segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

TRIGONOMETRIA AMOROSA

Um Quociente apaixonou-se um dia doidamente por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável, e viu-a, do Ápice à Base....
Uma Figura Ímpar, olhos rombóides, boca trapezóide, corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua uma vida paralela à dela.
Até que se encontraram no Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele, com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos. Mas pode chamar-me Hipotenusa.". 
E falando descobriram que eram o que, em aritmética, corresponde a alma irmãs, primos-entre-si. E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz, numa sexta potenciação
traçando ao sabor do momento e da paixão, retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar, mais que um lar, uma perpendicular.
Convidaram para padrinhos o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade integral e diferencial.
E casaram-se e tiveram uma secante e três cones, muito engraçadinhos. E foram felizes, até aquele dia, em que tudo, afinal,
se torna monotonia.
Foi então que surgiu o Máximo Divisor Comum. Frequentador de círculos concêntricos, viciosos.
Ofereceu, a ela, uma Grandeza Absoluta, e reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade. Era o Triângulo, chamado amoroso.
E desse problema, ela era a Fração Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser Moralidade.
Como aliás, em qualquer Sociedade.

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