda mais debochada e eu não me agüentei e o Aurelião voou. Sim, atirei o Aurelião de capa dura na cabeça dela. A gente agüenta tudo, não é delegado, menos elas quererem saber mais do que a gente.
Arrogância intelectual, não.

Fonte: Luís Fernando Veríssimo - Crônicas Selecionadas da Coluna do Estadão

domingo, 25 de dezembro de 2016

Os dez passos para uma vida saudável.

1- Entre no coração do extraordinário e tudo se normaliza
2- Para cada doença que há na terra, pelo menos uma erva que cura
3- Se não houvesse professores de Medicina nesse mundo, como se aprenderia essa arte? Estudando no grande livro aberto da  natureza, escrito por Deus
4- Um dia vamos respirar estrume e não terra, que é nossa mãe
5- O ser humano sem rumo, ou uma pessoa, que não é, parecer homem que não sabe mais para médico; podem conceder licença onde é o caminho, fica doente, para matar. Mas não podem dar
deprimido, triste, dependente da poder de cura, não podem fazer opinião alheia e sujeito -às mumunhas da propaganda
6- Aceitar a própria natureza ajuda a Deus, cura, livra da revolta e do ódio e mantém acesa a chama do autoconhecimento
7- O especialista só vê parte das coisas, não vê o Universo como um todo
8- Tudo o que acontece no Universo acontece comigo
9 - Quem cura é o médico. Nem o imperador, nem o Papa, nem escolas superiores podem fazer de alguém médico; podem conceder licença para matar.  Mas não podem dar o poder da cura, não podem fazer de um médico verdadeiro se ele não tiver sido ordenado por Deus.
10- Só existe uma dor suportável, a que mantém acesa a chama da dor dos outros
* Texto originalmente publicado na coluna "Janela Santista", do Jornal da Orla.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A Famigerada Ceia Natalina


Dos Preparativos 
Há mais ou menos 40 dias você está se preparando. Já pensou no que comer, beber, onde se dará o grandiosos evento e principalmente, quem será convidado, quesito este de alta complexidade, afinal, sempre tem aquele vizinho intrometido que resolve aparecer logo após a meia noite, de cara cheia, fazendo gracinhas e promovendo um trágico espetáculo que vai contra todas as regras de etiqueta existentes no planeta, contra a convenção de Genebra, e tudo que mais que existir regulamentando o que quer que seja...sim, ele vai aparecer, e vai trazer os filhos bexiguentos, a mocréia da esposa e mais alguns que estão na casa dele para te desejar “feliz natal”, como subterfúgio para encher a pança às suas custas. 
É designado um membro da família para recolher no terminal rodoviário os parentes distantes que o ônibus despejou lá, para isso, usa-se a perua Kombi 69 azul calcinha, apelidada carinhosamente como “desmancha família” ou então o Corcel I cor de abóbora, que mata cinco fácil, fácil.

As Compras 

Aproveitou as parcelas do miserável 13º salário para comprar lembrancinhas para os filhos e parentes mais chegados.
No supermercado, comprou bebidas (um monte delas), tudo que possua etiqueta revelando algum teor alcoólico foi para no carrinho, cerveja, vodka, whisky de terceira, espumantes vagabundas etc, só não comprou água de bateria porque não tinha na prateleira. Quanto às comidas e afins, não passou vontade, frango (pra disfarçar de peru), aves natalinas (da promoção de R$ 6,00), queijos, frios, leguminosas, panetones e afins, levou tudo e quase se ferrou na hora de passar no caixa... para conseguir efetuar a compra, pendurou tudo no cartão de crédito, já premeditando postergar “ad eternum” o pagamento da fatura.

Do Local do evento

Vai acomodar os convidados no puxadinho e na garagem, pegou a lona plástica que o parente utilizou na pintura da casa, arranjou um tambor meia boca pra acomodar parte da bebida (o resto foi depositado na geladeira), instalou a churrasqueira, e está contando com São Pedro, na esperança que a chuva não venha.
Descolou algumas cadeiras e mesas com os parentes e amigos mais próximos, uma vez que, alugar os assentos está fora de cogitação (já torrou o 13º no mercado e quase se ferrou no caixa, lembra?), improvisou um banco para 3 pessoas com a casinha do cachorro, alegando que no Natal, as pessoas devem estar juntas.

Das vestimentas

Tarefa destinada a dona da casa, que comprou na promoção da loja de roupas um vestido “maravilhoso”, com estampado de flores, para a ocasião. No R$ 1,99 aproveitou para adquirir bijuterias e penduricalhos (combinando com o vestido) e também, repôs o que estava faltando no estojo de maquiagem, decerto para tentar reproduzir a imagem do Coringa. Para o namorado/marido/amásio/seja lá qual o estado civil do inerte, arranjou uma roupa “linda”, que mais parece fantasia de carnaval, e obrigou, sob pena de greve de sexo, o vitimado a usar.

Da chegada dos convidados

Recebe a todos no portão, mostra a casa toda (inclusive quartos e banheiros) e por várias vezes usa aquela frase digna de pobre “fica a vontade, só não repara a bagunça” 

Do início da festa

Serve-se bebidas a todos, dizendo “se quiser mais pode pegar lá”, apontando para o tambor meia boca furado que começa vazar água, deixando um piso uma verdadeira armadilha para os desavisados e ébrios, um típico acidente esperando para acontecer.
Começa a assar a carne e termina os preparativos para a ceia da meia noite.
Designa um amigo qualquer para controlar o som, advertindo-o para não aumentar demais o volume, porque o vizinho é um filho da puta e chama a PM por causa do barulho (acredito que o vizinho seja alguém de bom senso), e se começa ouvir pela rua pagode, sertanejo e outros lixos que as rádios bregas reproduzem com fervor.

Dos convidados
Os presentes dividem-se em grupos que não falam entre si, exceto se houver um motivo de discórdia comum, enquanto ocupam-se em observar os trajes e comportamentos alheios, tecendo comentários dos mais indecorosos.
Os cavalheiros vestem calças apertadas, camisetas e camisas que os fazem parecer um desenho animado, quando não, usam botinas e fivelas de cinto enormes, enquanto observam as mulheres com aquele olhar de galã de cinema tarado.
As moças trajam vestidos, saias e shorts que desrespeitam qualquer tipo de pudor enquanto observam os rapazes já tarados, seus trajes, modos e o carro que dirigem.
As distintas senhoras presentes no evento “pagam de novinhas” enquanto ficam ”pirigueteando” na festa com um copo ou lata de cerveja na mão, sempre com vestimentas que incluem salto plataforma, sandália gladiadora e estampas de oncinhas. É comum usarem frases como "estar causando" quando falam entre si, na tentativa de estabelecerem uma forma de comunicação.
Todos bebem desenfreadamente enquanto tiram várias fotos e selfies para postarem nas redes sociais. Aparece um tio chato com um “pau de selfie” e todos sentem certa vergonha alheia por causa do inconveniente parente.

Da lavação de Roupa Suja e das Brigas 
É só o sujeito “encher o pote” que começa a lavação de roupa suja, comenta com todos os convidados as merdas que o parente ou amigo fez durante o ano, mas tudo é espírito natalino.
Começa a confusão, a gritaria e os xingamentos, a festa começa fugir ao controle.
Chega à sogra, para contar a todos como é lastimável sua vida e rebaixa você a uma profissional do baixo meretrício, diz que você deveria tomar rumo e outras coisas mais. 

Do amigo oculto

Começa antes da meia noite a divertida brincadeira, usa-se para dar dicas às supostas qualidades dos indivíduos, enquanto no canto dos não participantes comenta-se: “honesta? O marido dela é corno, ela dá para o leiteiro e pro cara do mercadinho” entre outras pérolas.
Claro que, se usassem palavras como babaca, corno, cretino e filho da puta, ficaria mais fácil adivinhar quem saiu com quem.

Dos comprimentos de Feliz Natal às 00:00h

Todos desejam Feliz Natal uns aos outros, mesmo aquele parente mala que ignorou você o ano todo, ele vem te abraçar com as mãos engorduradas (o morto de fome não aguentou esperar e arrancou a coxa do frango quase à dentadas), segurando uma lata de cerveja (já quente), com a gordura da pobre ave escorrendo pelo canto da boca juntando-se ao suor, formando assim uma mistura heterogênea que ainda não consta da tabela periódica. Ele irá te abraçar e esfregar aquela boca ensebada no seu rostinho lindo, vai querer tirar foto abraçadinho e tudo mais.
Distribui-se as lembrancinhas da loja de R$ 1,99 aos presentes e todos fingem gostar e comentam entre si “o que eu vou fazer com essa merda?, ninguém merece, affffffff etc”

Da Ceia

Os presentes quase se matam para chegar à comida, não parecem mais as pessoas que estavam no início da festa, e sim um bando de refugiados famintos, ávidos por saciar a fome, que pelo visto padecem desde a infância. É uma visão do inferno, até o cachorro participa e tenta pegar algo, pulando sobre a mesa e derrubando o frango que foi disfarçado de peru, que é recolocado rapidamente sobre a mesa enquanto alguém grita “não foi nada, pode comer que tá limpinho”.
Os convidados buscam mais cerveja e assaltam a geladeira da casa, colocando na churrasqueira a mistura da marmita e tudo mais que foi pilhado e que possa ser de alguma forma, ingerido.
Do pós Ceia 
A gritaria e as músicas bregas não tem fim, o filho do primo do seu tio avô começa a cantar, completamente bêbado. Cai o primeiro convidado, quase em coma alcoólico, e todos correm para “acudir”. Outros já estão desmaiados nas demais dependências da casa. 
Alguém diz que vomitaram na pia da cozinha, que está repleta de louça suja, procura-se em vão pelo culpado, a dona da casa pega o desentupidor e parte para o reparo, (o sujeito vomitou na pia e tinha louça lá). Comenta-se em alto e bom tom, para que todos possam ouvir, que o banheiro está entupido, devido a um “torpedo”  que se encontra no vaso sanitário e que obviamente não foi embora com a descarga, todos riem e apontam uns aos outros como supostos autores da obra, seguindo-se de comentários obscenos sobre o que fora encontrado e o diâmetro do orifício de onde saiu “a coisa”. Busca-se mais cerveja, pilham também os armários e outros locais que supostamente estaria repleto de provisões, saqueiam a cozinha.
Antes de ir embora, decidem que todos, voltarão para o almoço, no intuito de comer o que teria sobrado e beber a saideira.
Os anfitriões, após a partida do último convidado começam a limpar a zona que foi deixada para trás, encontra-se o filho de um parente distante deitado dentro do armário. Os familiares que vieram de longe já estão desmaiados e os donos da casa tem que ajeitar no sofá e no chão da sala.

Do dia seguinte

Dez em ponto, chega o primeiro mala para iniciar as atividades, e começar tudo de novo. Por volta das 14 horas, o banheiro foi desentupido. Antes da meia noite, gritam “só tem cinco”, referindo-se a quantidade de cerveja restante e todos decidem ir embora depois de tomar as mesmas, para tentar trabalhar pela manhã ou ao menos conseguir um atestado no PS para não perder o dia. 
E não se preocupe, no ano novo será pior, bem pior...

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Algumas curiosidades sobre nós, caminhoneiros

01 - Alguns caminhões correm mais que seu carro 1.6

02 - Dirigimos por profissão, logo, somos profissionais. Não passe por nós e mostre o dedo do meio que "alguns" de nós podem literalmente correr atrás de você.

03 - Se te damos lado para entrar na rodovia, não acelere para nos passar pela direita, a gente não gosta.

04 - Não fique freando na nossa frente por qualquer coisa que você vê no caminho. Freadas bruscas podem fazer nossa carga correr e até nos matar se ela atingir a cabine.

05 - Quando nós damos sinal de passagem pra você, agradeça, buzine. Gentileza gera gentileza.

06 - Não siga um mesmo caminhão por muito tempo. O motorista pode achar que você deseja rouba-lo.

07 - Somos vingativos, sim. Você também é.

08 - Tamanho é documento, sim. Não tente fechar um caminhoneiro propositalmente. 98% de nós ira deixar bater.

09 - Caminhoneiro não fecha ninguém de graça. (Veja ítem nº 07)

10 - A maioria de nós está sempre disposta a ajudar, porém, somos desconfiados. Os ladrões utilizam-se de todo tipo de artimanhas para nos roubar.

11 - Caminhões custam muito caro.

12 - O valor de um pneu de um caminhão da para comprar 10 pneus do seu FIAT Uno.

13 - O horário da carga é sagrado.

14 - Do alto de nossas cabines vemos tudo dentro do seu carro, inclusive as pernas da sua mulher.

15 - Estamos em constante comunicação com outros caminhoneiros no rádio, via faixa dos 11 metros. Não provoque. Tem sempre um mais na frente. (Olhe o ítem nº 07).

16 - Muitos de nós tem mais estudo que você.

17 - Posto que tem muito caminhão parado, a comida é boa.

18 - Posto que prostituta faz ponto durante a noite, tem ladrão.

19 - O seu carro, as suas roupas, a sua comida, a sua privada, o seu papel higiênico etc. Tudo foi levado até você por um caminhoneiro.

20 - Não dê ouvidos às matérias sensacionalistas que muitas vezes a mídia exibe. Não somos marginais, drogados, inconsequentes etc. Somos trabalhadores, igual a você, mas infelizmente existe, como em qualquer atividade alguns que denigrem a categoria toda. Olhe a sua volta, na empresa onde trabalha, e certamente verá alguns adúlteros, alcoólatras e pessoas que usam ou tiveram problemas com uso de entorpecentes. Porém esses são a minoria do quadro geral de funcionários.

21 - Ser caminhoneiro não tem nada a ver com o seriado Carga pesada da rede Globo. Na realidade a coisa é bem diferente.

22 - As rodovias brasileiras não oferece qualquer estrutura de apoio aos caminhoneiros (áreas de descanso descentes, sanitários limpos, segurança, médicos, dentistas  etc). Ficamos literalmente jogados no trecho.

23 Nós sustentamos, (e pagamos um preço absurdamente caro) a PETROBRAS, as concessionárias de pedágio, postos de combustível, eletricistas, mecânicos, borracheiros, técnicos de rádio e não raramente, policiais rodoviários corruptos que adoram tomar dinheiro de motoristas nas rodovias brasileiras (se duvida, pergunte em qualquer parada de caminhoneiros quem já "deu dinheiro pro guarda" e surpreenda-se.)

24 - Muitas vezes fazemos nossa própria comida na estrada (na famosa caixa de cozinha), uma vez que a diária de estrada oferecida pelas empresas não dá, na maioria das vezes, para sentar no restaurante do posto e comer dignamente. É inconcebível ter que comer marmitex almoço e janta por dias e dias. E quem tem seu próprio caminhão, esse faz a comida pra economizar, mesmo. Não da pra comer no posto o mês inteiro e trazer dinheiro pra casa.

25 - Respeite os caminhoneiros e será respeitado. 

Boa viagem.


Fonte:desconheço a autoria.

domingo, 30 de outubro de 2016

12 Dicas para melhor dirigir





A linguagem não é das mais refinadas, mas é a pura verdade.
Dicas rápidas para você aprender a NÃO FODER com os motoristas que sabem dirigir, no caótico trânsito brasileiro.

1. No semáforo, deixe a porra da primeira marcha engatada e quando o sinal abrir arranque. Não espere que o motorista de trás tenha que te lembrar.

2. Quando um outro motorista ligar a seta avisando que precisa entrar na pista que você está, deixe de ser filho da puta e deixe o cara passar. Certamente vai acontecer com você um dia e tu vai ficar puto(a) e histérico(a) se o outro não deixar você entrar.

3. Se você não sabe fazer baliza, tenha humildade e procure uma vaga mais fácil ao invés de ficar fodendo a vida de quem está com pressa. Ah! Se você não gosta do seu carro, o problema é seu. Isso não quer dizer que os outros motoristas acham legal que fiquem dando "totó" nos seus carros para estacionar.

4. Largue de ser cavalo e aprenda que se a merda da placa do radar diz  60Km/h, é 60 de verdade e não 20 Km/h disfarçado, seu bosta.

5. A vida anda muito corrida, por isso, se você gosta de passear pelas vias a 30Km/h, faça isso às 3:00h da manhã, babaca filho da puta.

6. E por falar em passear, tem os vagabundos donos de rua que não saem da pista da esquerda e teimam andar a 20km/h numa pista de 80km/h. Se você ver alguém no seu retrovisor querendo passar, pode ser um mala filho de uma puta ou uma emergência. Como você não é a Mãe Diná, não vai te cair as pernas se deixar o cara passar, seu puto desqualificado.

7. Que tal dar sinal de que vai entrar em alguma rua se você percebe que tem algum motorista esperando sua importante escolha?

8. Se o seu namorado vai te deixar na frente do shopping, deixem as preliminares para um local apropriado. Certamente não vai ser a última vez que você vai vê-lo, portanto, dê tchau e suma do carro, caralho !!!!

9. Essa é pra você, filho da puta frustrado sexualmente que adora botar o rabo numa moto barulhenta do caralho: Por que você não bota a orelha na merda do escapamento aberto e acelera? Todo mundo sabe que o barulho da sua moto é inversamente proporcional ao seu tato com as mulheres.

10. Nossa, um acidente !!! Será que machucou alguém conhecido?? Qual é,  nunca viu uma porra de uma lanterna quebrada? Então anda logo seu viado que você não precisa ficar olhando com cara de otário pra ver a desgraça dos outros ou qualquer coisinha que acontece no trânsito e andando como se estivesse num cortejo fúnebre.

11. Outra coisa que irrita são aqueles filhos da puta que geralmente desfilam com uma piranha do lado e param o carro na vaga de idoso ou de deficiente. Isso porque tem duas pernas e um cu funcionando, porque merecia uma surra pra realmente precisar estacionar ali. Então, mesmo na pressa, deixa de ser filho da puta e vai procurar tua vaga!

12. Especial para nossos amigos da PM, CET, TRANSERP etc: Se é horário de movimento intenso, que tal escolher um local apropriado, parar a merda do carro e não fazer todo mundo andar a 40 Km/h pra ver a porra da viatura nova com a caralha das luzes ligadas se não tem nada acontecendo? Que tal cuidar de quem anda pelo acostamento ou tá com aquele Kombão fumacento fazendo lotação e atrapalhando todo mundo, ao invés de ficar revirando o carro dos outros pra achar uma lâmpada queimada e dizer: Ahaaaaa !!!! Como é que a gente vai fazer agora?

Isto NÃO É UMA CORRENTE.
Se você não divulgar, seu braço não vai cair, você não vai ficar 7 anos sem transar etc, mas quando fizerem uma cagada na frente do seu carro não adianta ficar puto(a) e histérico(a), apenas lembre-se que:
  VOCÊ NÃO COLABOROU .

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Devastação Cultural Encarnada

Escrito por Olavo de Carvalho

Nada pode estar tão distante de alguma outra coisa como o intercâmbio intelectual genuíno está do debate político-partidário e ideológico tal como se trava na nossa mídia e nas nossas instituições universitárias.
Não é exagero dizer que, fora de uns círculos privados muito pequenos, quase microscópicos, o intercâmbio intelectual desapareceu deste país. Desapareceu a tal ponto que o debate político tomou o seu lugar e acredita piamente ser ele.
Grosso modo, a diferença consiste no seguinte: o intercâmbio intelectual pressupõe a efetiva interpenetração das consciências, a participação comum dos interlocutores num mesmo conjunto de experiências cognitivas.
O debate político (no sentido acima) compõe-se apenas da adesão ou repulsa superficiais a “teses” ou “opiniões” estereotipadas, no mais das vezes apenas inventadas e projetivas, às  quais pareça bonito, no momento, lançar flores ou pedradas.
No intercâmbio intelectual, a compreensão e o enriquecimento mútuos são muito mais importantes do que a concordância ou discordância, que em geral acabam sendo quase sempre parciais e condicionais.
No debate político, concordar ou discordar é tudo, com o agravante de que a adesão ou repulsa não é nunca puramente intelectual, mas se multiplica pela exaltação ou condenação morais, que, dirigidas aos alvos convenientes, valem também, por extensão ou por inversão, como descarada "captatio benevolentiae" para fazer do opinador um modelo de virtudes, a personificação suprema da democracia, do patriotismo, do progresso, do socialismo, dos sentimentos cristãos ou de qualquer outro valor que se imagine compartilhado pela audiência.
Não é preciso dizer que, no debate político brasileiro, o compartilhamento de experiências cognitivas é não apenas desnecessário, mas inconveniente.
Compreender as idéias, as intenções profundas ou, mais ainda, a alma do interlocutor pode paralisar o impulso de deformar, caricaturar e falsificar, que, em tão nobre atividade humana, é a essência e a meta do que se pretende.
Numa sociedade normal, há os dois tipos de debates, mas permanecem em terrenos distintos, e a presença vizinha do intercâmbio intelectual, que é de conhecimento público tanto quanto o debate político, funciona como um freio aos arrebatamentos erísticos e demagógicos deste último.
Desaparecendo o intercâmbio intelectual, o debate político, sem parâmetros regulatórios exceto o Código Penal, os interesses empresariais e partidários em jogo e os padrões de gosto de uma platéia volúvel e ignorante, se encontra livre para impor-se como modelo de todas as discussões possíveis e até recobrir-se da aura de “atividade intelectual” aos olhos de quem nunca teve – nem viu -- atividade intelectual nenhuma.
Não deixa de ser sintomático que, nessa atmosfera, as regras de polidez mais vulgares, grosseiras e pueris – mesmo elas constantemente violadas pelos seus propugnadores – se transfigurem no símbolo convencional, no sucedâneo mais aceitável de elevação intelectual e moral.
Foi assim que tipos como os srs. Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Marco Antonio Villa, Caio Blinder e outros tantos vieram a parecer intelectuais, quando até mesmo no exercício do mero jornalismo são tão claramente deficientes, sem comparação possível com os seus antecessores de três ou quatro décadas atrás.
Para quem cresceu lendo os artigos de Julio de Mesquita Filho, Nicolas Boer, Gustavo Corção, Paulo Francis, Otto Maria Carpeaux, Álvaro Lins, Arnaldo Pedroso d’Horta e muitos outros do mesmo calibre –todos eles intelectuais de pleno direito exercendo "ad hoc" as funções de jornalistas --, ler o que se publica hoje sob o nome de “comentário político” é ver diariamente a devastação cultural brasileira encarnada com plena fidelidade aos traços simiescos que a definem.

Fonte: http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/16591-2016-06-29-06-31-37.html

domingo, 3 de julho de 2016

Sou um ser em extinção

Vejam a minha realidade diante dos padrões que começam a dominar no Brasil:

• Fui alfabetizado, logo, pertenço a uma minoria privilegiada
• Tive emprego fixo, e hoje trabalho várias horas por dia, então sou burguês.
• Nasci branco, o que me classifica como racista.
• Nunca votei no PT, PCdoB, PSOL etc, então eu sou fascista.
• Sou hétero, por isto sou visto como homofóbico.
• Não sou sindicalizado, o que me torna um traidor da causa operária e aliado do patrão.
• Sou cristão, logo sou pessoa de valores "demodé "
• Eu penso e portanto não engulo o lixo que a mídia tenta empurrar, portanto sou reacionário.
• Atenho-me a meus valores morais e culturais, o que me faz ser xenófobo.
•Eu gostaria de viver em segurança e que os bandidos estivessem na cadeia puxando cana perpétua, então sou um saudosista do DOI-CODI, da tortura e afins.
• Sou adepto incondicional da meritocracia, o que me torna antissocial.
• Fui educado com severidade e disciplina, pelo que sou grato aos meus pais, o que me transforma em um carrasco de crianças, impedindo o seu "desabrochar"
• Sou adepto do pensamento que todo cidadão é co-responsável pela defesa do país, tem direito ao porte de arma de qualquer calibre, e ainda que a legítima defesa é direito do cidadão e não um favor do Estado, o que me torna então, um militarista.
• Eu gosto de me esforçar, o que me torna um retardado social.
• Sou brasileiro, sem dele querer vantagens, por isto sou visto como um "pato", pronto para ser depenado pelos criminosos, terroristas e quadrilheiros que estão encastelados no Governo do país.

Fonte: mensagem recebida via e-mail

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Abordagens Policiais

1. A Polícia não sai por aí encostando playboy na parede por que gosta,mas por que o serviço tem de ser feito. Então,quanto mais você enrolar, mais tempo vai demorar a abordagem.

2. Pra quem não quer levar os tradicionais chutinhos no tornozelo a receita é simples: basta abrir as pernas num ângulo mínimo de 70° (setenta graus)

3. Nós fiscalizamos o trânsito, sim. Mas nossa prioridade é o crime. Quem prioriza o trânsito é o DETRAN. Então, quando for parado por uma equipe, não venha tirar documentos do bolso antes que o policial determine. Um movimento precipitado e você pode  tomar um tiro nessa sua carinha de criado com a vovó. É muito simples. Primeiro verificamos se você não está portando armas ou drogas, depois verifica-se quem você é e o seu veículo.

4. A merda do seu carro "tunado", apesar da papagaiada toda, não é único ou exclusivo. Existem muitos iguais a essa porcaria. E esses muitos outros são conduzidos por criminosos. Então quando for parado, não quer dizer que
o policial está te perseguindo, ou está com inveja dessa merda. 
Ele te parou por que você pode ser um bandido, ou seu veículo é igual ao 
que foi usado num crime qualquer.

5. Para as mulheres: quando a porra do teu namorado for pra parede, não atrapalhe. Fique no local onde foi determinado e espere o fim da abordagem, de preferência em silêncio.

6. Maconha ainda é droga ilícita, e usá-la ainda não está permitido.Então não reclame!

7. Sempre dizem: VAI PRENDER BANDIDO. Pedimos também que indiquem onde eles estão, e se possível nos acompanhe a delegacia, na condição de testemunha. 

8. Em vários locais já ocorreram crimes chamados seqüestro relâmpago, inclusive nesta cidade. Por isso, quando tu tá no carro com a porra da tua namorada e mais 4 boiolas juntos, nós abordamos por imaginar poder se tratar de um desses crimes. Portanto, coopere, desça do carro com as mãos na cabeça e peça pros teus amiguinhos fazerem a mesma coisa. 

9. Deixe essa sua carteirinha de OAB guardada na sua carteira ou em casa. Se eu quiser saber tua profissão eu vou perguntar e você apenas vai me responder. Advogado não é autoridade, é um profissional liberal, como um dentista ou pedreiro, e Polícia não tem medo. Fórum é pra ir mesmo. Boa parte dos Policiais hoje também são bacharéis iguais a você.  

10. O famoso "mão pra cabeça" é uma ordem legal que tem auto-executoriedade, ou seja, nós podemos parar quem quer que seja segundo nosso poder discricionário e realizar uma busca pessoal, sem necessitar de mandado específico. Se precisar, a sola n° 43 da minha bota serve. 

11. Carro não é extensão de domicílio, exceto se você morar nele, portanto TAMBÉM não precisa de mandado e será primeiro revirado e depois fiscalizado e quem sabe autuado e apreendido.

12. Mantenha-se calado durante a abordagem! A sua opinião não interessa a ninguém! 

13. Também não interessa saber quem é seu pai, mãe, outro parente ou quem você conhece. 

14. Não temos inveja de sua  condição social ou da porcaria do seu carro; apenas estamos trabalhando em prol da sua segurança.


Desconheço autoria, mas concordo. Quem não gosta de policia é no mínimo, vagabundo!