terça-feira, 12 de novembro de 2013

A lógica portuguesa

Brasileiro faz piada com português, por não entender que os dois povos  têm lógicas diferentes.
O português é mais literal, cultiva um preciosismo de sintaxe.
Vejam só:

Uma conhecida dirigia por Portugal,  quando viu um carro com a porta de
trás aberta. Solidária, conseguiu  emparelhar e avisou:
- "A porta está aberta!"
A mulher que dirigia conferiu o problema e respondeu irritada:
- "Não, senhora.  Ela está mal fechada!"

Outro brasileiro, conhecido nosso,  estava em Lisboa e numa sexta-feira  perguntou a um comerciante se ele fechava no sábado.
O vendedor disse que não.
No sábado, o brasileiro voltou e deu com a cara na porta.
Na segunda-feira, cobrou irritado do português:
- "O senhor disse que não fechava!"
O homem respondeu:
- "Mas como vamos fechar se não abrimos?"

Trata-se realmente de um povo admirável, que tem mais cuidado com a língua pátria do que com a lógica, daí as piadas.
Um amigo jornalista hospedou-se há um mês num hotel em Ávora.
Na hora de abrir a água da pia se atrapalhou, pois na torneira azul estava escrito "F" e na outra, preta, também "F". Confuso, quis saber da camareira o porquê dos dois "efes".
A moça olhou-o com cara de espanto e respondeu, como quem fala com uma criança:
- "Ora pois, Fria e Fervente."

Acrescento o acontecido com o meu amigo Pompilho.  Em Lisboa, a passeio, resolveu  comprar  uma gravata.  Entrou numa loja do Chiado (bairro de lojas finas) e, além da gravata, comprou ainda um par de meias, duas camisas sociais, uma polo esporte, um par  de luvas e um cinto.
Chorou um descontinho, e pediu para fechar a conta.
Viu então que o vendedor pegou lápis e papel e se pois a fazer contas, multiplicando, somando, tirando  porcentagem de desconto, e aí, intrigado, perguntou:
- "O senhor não tem máquina de calcular?"
"Infelizmente não trabalhamos com eletrônicos, mas o senhor pode encontrar na loja justamente aqui ao lado."

Acho que ainda posso acrescentar  mais uma historinha.
Meu amigo morou por um ano em Estoril e contou-me que lá, num certo dia, meio perdido na cidade perguntou ao português:
- "Será que posso entrar nesta  rua para ir ao aeroporto?"
- "Poder o senhor  pode, mas de  jeito algum vai chegar ao aeroporto."

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