segunda-feira, 27 de abril de 2015

Pegador sincero

Sinceridade,  Não sou do tipo que chama atenção pelo porte físico ou coisa parecida.

Já passei dos quarenta, meus cabelos me abandonaram há uns 7 ou 8 verões e minha protuberante barriga denotam o grande sucesso que tive na arte de comer e beber.
Minhas rugas procedem da total falta de credibilidade em protetor solar (esse troço não é coisa de homem sério!) aliada a centenas de noites que fiquei sem dormir na expectativa de não ir para casa sozinho.

Bom. Esse sou eu.

Ainda bem que para caras como eu (porra! Tem um monte desses pôr ai) existem os desmanches. O que é um desmanche?

Sinceridade: Na mesma proporção de caras como eu, existem mulheres com características semelhantes. Se não são carecas, tem cabelos mal cuidados, se a barriga não é tão grande quanto a minha, tem lá aquela coisa instalada ali na frente. Ruga então?! Puta que pariu! Não quero falar disso.

Voltando ao assunto, um desmanche é um local onde se tem música, bebida, um globo vagabundo rodando no teto, banheiro mal cuidado, etc.
O local tem que ser escuro porque, sinceridade: Com muita luz acho que ninguém "pegaria" ninguém. 

A balada que sempre vou (não vou chamar de desmanche as mulheres se ofendem pois a quem diga que estes locais tem estes nomes porque as "princesas" que freqüentam o local desmancham em um toque) fica perto da minha casa, pois não tenho carro e, se arrumo alguma coisa dá para ir a pé até o meu apartamento. Coloquei minha roupa de passeio, quinzão no bolso (cinco para entrar e o resto para beber e comer um cachorro quente na hora de ir embora) e fui para a caçada. Dancei forró, pagode, lenta (não sei nem como se chama hoje em dia estas músicas de se dançar juntos eu falo lenta e acabou!) como umas dez mulheres diferentes. Já passava das quatro da madruga, eu já num prego do cacete, achando que ia ter de acabar mais uma noite sozinho, deparei-me com uma gata. Não fui agraciado com beleza mas...papo... bom. Papo eu tenho. 


Aproximei-me. Era um loira com uma calça preta com listas amarelas (estas calças de ir em academia) uma bota que imitava couro de cobra, um salto bem alto, o cano da bota ia até os joelhos o que dificultava um pouco os movimentos da "mocinha".
Sua blusa era toda cheia de umas coisas brilhantes (não sei o nome destes troços) bem vermelha. Não sei se é moda, mas, tudo bem, eu não tava procurando ninguém para ser modelo e sim tirar o meu atraso.
Encostei do lado e comecei a jogar meu charme.

Sinceridade: Nem precisei conversar muito. Cinco minutos de conversa e já aceitou ir até minha casa.

Eu também aceitaria no lugar dela pois, o primeiro ônibus que ia até a direção da sua casa só passaria a partir das sete horas. 


Fomos caminhando até meu apartamento. Quando passávamos por luzes fortes podia ver com mais clareza seu rosto.

Amigos: Se você tem menos de dezesseis anos e/ou estômago fraco aconselho interromper a leitura, a partir deste momento a coisa começa a ficar "quente".

Tinha mais rugas que meu saco, já não sabia se era loira ou morena.
Quero dizer era morena pois o cabelo estava do ombro para baixo loiro e para cima moreno. Segundo ela, a próxima grana que ganhar de diarista vai dar um jeito no cabelo.

Sinceridade: A dona era até gostosa mas feia pra caralho mas, porra!
Eu não queria ela para bater foto, além do mais não aguentava mais ficar só na punheta. Precisava comer uma mulher, nem que fosse ela.

Abri a porta do meu apartamento e já fui beijando e socando a mão em tudo quanto é lugar, aí, como toda mulher faz, começou:

- Para com isso! Que é que voce tá pensando!?
- Tudo bem. Todos nós passamos por isso, até as feias tem direito àquelas frescuras do início. Dei mais um beijão e já coloquei a mão no bolso e peguei umas balas.

Compreensível: Quatro horas da manhã, fumando, bebendo, qualquer um fica com bafo na boca.

Como toda mulher que você põe no carro ou leva para seu apartamento (até as feias são assim!!) já começou com aquele papinho:

- Acho que está na hora de ir embora...
- Puta que pariu, a gente tem que passar por isso.
Tudo bem, tô ali de pau duro prontinho e tem que ter esta fase!! Bom fiz minha parte: Conversava um pouco, beijava um pouco, passava a mão, pegava a mão dela e colocava em cima da minha calça, sabe como é, todo aquele ritual básico. 


Passados longos dez minutos desta interminável lenga-lenga, a Marta (este não é o nome real mas vamos deixar como se fosse), deixou eu tirar sua blusa. Quando tirei a blusa encontrei um enorme obstáculo: estas cintas que apertam o corpo para tampar um pouco a gordura. Tirei aquele troço. Meu Deus!!

Sinceridade: O cheiro que saiu dali de baixo, se minha tara não fosse do tamanho do Pão de Açúcar, eu teria brochado, mas achei até compreensível afinal, ficar a noite toda dançando com aquele negócio quente enrolado no corpo, não podia dar em outra coisa.

Passados uns cinco minutos meu nariz já havia se acostumado com o cheiro. Pra quem já tinha beijado a boca fedendo a cigarro, um CC não ia matar. 


Tirei o corpete (foi assim que ela chamou o negócio) e comecei a chupar os peitos. Tava meio salgado, quero dizer, tava bem salgado, mas, vamo lá, era para comer mesmo! Que mal tinha em estar temperado?!?! Fiquei ali chupando aquela coisa flácida por uns cinco minutos até que finalmente a Marta pegou no meu pau. Tinha, finalmente, quebrado a barreira entre o - acho que vou embora e o acho que vou te dar . 


Começamos então a fase final. 


Ela com a mão no meu pau e eu com a mão na sua xoxota (fica bonitinho este nome!!). Não deu dois minutos de dedinho e já veio com aquela outra famosa - Eu quero!
Eu quero! - como se não quisesse desde o começo mas, tudo bem, respeito. Se não respeita, fica com fama de insensível e... bom, deixa para lá, vamos ao que interessa. Como todo bom cavalheiro, tirei a mão de lá e coloquei no nariz para "reconhecer o gramado".

Sinceridade: Minha sorte que meu pinto não tem nariz, se tivesse acho que não encararia a parada.

Começamos a nos despir. Fui abaixar sua calça e me deparei com as botas: Preciso comentar do cheiro que saiu de dentro das botas ??? Se tivesse lugar, poderia jurar que ela escondeu um gato morto em cada pé. Pensei em dar a primeira tomando um banho, talvez melhorasse um pouco as condições. Fomos até o banheiro e, para variar, estava sem água.

Sinceridade: Tava louco para dar uma trepada. Meu pau já tava ardendo, as bolas começando a doer...

Comi ali mesmo dentro do banheiro (Sim. Usei camisinha!!!). Comecei sentado na privada, depois encostei a Marta na parede do banheiro e peguei ela por trás. Pra não gozar muito rápido, fiquei contando quantas bolas de celulite ela tinha na bunda. 


Quando chegou na vinte e cinco, ela pediu para mudar de posição, eu estava tão empolgado com a minha estatística que nem percebi que ela batia a cabeça na parede com força e acho que já tava machucando.


Fomos para o corredor do apartamento (no banheiro não tem espaço para ficar deitado). Dei umas bombadas ali e fomos terminar na cama. Dei aquelas gozadas de arder o canal. A Marta disse que gozou três vezes!!! (quem será que está mentindo eu ou a Marta???). 


Depois que gozei, tirei a camisinha, dei aquela conferida para ver se estavam todos ali, amarrei a ponta e joguei no lixo. Entrei então naquela parte conhecida pelos homens como o cúmulo da eternidade (Cúmulo da Eternidade: Os minutos entre depois que você goza e a hora em que você leva a mulher embora).

Sinceridade: Com pinto mole não há a menor possibilidade de encarar a Marta!!!

Já nos preparativos finais para ir embora disse que estava com fome.
Meus "quinzão" já tinham ido para o espaço (As balas não foram de graça!!). Perguntou se não podia pedir uma pizza ou comer um cachorro quente. Para não ficar feio para minha cara, ofereci-lhe para fazer algo para comermos. - Nossa que romântico!!!-


Pronto! Só faltava a baranga achar que gostei dela!!! Fucei os armários e achei um Miojo.
Na geladeira tinha uma destas latas de molho pronto de tomate que fazia uma semana que estava lá.


Fiz a gororoba.
Tinha uns dois ou três tomates que só parti em quatro e coloquei junto para tirar aquele ar de anemia do prato. Sentamos e comemos.


Comi pouco, a Marta acho que fazia uma semana que não comia. 


Não deveria ter colocado aquele molho. A Marta comeu um monte e começou a passar mal. Ficou com dor de barriga. Fiquei com um pouco de dó dela. Dar uma cagão na casa de alguém que você acaba de conhecer, não é o "sonho" de nenhuma mulher. Lá foi a Marta . Quase seis horas da manhã, nenhum barulho na rua, a porta do banheiro não fecha direito.

Sinceridade: Nunca uma mulher tinha ido ao banheiro perto de mim (para cagar!) e logo na estréia tive direito a show de efeitos sonoros.
Aquele barulho de quando você acelera uma motoca velha, denunciava e forma "lïquida" que a coisa tava vindo.

Minha TV queimada, o rádio meu irmão havia pego emprestado. Tive que ouvir a sinfonia do começo ao fim. Ouvi quando ela tentou puxar a descarga (estava sem água, lembra???), quando tentou abrir a torneira para lavar a mão, ambos sem sucesso. Veio então nossa heroína daquela batalha que achei não ter mais fim. Foram quinze minutos de barulhos de motoca e de água escorrendo. 


Ela saiu do banheiro deixando lá toda a sua obra, deu uma cheirada na mão, esfregou-as e me abraçou.  


Eu sabia que o cheiro que eu estava sentindo era do banheiro mas, eu tinha a sensação de que vinha da sua boca. Dei-lhe minhas últimas balas.


Aquelas mãos passando em meu rosto como quem quer fazer um carinho, não sei quanto tempo poderia aguentar.


Pegou no meu pau de novo, viu que estava mole e disse: - Vou levantar o bebê de novo. (bebê???!!!) Abaixou minha calça e começou a me chupar.



Sinceridade: Uma boquete é sempre uma boquete. O danado mesmo com todo aquele cheiro de enxofre no ar (ele não tem nariz, lembra???) ficou em pé de novo.
A moça então resolveu escancarar: Começou a fazer um streap (nem sei escrever isso!!). Preferia a boquete mas, tudo bem, vamos respeitar o ritual, para não parecer insensível. 
A sala estava meio escura e ela, achando que estava realmente me agradando com aquelas incontáveis bolas de celulite (tinha parado na 25 lembra???), acendeu a luz.
Quando tudo ficou mais claro olhei para aquela bunda e pensei: Puta que pariu, a gorda tem um monte de espinha na bunda para ajudar. Na verdade para meu espanto ou alívio (já não sabia mais o que pensar)não eram espinhas. Eram algumas sementes do tomate que coloquei na macarronada. A desinteria deve ter escorrido por toda sua bunda e papel higiênico não limpou tudo que podia e elas ficaram por ali grudadinhas. 

Peguei minha cueca, dei uma cuspida, limpei em volta e comi a Marta de novo. Sete horas da manhã a Marta pegou o ônibus e foi embora. 
A água voltou às dez horas.

Não quero mais tocar neste assunto

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Mensagem do Chico

“Abençoemos aqueles que se preocupam conosco, que nos amam, que nos atendem as necessidades... Valorizemos o amigo que nos socorre, que se interessa por nós, que nos escreve, que nos telefona para saber como estamos indo... A amizade é uma dádiva de Deus ... Mais tarde, haveremos de sentir falta daqueles que não nos deixam experimentar solidão.”
Chico Xavier

segunda-feira, 13 de abril de 2015

É possível se viciar em café?


Muitas pessoas só conseguem “começar o dia” bem com uma boa xícara de café. A cafeína é um alcaloide, ou estimulante natural, que também pode ser encontrado em outras plantas (como na erva-mate, no cacau e no guaraná), e tem um efeito revigorante sobre o organismo. Em outras palavras, ela nos deixa mais despertos, atentos e com mais energia.
Um xícara de café comum contém cerca de 100mg de cafeína, o suficiente para deixar-nos bem despertos a qualquer momento. Mas o problema ocorre quando o corpo passa a se habituar à cafeína, e precisamos de quantidades cada vez maiores para obter os mesmos efeitos. Isso também acontece no caso de outras substâncias, como o álcool e a nicotina (também um alcaloide), e pode levar ao vício. Mas será que existe um risco real de uma pessoa se tornar viciada em café?

Para a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), isso é impossível. A entidade compara o hábito de beber café ao de praticar exercícios e afirma que, assim como qualquer outro hábito, a sua interrupção pode levar a uma espécie de abstinência, mas nada grave. Segundo a ABIC:

Tomar café diariamente pode ser descrito como um hábito saudável comparável ao exercício físico regular. Toda pessoa deve no mínimo caminhar meia hora por dia, pelo menos 5 dias da semana e da mesma forma tomar 3-4 xícaras de café por dia. O excesso de café como de exercícios pode ser prejudicial e caso a prática regular de exercício ou de consumo de café seja interrompida, o organismo pode sentir a diferença pela falta do hábito saudável”.

A ABIC destaca ainda que, segundo a Organização Mundial da Saúde, “não há nenhuma prova de que o uso de cafeína tenha consequências físicas e sociais comparáveis, ainda que remotamente, às consequências das drogas”.
Ainda assim, não há como negar que existe uma “crise de abstinência” experimentada pelas pessoas que decidem, seja por vontade própria, seja por questões de saúde, eliminar o café da dieta.
Nesses momentos, algumas pessoas se queixam de sonolência, letargia e até dor de cabeça, entre outros sintomas. Nos casos mais graves, pode haver depressão ou aumento da ansiedade.
A cafeína é eliminada de vários tipos de dietas recomendadas pelos médicos para tratar uma grande variedade de problemas, sobretudo inflamações. Assim, pessoas com labirintite, cistos no ovário, insônia, distúrbios de ansiedade, alguns problemas cardíacos, úlceras e inflamações do esôfago, por exemplo, não podem consumi-lo em excesso. O café, assim como o chá preto e o vinho tinto, também pode causar o escurecimento dos dentes e problemas na gravidez.
Se você está tendo dificuldades em parar de beber café e realmente precisa ou quer interromper o consumo da bebida, será necessário um esforço maior nos meses iniciais, mas, com o tempo, ficará cada vez mais fácil abandonar o consumo. Confira algumas dicas:
- Substitua o café por outras bebidas, como chás ou sucos. Além de melhorar a saúde, você poderá experimentar outros sabores.
- Consumir bastante água também ajuda a desintoxicar o corpo e acelerar o processo de “desligamento” da cafeína.
- A prática de exercícios físicos vigorosos também é recomendada, pois libera endorfina, hormônio que causa uma sensação geral de bem-estar no corpo.
- Algumas pessoas gostam de eliminar um hábito “de um dia para o outro”, outras, preferem seguir um processo gradual, em que vão abandonando-o aos poucos. Avalie o que funciona melhor para você e siga seus instintos.
- Existem variedades de café descafeinado, que têm quantidades bem pequenas de cafeína, conservando todas as demais características da bebida – cor, sabor, aroma e textura. Você pode misturar uma parte de café comum com outra de café descafeinado para ajudar no processo de abandonar o hábito.
- Escolha períodos tranquilos de vida para realizar sua desintoxicação. Momentos de grande estresse – como viagens, mudanças de emprego ou de casa, fim de relacionamentos – nos deixam mais fragilizados física e emocionalmente, o que pode dificultar ou impossibilitar o sucesso da desintoxicação.

Café como droga
Alguns especialistas e setores da medicina, entretanto, não veem o café com bons olhos.
Um relatório do renomado hospital e Instituto de Pesquisa John Hopkins Medicine, nos Estados Unidos, afirma que a “cafeína é a droga comportamental ativa mais amplamente usada no mundo”, e alerta que mesmo quantidades mínimas, como uma inocente xícara do cafezinho nosso de cada dia pode levar a sintomas de abstinência, em alguns casos, bastante graves.
O artigo “Abstinência de cafeína reconhecida como um transtorno”, publicado em 2004, relata que, em geral, quanto mais cafeína é consumida, mais severos os sintomas da abstinência, mas “até mesmo uma xícara de café por dia pode levar ao vício em cafeína, de acordo com um estudo da Johns Hopkins que revisou mais de 170 anos de pesquisas sobre a abstinência da cafeína”.
“A cafeína é o estimulante mais usado no mundo, é barato e prontamente acessível, de maneira que as pessoas podem manter seu uso bem facilmente”, afirma Roland Griffiths, Ph.D., professor de psiquiatria e neurociência na John Hopkins. “Entretanto, as mais recentes pesquisas demonstram que quando as pessoas não ingerem sua dose usual podem sofrer de vários sintomas de abstinência, incluindo dor de cabeça, fadiga e dificuldades de concentração. Podem até mesmo sentir-se como quando estão resfriadas, com náuseas e dores musculares”.
Em sua pesquisa, ele verificou que, dentre os indivíduos estudados com sintomas de abstinência da cafeína, 50% apresentaram dor de cabeça e 13% tiveram um estresse significativo – por exemplo, dor de cabeça ou outros sintomas que não lhe permitiram trabalhar. Geralmente, o aparecimento dos sintomas ocorreu entre 12 a 24 horas depois da interrupção do consumo de cafeína, com um pico de intensidade entre um e dois dias e por uma duração de dois a nove dias.
E a pesquisa ainda indica que, talvez, o bem estar que sentimos ao tomar nossa xícara de café pela manhã seja na verdade o alívio dos sintomas de abstinência, pelo período da noite, em que não consumimos cafeína.

Fonte: http://saude.hsw.uol.com.br/%C3%A9-poss%C3%ADvel-se-viciar-em-caf%C3%A9

sexta-feira, 3 de abril de 2015

SUPERSTIÇÕES - SEXTA-FEIRA SANTA



Desde a mais remota antigüidade os "dias agourentos ou infelizes" existiram entre os povos. Gregos e romanos respeitavam-nos e os reconheceram por lei. Mais tarde, com o advento do cristianismo, foram tais superstições condenadas e abolidas. O povo, entretanto, continuou com elas dando-lhes, porém, outras diretrizes, baseadas, quase sempre, no próprio calendário e práticas cristãs.

Durante a Idade Média, bruxas e bruxedos eram crimes e os que os praticavam ou deles se utilizavam, eram condenados. Entretanto, e apesar disso, sempre existiram e nada conseguiu exterminá-los por completo, e os "filtros mágicos" tinham larga aplicação.

Com o cristianismo, porém, mais algumas foram acrescidas, como a sexta-feira e o número treze que se tornaram superstições baseadas na vida terrena do próprio Cristo.

A da sexta-feira tomada como dia aziago, se originou no fato de ter Jesus expirado na cruz em dia de sexta-feira, - a Sexta-Feira Santa, - e o número treze tem por gênese a última ceia, quando se reuniram Cristo e os doze apóstolos, treze pessoas, portanto, dos quais, um, - Judas, - nessa mesma noite vendera o Divino Mestre por alguns dinheiros, enforcando-se, depois, numa figueira. Por esse acontecimento também a árvore do enforcamento, - a figueira, - se tornou maldita, segundo uns, e, segundo outros, árvore da justiça divina, árvore da vingança.

Se o número treze não tem significado maior nos fastos do cristianismo, a sexta-feira tem, pois é consagrada, durante todo o ano, à recordação da morte do Salvador e a sexta-feira aniversário dessa morte é considerada santa, denominando-se, na França, a grande sexta-feira, e na Inglaterra a boa sexta-feira.

Na sexta-feira santa, em todo o orbe cristão, os sinos não tocam e o catolicismo, além disso, nesse dia não reza a santa missa. É, dessarte, dia de luto integral e não de festa, daí não ser considerado, apesar do nome, dia santo de guarda e ser proibido, canonicamente, comer carne a não ser peixe, e ser obrigatório o jejum a todas as pessoas maiores de vinte e menores de sessenta anos. Chama-se esse dia, liturgicamente, parasceve (para os católicos, a sexta-feira santa. Para os judeus, a sexta-feira, dia que se preparavam para celebrar o sábado), isto é, preparação, nome que lhe vem dos preparativos que faziam os judeus, nesse dia, para a Páscoa.

Tais acontecimentos de base cristã estabeleceram, entre o povo, uma série de crendices e superstições difíceis de serem extirpadas, formando, por isso, parte integrante do folclore dos povos.

É curioso notar-se que, dessas superstições, algumas tiveram cunho oficial, decretadas por lei, entre nós, no Rio Grande do Sul e nesta "mui leal e valorosa cidade de Porto Alegre", conforme veremos mais adiante.

***

Em Portugal o respeito à sexta-feira vem de remotas eras. Alexandre Herculano, num "romance de jogral" – que declara ser do século XI (Lendas e narrativas. v. 2. ‘A dama Pé de Cabra’), - diz que dom Diogo que casara com a dama Pé de Cabra, bruxa ou alma penada, - recebera de um santo abade ao qual se fora confessar, ralado de desgostos, a penitência de "ir guerrear com os perros sarracenos por tantos anos quantos vivera em pecado, matando tantos deles quantos dias nesses anos tinham corrido. Na conta não entravam as sextas-feiras, dia da Paixão de Cristo, em que seria irreverência trosquiar a vil relé per agarenos, cousa neste mundo mui indecente e escusada".

Já era o princípio de que matar em sexta-feira acarretava pecado, mesmo em guerra justa, o que o povo entendeu dever estender também à matança de animais para a sua alimentação, mormente na que se consagra à comemoração da morte de Nosso Senhor. A pouco e pouco, ou simultaneamente, também os outros trabalhos rurais, agrícolas, e, mesmo, caseiros, em sexta-feira santa foram vedados, circundados de superstições as mais diversas e de cousas que se não devem fazer, ora por ser pecado, ora por atrair a infelicidade e outras cousas.

Vemos, assim, entre nós, vindas de antigos tempos, superstições várias relacionadas com a Sexta-Feira Santa, e aqui referimos, principalmente, as de nossa infância nas minas de carvão do Arroio dos Ratos, município de São Jerônimo, Rio Grande do Sul.

***

Vida Rural
Na Sexta-Feira Santa, ainda em primórdios deste século, era proibido pela tradição supersticiosa:

a) Matar qualquer animal, mesmo para alimentação. O fazendeiro que o permitisse ou o marchante que o fizesse estaria fatalmente condenado a grandes prejuízos, além de outros males.

Tivemos notícia de certo cidadão que teimara em matar uma ovelha para comer no Sábado de Aleluia e que, ao degolá-la, teve a faca arrebentada da mão e jogada, de ponta, sobre o pé, cravando-o no solo!

Outra história com que a preta velha, cozinheira, nos enchia a cabeça, era a da sinhá dona que matara uma galinha na sexta-feira santa e que, como castigo divino, enquanto a galinha estrebuchava, desmaiara. Ao voltar a si, estava paralítica do braço esquerdo, justamente o braço com que torcera o pescoço à galinha.

b) Tirar leite também era vedado. O leite ao sair do úbere da vaca, ou da cabra, virava sangue. Ou então, em vez de leite, jorrava sangue ou ainda, ficava o animal inutilizado porque nunca mais se podia ordenhá-la: em vez de leite, dava… sangue, leite com sangue!

Contavam várias transformações dessas como a cousa mais natural do mundo. Certa feita mostraram-nos uma vaca da qual se não podia tirar leite pois sempre saía sangue de seu úbere. Fora estragada, diziam, pela teimosia do ordenhador em querer ordenhá-la em Sexta-Feira Santa.

Contou-nos um "crente" que seu pai tivera uma vaca de primeira qualidade, grande leiteira. Entretanto, ordenhada numa Sexta-Feira Santa, ficara inutilizada, pois o úbere ficara coberto de feridas que nunca foi possível curar. Outro nos contou que, pelo mesmo motivo, o úbere secara… e a vaca ficara estéril!

Por tais cousas, no dia da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo ninguém tomava leite. Entretanto, soltavam os terneiros para ficarem com suas mães, mamando à vontade. E nada acontecia!

c) Vender carne que não fosse de peixe, nesse dia, acarretava a cólera divina. Por isso, já na quinta-feira à tarde não se procedia à matança alguma, pois ninguém quereria a carne com medo das conseqüências. Mesmo porque comércio algum abria suas portas e… não havia ainda refrigeração.

A matança do gado, portanto, só se iniciava pela madrugada, - três ou quatro horas, - de sábado, e somente depois das dez da manhã – Sábado de Aleluia, - é que se reiniciavam as atividades em geral, abrindo o comércio e, também, os açougues, com carne fresquinha, às vezes ainda quente. De modo geral as atividades comerciais e industriais eram suspensas ao pôr-do-sol de quinta-feira. Só os botequins e armazéns ou mercearias é que ficavam abertos (alguns!) até mais tarde: vinte e duas, vinte e três horas.

d) Toda e qualquer atividade campeira era proibida. Nenhum estancieiro ou criador atrevia-se a percorrer seus campos em Sexta-Feira Santa com medo dos males que lhe poderiam acontecer e… das almas do outro mundo.

Soubemos de certo criador que tendo sido informado que uma de suas vacas de raça estava dando cria na manhã de sexta-feira santa, correu para ver o animal, isto é, para ver se estava bem. Aconteceu-lhe assustar-se o cavalo que montava justamente ao aproximar-se da vaca e, metendo a pata dianteira num cupim, rodou jogando o cavaleiro à distância e, - cousa incrível! – sobre a vaca, matando-a e ao terneiro, por isso!

Agricultura
Nada se podia plantar ou colher na roça, horta ou pomar ou jardim em Sexta-Feira Santa, a não ser certas ervas medicinais que somente deviam ser colhidas em tal dia para produzirem o devido efeito. Tal o caso da macela (Achyrocline saturioides), por exemplo. Para essas colheitas que começavam (e ainda hoje são praticadas…) à meia-noite de quinta-feira e se prolongavam pela madrugada, cometiam verdadeiros desatinos em conseqüência da muita cachaça e, também, outros, em autênticas saturnais por vales e morros onde existisse macela!

Há certas plantas, principalmente flores, que se devem submeter a certos tratamentos especiais na Sexta-Feira Santa, para darem bem. O rainúnculo (ranúnculo, da família das ranunculáceas, Ranunculus asiaticus, L., próprio para jardins), por exemplo, para dar bem, é preciso que a batatinha seja conservada em água na Sexta-Feira Santa e enterrada no Sábado de Aleluia ou domingo da Páscoa, no lugar apropriado, pois não pode ser mudada como, no geral, as plantas de batata.

Perseguir formigas ou pássaros ou animais que costumam estragar plantações, em Sexta-Feira Santa, era o mesmo que aumentar-lhes o número e o poder destruidor. Podiam estar vendo os estragos, mas não se moviam.

Comércio
Em Sexta-Feira Santa não ficava aberta casa comercial de espécie alguma. Nem mesmo os botequins. Apenas as farmácias podiam fornecer medicamentos e isto em caso de muita urgência. Mas, mesmo estas, não podiam ficar com as portas abertas. No geral o medicamento adquirido em Sexta-Feira Santa não era cobrado, pois nada se devia vender nesse dia. E ninguém vendia o que quer que fosse. Dava de presente quando alguém, por extrema necessidade, pedisse algo.

A Sexta-Feira Santa era dia completamente morto.

Sociedade

Só por necessidade muito grande alguém saía à rua na Sexta-Feira Santa. O silêncio era absoluto. Não se via um só cavaleiro, carro ou carroça (automóveis não existiam então, naquela zona ao menos). Essa superstição, aliás, teve outrora, em certas localidades, cunho de lei. A Câmara Municipal de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, em sua sessão de 18 de outubro de 1870, aprovando suas novas Posturas Municipais, aprovava, ipso facto, o artigo 4º que rezava: - "É proibido andar a cavalo ou de carro no dia de sexta-feira santa. – O contraventor pagará 30$000 de multa". – Era uma das multas mais elevadas consignadas nessas Posturas. (Veja-se o original na Diretoria do Arquivo e Biblioteca da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, e uma nota, a respeito, no Boletim Municipal da mesma cidade, nº 13, de janeiro a abril de 1943, p. 77)

O povoado em que nascemos, nesses dias, parecia verdadeiro cemitério, pois nem mesmo as casas de família abriam as portas ou janelas. Tudo hermeticamente fechado. Só pelos fundos se notava algum movimento.

Casas havia, - e muitas, - que nem sequer o fogão acendiam. Limitavam-se a almoçar e jantar frio o que haviam preparado especialmente para a sexta-feira santa, na véspera.

As crianças não faziam barulho algum. Chorar assustava. Rir e especialmente rir alto causava terror aos pais e demais pessoas, pois podia acarretar algum mal, pelo desrespeito à data. Aliás, as crianças, todas, viviam cheias de pavores pela Sexta-Feira Santa porque já semanas antes vinham os pais ou as empregadas domésticas matracando no que se podia e não podia fazer naquele dia. E lá vinham, de cambulhada, os castigos e desgostos que a desobediência àqueles preceitos trazia.

Havia castigos de arrepiar! Os aleijões formavam na vanguarda.

Contava-se que certo moço metido a descrente fora, na madrugada de uma Sexta-Feira Santa, pescar no Arroio dos Ratos, modesto arroio que às vezes se eriçava alagando grandes trechos, mas muito aprazível pela mata-galeria que o marginava, e distante algumas dezenas de quilômetros do povoado propriamente dito. Depois de algumas horas de infrutífera faina, eis que morde o anzol enorme peixe. Nunca vira o moço, pescador habitual naquelas e outras águas, tão grande pintado ("surubim", da família dos silurudeos) em toda sua vida de pescador!

Radiante, - apesar de assombrado, - examinava e reexaminava o peixe que, pelos seus cálculos deveria pesar mais ou menos dois quilos. Mas, enquanto admirava e apalpava o animal, forte cheiro de enxofre queimado se fez sentir. E o cheiro aumentava cada vez mais. Desconfiado, olhou em torno. Silêncio absoluto. Só ele de vivente, ali, com o peixe na mão. Entretanto, o cheiro se tornava cada vez mais forte, sufocando-o quasi. Assustado, largou o peixe no chão com intuito ou de examinar o local ou… fugir, quem sabe. Mas o peixe, com o contato da terra explodiu levantando nuvens de fumaça que, gargalhando infernalmente, desapareceram por entre as árvores.

O infeliz pescador voltou à casa meio transtornado, dizem, e nunca mais ficou bom da cabeça. Morreu completamente abobado…
***

Contavam também, que em certa Sexta-Feira Santa, chuvosa, com relâmpagos e trovões (outros dizem apenas – chuvosa), uma senhora, aí pela meia tarde, fora buscar água na fonte que ficava próximo à sua casa e que, ao retirar o balde cheio, um raio a fulminara, reduzindo-a a um punhado de carvão.

Conhecemos essa fonte, abandonada por completo, quando já por perto passava a estrada que levava ao poço novo do Arroio dos Ratos, numa pequena baixada.

Em torno desse acontecimento formou-se a lenda: todas as sextas-feiras, à meia-noite, aparecia na fonte a alma daquela mulher tirando água. Havia quem jurasse tê-la visto mais de uma vez…

Disseram-nos que em 1917 essa fonte secara por completo, desaparecendo, por isso, a alma penada da pobre senhora que não pudera passar um dia sem água…
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A par das almas penadas e assombrações das sextas-feiras, outras crendices surgiram como a do lobisomem. O lobisomem, lobisome ou lombisome é a transformação do homem em cachorro, transformação essa que se realiza na noite de quinta para sexta-feira, em consequência de pragas rogadas ou de malefícios feitos pela vítima. Há várias causas dessa transformação. Quasi que em cada estado do Brasil há razão especial. No Rio Grande do Sul, segundo conseguimos apurar, o lobisomem é conseqüência de pragas rogadas ou produto das maldades de homem ou mulher que nunca procurou fazer bem a quem quer que fosse.

Havia gente, - recordamo-nos de algumas pessoas nessas condições, - de quem jamais ousavam aproximar-se receando seus malefícios. Homens e mulheres, miseráveis, sujos, imundos, que viviam não se sabia onde nem como. Perambulavam pelas ruas pedindo esmolas. Ninguém lhes negava um níquel ou um prato de comida com medo de que esses infelizes pudessem fazer na sua triste sina de virar bicho, - enormes cachorros pretos, - nas sextas-feiras, especialmente na primeira de cada mês.

Havia um arroio, afluente do dos Ratos, que passava pelos fundos da nossa casa, nascido de uma lagoa pouco acima do Poço Fé, que diziam ser habitado, em certo trecho, pelos lobisomens. Esse humilde e anônimo riacho, cerca de um quilômetro além do povoado, formara uma ilha que teria, talvez, seus cinco metros quadrados, ao que constava. Nessa ilha, afirmavam, é que viviam os infelizes que viravam bicho. Apesar de não termos conhecido muito esse riacho sem nome, não nos recordamos de tal ilha e muito desconfiamos que tanto ela, como os lobisomens, eram produto da fantasia fecunda de tais contadores de estórias… Mas é inegável que todos, ou quase todos os moradores da zona, criam piamente nesses homens-bichos e não faltava vivente que afirmasse ter-se visto atrapalhado algum deles depois da hora da transformação: meia-noite de quinta para sexta-feira…
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Para encerrar este capítulo, um fato deveras estranho que assistimos lá por 1910 ou 1911, e conservados em suas linhas gerais, gravado na memória.

Um dia, não faz muitos anos, recordando esse acontecimento, perguntamos a papai (falecido em dezembro de 1945) o que havia de verdade em tudo aquilo.

Papai, que viveu oitenta anos trabalhosos, nunca deu crédito a tais cousas, e nem mesmo a esse que vamos narrar e que ele assistiu, declarando-nos que tudo fora obra de dois indivíduos que haviam sido despedidos das minas por vagabundos e ladrões. Seja como for, aquilo causou terror e passou a fazer parte do rico populário da zona, em matéria de superstições relacionadas com a Sexta-Feira Santa.

Domingos, feriados e dias santos costumavam reunir-se ora em casa de um, ora em casa de outro, diversas pessoas das minas de carvão do Arroio dos Ratos, para jogarem o solo até meia-noite, no geral. Faziam parte da roda papai e um sobrinho dele, engenheiro de minas.

Na Sexta-Feira Santa de um dos anos acima referidos, a reunião dos parceiros se realizou em nossa casa que ficava, do Poço Fé, então em pleno funcionamento, cousa de trezentos metros. Naquela sexta-feira santa, como nas anteriores semelhantes, atendendo ao velho costume, o trabalho estava completamente paralisado desde às dezoito ou dezenove horas da véspera. E as ruas desertíssimas. Vivalma se via. Somente dois guardas perambulavam, talvez cheios de terror supersticioso, por aqueles enormes galpões e casas de máquinas.

A reunião para o jogo, em vez de começar à noite como era hábito, começou à meia tarde, pelas dezesseis horas, por ser sexta-feira santa e alguns morarem meio longe. Terminaria, assim, pelas vinte horas, não por medo, deveriam pensar alguns deles, mas por precaução…

Realmente, pelas vinte horas terminavam a partida de solo que era o jogo da moda e choque da localidade.

Dois dos parceiros, um deles engenheiro de minas, sobrinho de papai, saíram por último pois residiam mais perto. O caminho da casa de ambos obrigava-os a atravessar as linhas férreas do trenzinho que levava o carvão para o porto de Charqueadas, no rio Jacuí. Essas linhas e respectivos desvios para manobras eram as que separavam nossa moradia do Poço Fé. Ao porem, os dois, os pés no leito da via férrea, eis que tudo, nos galpões e casas das máquinas se põe em movimento. As fornalhas estavam completamente apagadas. Os dois guardas apareceram em seguida, espavoridos, dizendo que tudo estava em movimento sem que houvesse viva alma lá por dentro.

Realmente, o barulho, naquele silêncio profundo, era enorme. Todos nós aparecemos às janelas de nosso sobrado. Papai desceu e foi fazer companhia aos engenheiros que, entretanto, não se atreviam a entrar nos galpões, e casas de máquinas. A "gaiola" (elevador) descia ao poço e subia continuamente; ouvia-se o ruído característico da quebra dos blocos de carvão; o barulho das pás atirando o cascalho de um para outro lado; as "peneiras" trabalhando no despejo do carvão nos vagões; tudo, enfim, inclusive a pequena serraria para aparelhamento dos madeiramentos de escora no fundo do poço, estava em movimento. Entretanto, nenhuma luz, nem um filete de fumo sequer saía pelas diversas chaminés.

Durou este movimento cerca de meia hora. Talvez nem tanto, pos a impressão pode ter "ampliado" o tempo. Paralisado o misterioso "trabalho" quis nosso primo visitar os galpões. Mas… quem se atreveria a acompanhá-lo? Quem se meteria lá por dentro naquele lusco-fusco assombrado pelo silêncio morto que logo se fez?

Resolveram, então, os engenheiros, deixar a inspeção para o dia seguinte, Sábado de Aleluia. E seguiram para casa. Mas a cousa não havia cessado de um todo, pois ao passarem pelos montes de cascalho, resíduos de carvão queimado nas fornalhas e outros detritos da mina, receberam os dois, lá do alto, algumas pazadas desse material que, se não os feriu, deixou-os em miserável estado de sujeira.

No dia seguinte revisaram a maquinaria, o material do elevador, e reviraram todos os recantos dos galpões, oficinas e casas das máquinas. Nada de anormal observaram. Estava tudo na mais perfeita ordem. Notava-se, apenas, algum carvão removido e alguns vagões semi-carregados. Mas ninguém quis descer ao poço. Foi preciso que os engenheiros examinassem todas as galerias noventa e nove metros abaixo do nível do solo. Como não houvesse anormalidade alguma, resolveram os mineiros "pegar no trabalho".

E tudo continuou serenamente, como dantes… Mas a lenda se fez e ficou por longos anos entre os velhos mineiros, desaparecendo, por fim, de todo, ou quasi de todo quando novos elementos, vindos de Espanha, ali se instalaram como imigrantes trabalhadores de minas.

Embora explicassem o estranho fenômeno como obra de dois indivíduos que haviam sido despedidos por meio de combinação de polias e correias e manivelas e recalques manuais que ali existiam, ninguém acreditava. Na realidade, nunca se pode explicar satisfatoriamente, para o povo, esse caso. Para eles, tudo foi conseqüência da intervenção diabólica, ou advertência divina aos que, desrespeitando a Sexta-Feira Santa, se haviam entregue ao jogo… embora por simples passatempo.

Vox populi

(SPALDING, Walter. Tradições e superstições do Brasil sul)