sábado, 28 de dezembro de 2013

Como pedir pizza em 2030


Telefonista: Pizza Hot, boa noite!
      
Cliente: Boa noite! Quero encomendar pizzas...

Telefonista: Pode me dar o seu NIDN?

Cliente: Sim, o meu número de identificação nacional é 6102-1993-8456-54632107.
 
Telefonista: Obrigada, Sr.Lacerda. Seu endereço é Avenida Paes de Barros, 1988 ap. 5 B, e o número de seu  telefone é 5494-2366, certo?   O telefone do seu escritório da  Lincoln Seguros é o 5745-2302 e o seu celular é 9266-2566
 
Cliente: Como você conseguiu essas informações todas?

Telefonista: Nós estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.

Cliente:  Ah, sim, é verdade! Eu queria encomendar duas pizzas, uma de quatro queijos e outra de calabresa. 

Telefonista: Talvez não seja uma boa idéia... 

Cliente:
 O quê?

Telefonista: Consta na  sua ficha médica que o Senhor sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta.     Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a sua saúde.

Cliente: É  você tem razão! O que você sugere?


Telefonista: Por que o Senhor não experimenta a nossa pizza Superlight, com tofu e rabanetes? O Senhor vai adorar! 

Cliente: Como é que você sabe que vou adorar?

Telefonista: O Senhor consultou o site 'Recettes Gourmandes au Soja' da Biblioteca Municipal,dia 15 de janeiro, às 4h27minh, onde permaneceu conectado à rede durante 39 minutos.
Daí a  minha sugestão... 


Cliente: OK está bem! Mande-me duas pizzas  tamanho família!

Telefonista: É a escolha certa para o Senhor, sua esposa e seus 4 filhos, pode ter certeza.
 

Cliente
: Quanto é? 
 
Telefonista: São R$ 79,99.

Cliente: Você quer o número do meu cartão de crédito?

Telefonista: Lamento, mas o Senhor vai ter que pagar em dinheiro.. O limite do seu cartão de crédito já foi ultrapassado.

Cliente: Tudo bem, eu posso ir ao Multibanco sacar dinheiro antes que chegue a pizza. 

Telefonista: Duvido que consiga! O Senhor está com o saldo negativo no  banco.

Cliente: Mas o que é isso ?!!!! Mande-me as pizzas que eu arranjo o dinheiro. Quando é que entregam? 

Telefonista: Estamos um pouco atrasados, serão entregues em 45 minutos.  Se o Senhor estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas pizzas na moto não é aconselhável, além de ser perigoso... 

Cliente: Mas que história é essa, quem foi que disse que eu vou de moto? 


Telefonista: Peço desculpas, mas reparei aqui que o Sr. não pagou as últimas prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga, e então pensei que fosse utilizá-la... 

Cliente: @#%/§@&?#>§/%#!!!!!!!!!!!!! 

Telefonista: Gostaria de pedir ao Senhor para não me insultar...  Não se esqueça de que o Senhor já foi condenado em julho de 2006 por desacato em público a um Agente Regional. O senhor não é mais réu primário...

Cliente: (Silêncio)

Telefonista: Mais alguma coisa? 

Cliente: Não, é só isso... Não, espere... Não se esqueça dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promoção.
      
Telefonista: Senhor, o regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 3095423/12, nos proíbe de vender bebidas com açúcar a pessoas diabéticas... 

 
Cliente: Aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!! Vou me atirar pela janela!!!!!

Telefonista: Grande coisa! Aqui diz que o senhor mora num apartamento térreo!

(Luiz Fernando 
Veríssimo)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

TRIGONOMETRIA AMOROSA

Um Quociente apaixonou-se um dia doidamente por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável, e viu-a, do Ápice à Base....
Uma Figura Ímpar, olhos rombóides, boca trapezóide, corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua uma vida paralela à dela.
Até que se encontraram no Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele, com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos. Mas pode chamar-me Hipotenusa.". 
E falando descobriram que eram o que, em aritmética, corresponde a alma irmãs, primos-entre-si. E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz, numa sexta potenciação
traçando ao sabor do momento e da paixão, retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.
Constituir um lar, mais que um lar, uma perpendicular.
Convidaram para padrinhos o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade integral e diferencial.
E casaram-se e tiveram uma secante e três cones, muito engraçadinhos. E foram felizes, até aquele dia, em que tudo, afinal,
se torna monotonia.
Foi então que surgiu o Máximo Divisor Comum. Frequentador de círculos concêntricos, viciosos.
Ofereceu, a ela, uma Grandeza Absoluta, e reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu que com ela não formava mais Um Todo,
Uma Unidade. Era o Triângulo, chamado amoroso.
E desse problema, ela era a Fração Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser Moralidade.
Como aliás, em qualquer Sociedade.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Pérolas do Tribunal

Estas são piadas retiradas do livro "Desordem no tribunal". São coisas que as pessoas disseram, e que foram transcritas textualmente pelos taquígrafos que tiveram que permanecer calmos enquanto estes diálogos realmente aconteciam à sua frente. 

Advogado : Qual é a data do seu aniversário?
Testemunha: 15 de julho.
Advogado : Que ano?
Testemunha: Todo ano.
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Advogado : Essa doença, a miastenia gravis, afeta sua memória?
Testemunha: Sim.
Advogado : E de que modo ela afeta sua memória?
Testemunha: Eu esqueço das coisas.
Advogado : Você esquece... Pode nos dar um exemplo de algo que você tenha esquecido?
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Advogado : Que idade tem seu filho?
Testemunha: 38 ou 35, não me lembro.
Advogado : Há quanto tempo ele mora com você?
Testemunha: Há 45 anos.
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Advogado : Qual foi a primeira coisa que seu marido disse quando acordou aquela manhã?
Testemunha: Ele disse, "Onde estou, Bete?"
Advogado : E por que você se aborreceu?
Testemunha: Meu nome é Célia.
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Advogado : Seu filho mais novo, o de 20 anos....
Testemunha: Sim.
Advogado : Que idade ele tem?
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Advogado : Sobre esta foto sua... o senhor estava presente quando ela foi tirada?
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Advogado : Então, a data de concepção do seu bebê foi 08 de agosto?
Testemunha: Sim, foi.
Advogado : E o que você estava fazendo nesse dia?
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Advogado : Ela tinha 3 filhos, certo?
Testemunha: Certo.
Advogado : Quantos meninos?
Testemunha: Nenhum
Advogado : E quantas eram meninas?
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Advogado : Sr. Marcos, por que acabou seu primeiro casamento?
Testemunha: Por morte do cônjuge.
Advogado : E por morte de que cônjuge ele acabou?
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Advogado : Poderia descrever o suspeito?
Testemunha: Ele tinha estatura mediana e usava barba.
Advogado : E era um homem ou uma mulher?
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Advogado : Doutor, quantas autópsias o senhor já realizou em pessoas mortas?
Testemunha: Todas as autópsias que fiz foram em pessoas mortas...
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Advogado : Aqui na corte, para cada pergunta que eu lhe fizer, sua resposta deve ser oral, Ok? Que escola você freqüenta?
Testemunha: Oral.
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Advogado : Doutor, o senhor se lembra da hora em que começou a examinar o corpo da vitima?
Testemunha: Sim, a autópsia começou às 20:30h.
Advogado : E o sr. Décio já estava morto a essa hora?
Testemunha: Não... Ele estava sentado na maca, se perguntando porque eu estava fazendo aquela autópsia nele.
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Advogado : O senhor está qualificado para nos fornecer uma amostra de urina?
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Essa é a melhor

Advogado : Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor checou o pulso da vítima?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor checou a pressão arterial?
Testemunha: Não.
Advogado : O senhor checou a respiração?
Testemunha: Não.
Advogado : Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsia começou?
Testemunha: Não.
Advogado : Como o senhor pode ter essa certeza?
Testemunha: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa.
Advogado : Mas ele poderia estar vivo mesmo assim?
Testemunha: Sim, é possível que ele estivesse vivo e cursando Direito em algum lugar!!!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Contos de Verão II

1. CÓDIGOS
Dona Paulina ensinou à sua filha Rosário que cada ponto do rosto onde se colocasse uma pinta tinha seu significado. Na face, sobre o lábio, num canto da boca, no queixo, na testa... A pinta, bem interpretada, mostrava quem era a moça, e o que ela queria, e o que esperava de um pretendente. O homem que se aproximasse de uma moça com uma pinta ― numa recepção na corte ou numa casa de chá ― já sabia muito sobre ela, antes mesmo de abordá-la, só pela localização da pinta. A três metros de distância, o homem já sabia o que o esperava. A pinta era um código, um aviso ― ou um desafio.
Anos depois dona Rosário ensinou à sua neta Margarida que a maneira de usar um leque dizia tudo sobre uma mulher. Como segurá-lo, como abri-lo, sua posição em relação ao rosto ou ao colo, como abaná-lo, com que velocidade, com que olhar... Só pelos movimentos do leque uma mulher desfraldava sua biografia, sua personalidade e até seus segredos num salão, e quem a tirasse para dançar já sabia quais eram as suas perspectivas, e
os seus riscos, e o seu futuro.
Muitos anos depois a Bel explicou para a sua bisavó Margarida que a fatia de pizza impressa na sua camiseta com "Me come" escrito em cima não queria dizer nada, mas que algumas das suas amigas usavam a camiseta sem a fatia de pizza.
2. CASA NA PRAIA
― Você bateu quando eu estava com a mão cheia, Osni.
― Tá bom. Bati.
― Você sempre faz isso, Osni.
― Sempre não. Eu...
― Sempre, Osni. Eu não agüento mais, Osni.
― Tá bom, tá bom. É apenas buraco.
― Não é apenas buraco, Osni. É tudo. É a nossa vida. O buraco é só, só...
Como é que se diz?
― Exato. É só um jogo de cartas.
― Não é só um jogo de cartas, Osni!. É um símbolo. Tá entendendo?
― Ai meu saco... Epa!
― Sabe por que eu não te mato agora, Osni?
― Larga a faca.
― Sabe por quê?
― Larga essa faca.
― Porque se você morrer eu vou ter que jogar com a Ceres, que é pior que você. A Ceres não abre jogo. A Ceres fica com os jogos feitos na mão! Ela é mais débil mental que você!
― Ela é sua irmã, e ela está ouvindo.
― É uma débil mental! Você é um débil mental! Eu sou uma débil mental, por ter me casado com você!
― Larga a faca.
― A vida é uma parceria, Osni. Não se bate quando o outro acaba de comprar o morto. Entende? Essa é uma regra da vida. É uma das regras básicas da vida, Osni.
― Pronto, pronto. Me dá a faca. Isso. Pronto.
― Não se bate quando o parceiro está com a mão cheia, Osni!
― Está certo. Prometo não fazer mais. Agora calma.
― Eu estou rodeada de débeis mentais!
― Calma. Vou buscar seu comprimido.
― E essa merda de televisão que não pega nada, também!
3. CHEGADA
O Marcos já tinha telefonado para os pais, na praia, e avisado que não dera.
Não dera de novo. Era a quarta vez que fazia o vestibular, mas ainda não fora desta vez. Pegou uma carona para a praia e na chegada foi vendo as faixas na frente das casas de veraneio. "Alice ― Psicologia", Valeu, "Marcelão! Agronomia", "Bebeto, Engenharia", "Ieda, Oceanografia" ― as famílias recebendo seus heróis do vestibular para um descanso merecido.
Pô, pensou. Todo ano é assim. Pra me massacrá. E então viu que na frente da sua casa também tinham estendido uma faixa. Dizia "Marcos, Simpatia". Desceu do carro emocionado. Aquilo era coisa da velha. Só podia ser coisa da velha.
Correu para dentro da casa, pensando: ainda dá pra pegar umas ondas e, de noite, aquele churra pra comemorar minha chegada!
É preciso explicar que o apelido da mãe dele para o Marcos é "Lindinho".
4. SSSSSSSSSSS
"Sssssssssônia..." Era uma brincadeira deles. Desde a primeira vez em que ouvira o seu nome ele a chamava assim.
"Sssssssssônia..." E ela respondia: "Ssssssssim?" E ele: "Ssssssensacional."
Viam-se pouco. Cruzavam-se no clube, só isso. Uma vez ela tentara se informar a seu respeito e ouvira que era um solteirão, com talvez o dobro da sua idade. Diziam que era impotente, um acidente na mocidade, ninguém sabia muito bem. Tinha dinheiro, não fazia nada. Vivia no clube, fumando seu cachimbo. Usava uma echarpe de seda no pescoço, para dentro da camisa, inverno ou verão. Não parecia dar muita atenção a ninguém, mas, por
alguma razão, a distinguira com aquela brincadeira. Quando a via sempre dizia "Ssssssssônia." E ela: "Ssssssssim?" E ele: "Ssssssensacional." Na única vez em que tiveram uma conversa mais demorada, ele contou que uma cigana lera sua mão e dissera que ele morreria com 72 anos. Depois olhou o relógio, suspirou e disse.
― Ainda falta tanto tempo...
Depois sorriu para ela e disse:
― Ssssssssônia...
― Ssssssssim?
― Sssssssssensacional.
5. O CÚMULO
Dalton chegou ao cúmulo. Levou o celular para dentro d'água, quando entrou no mar. A mulher atrás, gritando: "Desliga, Dalton!" e o Dalton com a mão no alto, para o celular não molhar.
6. AMADURECIMENTO
Rosildo e Múcio cresceram juntos, se formaram juntos, casaram no mesmo dia com irmãs e foram morar juntos. Claro, deu confusão. Depois da briga entre os casais, Rosildo e Múcio ficaram uns dez anos sem se falar.
Reencontraram-se, reconciliaram-se e abriram uma firma juntos. Nova briga, desta vez por causa de dinheiro, mais cinco anos de separação. Um dia, por acaso, se cruzaram em Veneza, os dois já divorciados, e quando viram estavam tendo um romance homossexual, mãos dadas na gôndola e tudo. Na volta ao Brasil brigaram feio, ciúmes, mais 20 anos sem se ver. Há alguns anos se encontraram na praia, os dois aposentados, com mulheres e netos.
Acabaram formando uma dupla de vôlei. Já são tri-campeões da categoria sêniors.
Nunca brigam, jogam com um entendimento perfeito, descobriram sua vocação.
Mas os dois dizem que uma dupla de vôlei perfeita não se forma, assim, da noite para o dia. Muita coisa tem que acontecer antes para uma dupla de vôlei atingir a perfeição.
É um longo processo de amadurecimento, diz o Rosildo, e o Múcio concorda.


Luis Fernando Verissimo

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Namore um barrigudinho



POR: CARLA MOURA
PSICÓLOGA, ESPECIALISTA EM SEXOLOGIA (palavras de uma psicóloga experiente)
Tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente disfarçadamente descobrir como é sua barriga.

Se for musculosa, torneada, estilo `tanquinho´, fuja! Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim.

Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Se não, não presta. Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo (como fazem os malditos metrossexuais), acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto. E eu digo por quê..

Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma e provavelmente será engraçado, mesmo. Já os `tanquinhos´ farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem. Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com `clight´ que trouxe de casa.

E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação. E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar.

Você nunca irá ouvir um ah, amor, `Quarteirão´ é gostoso, mas você podia provar uma `McSalad´ com água de coco. Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não
matará um relacionamento. Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz.

Outra coisa fundamental:
Homens barrigudinhos são confortáveis!

Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível!

Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional.

Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo.

Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. E eles aprenderam a conversar, a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar. É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz.

Dia Internacional da BARRIGA - Está chegando
Você, homem, quem está cansado de lutar contra balança, que se olha no "espelho" e vê aquela barriguinha e inveja o vizinho que gosta de andar "peladão" mostrando o abdômen bem definido etc.... não fique triste.
Lembre-se que o "palhaço malhador" ficou na academia por horas, lembre-se de quantas cervas ele evitou, guloseimas nem pensar, e tudo isto prá que?
Prá ficar na frente do espelho se achando bonitão?

CHEGA DE VIADAGEM!
O mundo inteiro sabe que quem gosta de homem bonito são os viados. Mulher quer homem inteligente, carinhoso e fofinho. Por isto está sendo lançado o dia 05 de Dezembro como o DIA INTERNACIONAL DOS BARRIGUDOS.

Chega de ter a consciência pesada após beber aquela cervejinha, ou aquele vinho, e comer aqueles petiscos. Vamos lotar os bares e restaurantes, vamos derrubar todas as cervas, vinhos, coca-cola e caipirinhas, comer aquela feijoada, macaxeira com charque, coxinhas e torresminhos. Vamos detonar aquela picanha gorda e o chantili com morangos.

Chegou a sua vez!! Salada, é o caralho!!

Nosso Lema: "Mais vale um barrigudinho bom de cama, do que um gostosão fracassado".
Nosso ìdolo: "Homer Simpson".
Nosso Dia: 5 de Dezembro, o dia Internacional dos Barrigudos.

Passe a diante para todos os barrigudos e simpatizantes!!

P.S.: E mandamos um recado para você "sarado gostosão": Enquanto você malha, sua namorada está tomando cerveja num motel, com um barrigudo!

domingo, 8 de dezembro de 2013

Ah o verão

Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.

Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.

Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no tênis.

Mas o principal ponto do verão é.... A praia!

Ah, como é bela a praia.

Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção.

Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias.

Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.

O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo, antes do sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão chegando.

Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa, toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de férias.

Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados e prontos pra enterrar a avó na areia.

E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação, as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.

As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do chinelo.

Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como furar a areia pra fincar o cabo do guarda-sol.

É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar em pé.

Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da maravilha que é entrar no mar!

Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de cerveja no fundo.

Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.

Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita cheia de areia, vem àquela vontade de fritar na chapa.

A gente abre a esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o chapéu, os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha.

Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor!!!!!

Mas, claro, tudo tem seu lado bom.

E à noite o sol vai embora.

Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo.

O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa, desde creme de barbear até desinfetante de privada.

As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da praia oferece.

Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas.

O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família.

Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo possa se encontrar no mesmo inferno tropical...


Luís Fernando Veríssimo

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

CONFISSÃO DE UM ESTAGIÁRIO...

Fui demitido. Justa causa.

Como estagiário, aprendi milhões de coisas e fui muito bem sucedido nas minhas funções. Juro que não entendo o porquê de me demitirem...
Eu tinha várias funções que fazia com excelência, entre elas:

1. Tirar xerox. 3.1 segundos por página.

2. Passar café.

3. Comprar cigarro e pão. 1 minuto e 27 segundos. Ida e volta.

4. Fazer jogos na Mega-Sena, Dupla-Sena, Lotofácil, Loteria Esportiva...

Eu era muito bom. Mesmo. Fazia tudo certinho, até que peguei uma certa confiança com o pessoal e resolvi fazer uma brincadeirinha inocente.

É impressionante o nível de stress em um ambiente de trabalho.
Quis dar uma amenizada na galera, deixar o povo feliz e fui recompensado com uma bela de uma demissão por justa causa. Puta sacanagem!

Vou contar toda minha rotina desse dia catastrófico.

Era quinta-feira, 26 de março, quando cheguei ao trabalho.

Nesse dia, passei na padaria no meio do caminho. Demonstrando muita proatividade, comprei pão e 3 Marlboro. Já queria ter na mão sem nem mesmo me pedirem. Quando abri a agência (sim, me deixam com a chave porque o pessoal só começa a chegar lá pelas 11h), já vi uma montanha de folhas para eu xerocar na minha mesa. Xeroquei tudo, fiz café e deixei tudo nos trinques (minha mãe que usa essa gíria rs).
Como tinha saído um pouco mais cedo no outro dia, deixaram um recado na minha mesa: "pegar o resultado da mega-sena na lotérica".
Como tinha adiantado tudo, fui buscar o resultado. No meio do caminho, tive a ideia mais genial da minha vida e, consequentemente, a mais estúpida.

Peguei o resultado do jogo: 01/12/14/16/37/45. E o que fiz?
Malandro que sou, peguei uns trocados e fiz uma aposta igual a essa. Joguei nos mesmos números, porque, na minha cabeça claro, minha brilhante ideia renderia boas risadas. Levei os 2 papeizinhos (o resultado do sorteio e minha aposta) para a agência novamente.
Ainda ninguém tinha dado as caras. Como sabia onde o pessoal guardava os papeis das apostas, coloquei o jogo que fiz no meio do bolinho e deixei o papel do resultado à parte.

O pessoal foi chegando e quase ninguém deu bola pros jogos. Da minha mesa, eu ficava observando tudo, até que um cara, o Daniel, começou a conferir.
Como eu realmente queria deixar o cara feliz, coloquei a aposta que fiz naquele dia por último do bolinho, que deveria ter umas 40 apostas.
Coitado, a cada volante que ele passava, eu notava a cara de desolação dele. Foi quando ele chegou ao último papel.
Já quase dormindo em cima do papel,vi ele riscando 1, 2, 3, 4, 5, 6 números. Ele deu um pulo e conferiu de novo.
Esfregou os olhos e conferiu de novo, hahahaha. Tava ridículo, mas eu tava me divertindo.
Deu um toque no cara do lado, o Rogério, pra conferir também.
Ele olhou, conferiu e gritou:
-"PUTA QUE PARRRRRRRRIUUUUUUUUUU, TAMO RICO, PORRA". Subiu na mesa, abaixou as calças e começou a fazer girocóptero com o pau.

Óbvio que isso gerou um burburinho em toda a agência e todo mundo veio ver o que estava acontecendo.
Uns 20 caras faziam esse esquema de apostar conjuntamente. 8 deles, logo que souberam, não hesitaram: correram para o chefe e mandaram ele tomar bem no olho do cu e enfiar todas as planilhas do Excel na buceta da arrombada da mulher dele.
No meu canto, eu ria que nem um filho da puta. Todos parabenizando os ganhadores (leia-se: falsidade reinando, quero um pouco do seu dinheiro), com uns correndo pelados pela agência e outros sendo levados pela ambulância para o hospital devido às fortes dores no coração que sentiram com a notícia.

Como eu não conseguia parar de rir, uma vaquinha veio perguntar do que eu ria tanto. Eu disse:
-"puta merda, esse jogo que ele conferiu eu fiz hoje de manhã.
A vaca me fuzilou com os olhos e gritou que nem uma putalouca:
-"PAREEEEEEEEEEM TUDO, ESSE JOGO FOI UMA MENTIRA.UMA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO DO ESTAGIÁÁÁÁÁÁÁRIO"
Todos realmente pararam olhando pra ela. Alguns com cara de "quê?" e outros com cara de "ela tá brincando".
O cara que tava no bilhete na mão, cujo nome desconheço, olhou o papel e viu que a data do jogo era de 27/03.
O silêncio tava absurdo e só eu continuava rindo. Ele só disse bem baixo:
- É...é de hoje.
Nesse momento, parei de rir, porque as expressões de felicidade mudaram para expressões de 'vou te matar'.
Corri... corri tanto que nem quando eu estive com a maior caganeira do mundo eu consegui chegar tão rápido ao banheiro.
Me tranquei por lá ao som de "estagiário filho da puta", "vou te matar" e "vou comer teu cu aqui mesmo". Essa última foi do peladão !

Eu realmente tinha conseguido o feito de deixar aquelas pessoas com corações vazios, cheios de nada, se sentirem feliz uma vez na vida.
Deveriam me dar uma medalha por eu conseguir aquele feito inédito. Mas não... só tentaram me linchar e colocaram um carimbo gigante na minha carteira de trabalho de demissão por justa causa. Belos companheiros!

Pelo menos levei mais 8 neguinho comigo ! Quem manda serem mal educados com o chefe. Eu não tive culpa alguma na demissão deles.
Pena que agora eles me juraram de morte...agora tô rindo de nervoso.
Falei aqui em casa que fui demitido por corte de verba (consegui justificar dizendo que mandaram mais 8 embora, rs) e que as ligações que tenho recebido são meus amigos da faculdade passando trote.
Eu supero isso vivão e vivendo, tenho certeza.

É, amigos, descobri com isso que não se pode brincar em serviço mesmo..

domingo, 1 de dezembro de 2013

Coisa de Delegado Experiente

Se havia algo que deixava o delegado Carlos Henrique consternado, era choro de mulher. Ainda mais quando ela tinha 30 anos, era bonita e sensual:
- Mas o que foi que aconteceu, meu anjo? Conta pra mim.
Maristela - era esse o nome da vítima - fez beicinho:
- Ele me bateu.
Dr. Carlos Henrique trincou os dentes:
- Ele, quem?
- O Jorjão.
Sentiu o peito arfar:
- E quem é esse Jorjão?
- É…bem, como eu posso dizer? Ah, deixa pra lá, doutor. Acho melhor não registrar nada.
Dr. Carlos Henrique pousou a mão naquele ombro macio, carnudo:
- Posso lhe dizer uma coisa?
Maristela ficou em silêncio. O delegado insistiu:
- Com toda a experiência?
Ela balançou a cabeça, afirmativamente:
- Pode.
- Se você não denunciar esse patife, ele vai te bater de novo.
Abriu o olho roxo:
- O senhor acha ?
- Tenho certeza, meu doce - alisou o hematoma: - Aliás, vou expedir uma guia para o Instituto Médico-Legal fazer o exame de corpo de delito. Está horrível…
Apesar dos pesares, ela sorriu:
- O senhor ainda não viu nada.
- Ele fez pior ainda?
Maristela pôs a mão na coxa:
- Me deu um chute aqui…
- Ficou a marca ?
- Uma mancha enorme.
- Entre aqui no meu gabinete, que eu quero ver.
- Então, feche a porta, doutor.
Dr. Carlos Henrique deu três voltas com a chave e mais quatro com o ferrolho. Tapou o buraco da fechadura com uma fita adesiva:
- Assim está bom?
- Ótimo. Agora, ligue o ar e prepare uma bebida para nós dois.
- Vinho?
Maristela mordeu o lábio ferido e exigiu:
- Se tiver uísque, eu prefiro.
- Tenho sempre um litro guardado para essas emergências, meu anjo. Puro ou com gelo?
- Puro.
O delegado serviu duas doses. Maristela pegou a sua e bebeu tudo em apenas três goles. Estalou os beiços:
- Vou tirar a roupa.
- Mostra tudo, meu doce. Quero ver todos os hematomas.
- Apaga aquela luz ali. Deixa só a do corredor…
Dr. Carlos Henrique estava arrepiado:
- Isto aqui tá parecendo estúdio da Playboy… tira tudo, meu anjo, tira..
- Tô tirando…pronto…
O delegado, nervoso:
- Preciso acender. Quero ver de perto para poder descrever nos autos… Êpaaaa!!!
- O que foi, doutor?
- Você é homem, cara!
- É com isso que o Jorjão não se conforma, Doutor...