quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Confraternização de fim de ano no trabalho


É chegado o final de mais um ano, e com ele, confraternizações, troca de presentes e afins. As empresas promovem tradicionalmente uma festa de confraternização visando alguns objetivos. Gostaria de acreditar que você não é estúpido, para acreditar que uma empresa, conglomerado etc, vai gastar tempo e dinheiro, visando somente momentos de diversão para os colaboradores. Aliás, acho que o termo “colaborador”, é uma forma de intrujar na sua mente a idéia que você faz parte de algo maior, afinal, ficaria feio chamar-te de “pau mandado” (Pense nisso, independente do cargo que ocupa, você é pau mandado de alguém).

Ao contrário de você, que enxerga a confraternização de final de ano, como uma boca-livre às custas do patrão, as empresas visam diversos objetivos e não precisa procurar muito na rede para notar que existem fórmulas e receitas para uma festa de sucesso.

As empresas, vêem a ocasião como uma forma de investir nos profissionais, que ocasionalmente podem vir a estar desmotivados e passam a não render o suficiente ou seja, o teu patrão acha que enchendo teu rabo de cerveja e carne de segunda, você tende a ser grato pelo rega-bofe, e dessa forma, vai melhorar o desempenho.

Ao contrário do ambiente de trabalho, seja ele qual for, a famigerada festa é a melhor forma de analisar o comportamento de cada colaborador, e quem sabe até rascunhar a lista de demissão para o ano vindouro.

Existe ainda, especialistas que primeiro levantam qual é o público-alvo a ser atingido (no caso, você), depois elaboram um projeto estratégico para dar forma à confraternização, visando sempre o fortalecimento da imagem da empresa. Após essa fase, é efetuada a divulgação por meio de newsletters, e-mail marketing, ou o popular A4 afixado no quadro de avisos, paredes e outros locais estratégicos, com a missão de SEDUZIR o colaborador a participar da confraternização.

Baseado em puro bom senso, vamos listar alguns itens que certamente fará com que você queime o filme durante o rega-bofe.

- Encher o pote, entornar a carroça, travar as bielas, ficar bêbado etc:
Bêbado é chato, e além disso, vão te zoar e você vai ficar muito puto(a) e histérico(a) quando isso acontecer. Sendo assim, não dê trabalho.

- Comer como um refugiado faminto:
Não tem problema algum em repetir o prato, desde que você não aja como um esfomeado que nunca viu comida. E mais, melhor calar a boca e não soltar a pérola “nem almocei hoje, pra caber mais”.

- Dançar de maneira chamativa: 
Ô bicho sem noção, é festa de empresa, você não está no meio dos seus machos para dançar na boquinha da garrafa, funk, ou tentar subir na mesa para fazer um  “streap-tease”. Deixe de ser vadia e comporte-se.

- Usar trajes provocantes ou que não combinam com a ocasião:
Não é porque você está fora da empresa que vai se vestir como a pessoa sem noção que é. Ninguém quer ver sua transparência e nem o tênis verde limão que tu compraste.
- Quanto ao Amigo Oculto:
*Este tópico terá um post específico, devido sua complexidade clique aqui e confira
- Puxar o saco da Chefia:
Em toda evento sempre aparece aquele sujeito bêbado, chato, sem noção que vive a babar os ovos do chefe, da diretoria etc, para no dia seguinte, alardear aos quatro ventos que é "amigo" do chefe. Pode apostar que este tipo de "colaborador" sente-se bem em aparecer como "papagaio de pirata" da chefia, o que faz dele um completo cretino, leva e traz, puxa saco e outros adjetivos depreciativos.

- Levar assuntos de trabalho para a festa:
Pode apostar que você não será bem visto ao fazer uma cagada dessa.

- Carregar a porra do enfeite da mesa:
Coisa típica de pobre, levar o enfeite da mesa, um joguinho de talher e se bobear, toalhas, copos e cinzeiros. 

- Falar mal dos presentes ou do evento:
Fique calado, pode apostar que sua opinião não importa a ninguém, tão pouco você dirá algo relevante sobre o que quer que seja. Lembre-se que “calado és um herói!

- Fotografar momentos constrangedores dos colegas:
Se for pra zoar o infeliz, faz de você um idiota; se for pra tentar descolar algum dinheiro ou favor, faz de você um idiota e burro, uma vez que isso chama-se extorsão e pro seu governo, da cana! 

Esperamos ter ajudado com as considerações acima, e estamos torcendo para que você não queime o filme, de novo...

domingo, 24 de novembro de 2013

Contos de Verão

A mulher voltou para casa mais cedo do que o previsto e encontrou o marido só de cuecas, segurando uma motosserra, enquanto na cozinha uma loira vestida apenas com um dólmã do Exército russo fritava pastéis e no sofá da sala um baixinho de barba ruiva, também nu, brigava por um acordeão com um animal que podia ou não ser um urso de calcinha, sutiã e chapéu de bombeiro na cabeça e no chão, aparentemente morto, estava um homem com toda a indumentária do corpo de bombeiros, menos o chapéu.
― O que é isso?! ― gritou a mulher.
Depois de um instante de choque e silêncio, o homem suspirou, deixou-se cair numa poltrona e disse:
― É uma história comprida...
Pronomes Antes de apresentar o Carlinhos para a turma, Carolina pediu:
― Me faz um favor?
― O quê?
― Você não vai ficar chateado?
― O que é?
― Não fala tão certo.
― Como assim?
― Você fala certo demais. Fica meio esquisito.
― Por quê?
― É que a turma repara. Sei lá, parece...
― Soberba?
― Olha aí, "soberba". Se você falar "soberba" ninguém vai saber o que é. Não fala "soberba". Nem "todavia". Nem "outrossim". E cuidado com os pronomes.
― Os pronomes? Não posso usá-los corretamente?
― Está vendo? Usar eles. Usar eles!
O Carlinhos ficou tão chateado que, junto com a turma, não falou nem certo nem errado. Não falou nada. Até comentaram:
― Ó Carol, teu namorado é mudo?
Ele ia dizer "Não, é que, falando, sentir-me-ia vexado", mas se conteve a tempo.
Depois, quando estavam sozinhos, a Carolina agradeceu, com aquela voz que ele gostava.
― Comigo você pode botar os pronomes onde quiser, Carlinhos.
Aquela voz de cobertura de caramelo.
Esquerda X Direita Meio de brincadeira, decidiram que o futebol na praia seria
entre esquerda e direita. Brota, o mais indiscutivelmente PT do grupo, escolheria um lado, Renê, reacionário assumido, o outro. No terceiro escolhido do René já deu problema. O Martins apontou para o próprio peito e disse:
― Eu?
― Você ― confirmou Renê.
― E desde quando eu jogo no teu time, Renê?
― Vai dizer, agora, que é de esquerda?
― Toda a vida.
― Ó Martins? Eu te conheço do tempo da faculdade.
― Pois então? Se você me conhece sabe qual é a minha posição.
― Sei. Quero você pra jogar na direita.
― No seu time eu não jogo.
Ficou um clima ruim e o Renê decidiu escolher outro.
Apontou para o Melchiades, que também se rebelou.
― Essa não, Renê!
― Que foi?
― Eu de direita?
― E não é? Eu ainda me lembro de você...
Mas o Melchíades estava com as mãos espalmadas na frente do peito, pedindo para ele parar.
― Não me vem com passado, não me vem com passado.
― Você pode jogar na meia-esquerda.
― No time da direita eu não jogo.
René perdeu a paciência.
― Será possível que ninguém é de direita neste país?
― Eu sou ― disse o Alemão, que se chamava Bruno Almiro.
René suspirou. Sabia que o Alemão tinha até retrato do Hitler em casa. Mas o Alemão era muito ruim de bola. O Alemão, apesar de baixinho, só sabia dar pau.
― Desisto ― disse o Renê.
Voltaram para o casados x solteiros, depois que os casados aceitaram que o gordo Paixão fosse para a zaga dos solteiros, já que o que havia entre ele e a Vanusa não podia mais ser chamado de casamento.
Infelizes ― Como vocês me acharam?
― Perguntamos quem era o homem mais infeliz da cidade. Você ganhou.
― E eu pensava que estava disfarçando bem...
― Só quem não votou em você foi um bêbado no boteco. Disse que o mais infeliz era ele. Mas você era o segundo.
― O Argeu. Sei quem é. Conversamos muito.
― Você tem mala?
― Não, não. E, mesmo, pra que mala na prisão?
― Então, vamos?
― Vamos.
― Só me diz uma coisa...
― O quê?
― Que foi que ela lhe fez, pra merecer morrer daquele jeito?
― Infeliz. Me fez infeliz.
E depois:
― Mais infeliz do que com ela, só sem ela.
― Mulheres...
― É o que o Argeu diz sempre


Luis Fernando Verissimo

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

100 coisas pra fazer

Dê uma olhada nessa lista e veja se ja fez algumas dessas coisas ou se sua vida...é deixa pra lá né...
1. Escrever um livro.
2. Fazer boas ações.
3. Reciclar.
4. Participar de uma passeata.
5. Viajar sem destino certo.
6. Dormir até tarde no fim de semana.
7. Largar o trabalho mais cedo e ir para o cinema ou praia.
8. Conhecer um lugar paradisíaco.
9. Acordar bem cedo para ver o sol nascer.
10. Ver o sol se pôr na praia.
11. Montar a cavalo.
12. Dar comida na boca de uma vaca.
13. Fazer um mapa astral ou ler a sorte no tarô mesmo sem acreditar.
14. Ir a um show de seu ídolo, mesmo que o ingresso seja um absurdo.
15. Virar a noite numa festa legal com amigos que você gosta, mesmo que o dia seguinte seja de trabalho.
16. Dançar dança de salão, mesmo não tendo ritmo.
17. Tomar banho de chuva.
18. Jogar o celular pela janela quando ele estiver te estressando.
19. Gritar bem alto de alegria ou de raiva.
20. Deitar no gramado e admirar as estrelas.
21. Explorar a internet por horas, sem objetivo definido.
22. Parar um pouco e pensar na vida e formas de melhorá-la.
23. Plantar árvores.
24. Ouvir os lamentos de uma pessoa que precise de um ombro amigo.
25. Tomar banho quente e demorado num dia frio.
26. Cuidar de animais.
27. Viajar de avião.
28. Dançar como se ninguém estivesse olhando.
29. Falar horas ao telefone com alguém que você não vê há tempos.
30. Chorar de saudades.
31. Ouvir bem alto músicas antigas enquanto faz faxina em casa.
32. Rasgar papéis velhos.
33. Rir à toa até doer a barriga.
34. Perdoar.
35. Rolar na grama.
36. Dar bons conselhos.
37. Dar as roupas velhas para a caridade.
38. Cantar no karaokê para uma platéia de desconhecidos, mesmo desafinando.
39. Dizer “eu te amo” com sinceridade.
40. Pegar um bebê no colo.
41. Socorrer um animal abandonado.
42. Dar de comer a quem tem fome.
43. Andar de montanha-russa.
44. Ver trilogias de filmes no mesmo dia.
45. Ficar um dia inteiro de pijama.
46. Tirar férias e “sumir” do mundo.
47. Meditar.
48. Contar uma pequena mentira para aliviar a dor de alguém.
49. Ir a uma festa à fantasia e se fantasiar de verdade.
50. Participar de uma peça de teatro.
51. Nadar no rio.
52. Dançar juntinho com quem se ama.
53. Comer um doce bem grande que você gosta sem culpa
54. Virar a noite lendo um livro legal, mesmo tendo que trabalhar no dia seguinte.
55. Dizer “bom dia” ao motorista, ao trocador, ao porteiro…
56. Tirar um dia para si.
57. Ajudar uma pessoa idosa a atravessar a rua.
58. Dar e receber conselhos.
59. Fazer uma coletânea de músicas preferidas.
60. Ver filmes antigos na televisão.
61. Criticar o sistema.
62. Beber com os amigos.
63. Fotografar lugares bonitos e pessoas queridas.
64. Admirar o mar.
65. Planejar viagens, mesmo que imaginárias.
66. Ensinar uma pessoa a ler.
67. Enviar cartões de Natal para amigos.
68. Brincar com uma criança.
69. Mandar flores.
70. Fazer uma homenagem a alguém.
71. Ver fotos antigas.
72. Arrumar gavetas e armários.
73. Falar uns desaforos para quem te perturba e humilha.
74. Fugir de casa por um dia.
75. Procurar respostas para perguntas impossíveis, mesmo que não as ache.
76. Rezar.
77. Pintar sua casa.
78. Fazer uma gentileza.
79. Dar de comer (e não dinheiro) a quem pede na rua.
80. Sonhar acordado.
81. Sorrir.
82. Desmontar e remontar um equipamento.
83. Tomar sorvete num dia bem quente de verão.
84. Cantar uma música que você gosta lendo a letra.
85. Participar de uma oficina de animação.
86. Deixar um bilhete carinhoso na bolsa/carteira de quem se ama.
87. Escrever uma carta ou e-mail para um amigo distante.
88. Fazer algum trabalho artesanal, mesmo que não tenha talento.
89. Filosofar sobre a vida.
90. Fazer festa surpresa para amigos queridos.
91. Andar descalço na areia da praia.
92. Pular atrás de um bloco de carnaval.
93. Estudar, um pouco que seja, sobre a História de seu país.
94. Montar um mural de fotos.
95. Observar o vôo dos pássaros.
96. Dar um presente sincero ara alguém que se goste.
97. Descobrir a origem das coisas.
98. Fazer brigadeiro e comer direto na panela.
99. Emocionar-se ao ver um filme, teatro ou ler um livro.
100. Desculpar-se sinceramente.

domingo, 17 de novembro de 2013

Relato sincero de um "pegador"



NÃO ACONSELHO À LEITURA CASO TENHA ESTÔMAGO FRACO!

Sinceramente, não sou do tipo que chama atenção pelo porte físico ou coisa parecida.

Já passei dos quarenta, meus cabelos me abandonaram há uns 7 ou 8 verões e minha protuberante barriga denota o grande sucesso que tive na arte de comer e beber.
Minhas rugas procedem da total falta de credibilidade em protetor solar (esse troço não é coisa de homem sério!) aliada a centenas de noites que fiquei sem dormir na expectativa de não ir para casa sozinho.

Bom. Esse sou eu.

Ainda bem que para caras como eu (porra! Tem um monte desses pôr ai) existem os desmanches. O que é um desmanche?

Sinceramente: Na mesma proporção de caras como eu, existem mulheres com características semelhantes. Se não são carecas, tem cabelos mal cuidados, se a barriga não é tão grande quanto a minha, tem lá aquela coisa instalada ali na frente. Ruga então?! Puta que pariu, melhor não falar disso.

Voltando ao assunto, um desmanche é um local onde se tem música, bebida, um globo vagabundo rodando no teto, banheiro mal cuidado, etc.
O local tem que ser escuro porque, sinceridade: Com muita luz acho que ninguém "pegaria" ninguém. 

A balada que sempre vou (não vou chamar de desmanche as mulheres se ofendem pois a quem diga que estes locais tem estes nomes porque as "princesas" que freqüentam o local desmancham em um toque) fica perto da minha casa, pois não tenho carro e, se arrumo alguma coisa dá para ir a pé até o meu apartamento. 
Coloquei minha roupa de passeio, quinzão no bolso (cinco para entrar e o resto para beber e comer um cachorro quente na hora de ir embora) e fui para a caçada. Dancei forró, pagode, lenta (não sei nem como se chama hoje em dia estas músicas de se dançar juntos eu falo lenta e acabou!) como umas dez mulheres diferentes. Já passava das quatro da madruga, eu já num prego do cacete, achando que ia ter de acabar mais uma noite sozinho, deparei-me com uma gata. Não fui agraciado com beleza mas...papo... bom. Papo eu tenho. 

Aproximei-me. Era um loira com uma calça preta com listas amarelas (estas calças de ir em academia) uma bota que imitava couro de cobra, um salto bem alto, o cano da bota ia até os joelhos o que dificultava um pouco os movimentos da "mocinha".
Sua blusa era toda cheia de umas coisas brilhantes (não sei o nome destes troços) bem vermelha. Não sei se é moda, mas, tudo bem, eu não tava procurando ninguém para ser modelo e sim tirar o meu atraso.
Encostei do lado e comecei a jogar meu charme.

Sinceridade: Nem precisei conversar muito. Cinco minutos de conversa e já aceitou ir até minha casa.

Eu também aceitaria no lugar dela pois, o primeiro ônibus que ia até a direção da sua casa só passaria a partir das sete horas. 

Fomos caminhando até meu apartamento. Quando passávamos por luzes fortes podia ver com mais clareza seu rosto.

Amigos: 
Se você tem menos de dezesseis anos e/ou estômago fraco aconselho interromper a leitura, a partir deste momento a coisa começa a ficar "quente".

Tinha mais rugas que meu saco, já não sabia se era loira ou morena.
Quero dizer era morena pois o cabelo estava do ombro para baixo loiro e para cima moreno. Segundo ela, a próxima grana que ganhar de diarista vai dar um jeito no cabelo.

Sinceridade: A dona era até gostosa mas feia pra caralho mas, porra!
Eu não queria ela para bater foto, além do mais não aguentava mais ficar só na punheta. Precisava comer uma mulher, nem que fosse ela.

Abri a porta do meu apartamento e já fui beijando e socando a mão em tudo quanto é lugar, aí, como toda mulher faz, começou:

- Para com isso! Que é que voce tá pensando!?
- Tudo bem. Todos nós passamos por isso, até as feias tem direito àquelas frescuras do início. Dei mais um beijão e já coloquei a mão no bolso e peguei umas balas.

Compreensível: Quatro horas da manhã, fumando, bebendo, qualquer um fica com bafo na boca.

Como toda mulher que você põe no carro ou leva para seu apartamento (até as feias são assim!!) já começou com aquele papinho:

- Acho que está na hora de ir embora...
- Puta que pariu, a gente tem que passar por isso.
Tudo bem, tô ali de pau duro prontinho e tem que ter esta fase!! Bom fiz minha parte: Conversava um pouco, beijava um pouco, passava a mão, pegava a mão dela e colocava em cima da minha calça, sabe como é, todo
aquele ritual básico. 

Passados longos dez minutos desta interminável lenga-lenga, a Marta (este não é o nome real mas vamos deixar como se fosse), deixou eu tirar sua blusa. Quando tirei a blusa encontrei um enorme obstáculo: estas cintas que apertam o corpo para tampar um pouco a gordura. Tirei aquele troço. Meu Deus!!

Sinceramente: O cheiro que saiu dali de baixo, se minha tara não fosse do tamanho do Pão de Açúcar, eu teria brochado, mas achei até compreensível afinal, ficar a noite toda dançando com aquele negócio quente enrolado no corpo, não podia dar em outra coisa.

Passados uns cinco minutos meu nariz já havia se acostumado com o cheiro. Pra quem já tinha beijado a boca fedendo a cigarro, um "CC" não ia matar. 

Tirei o corpete (foi assim que ela chamou o negócio) e comecei a chupar os peitos. Tava meio salgado, quero dizer, tava bem salgado, mas, vamos lá, era para comer mesmo! Que mal tinha em estar temperado?!?! Fiquei ali chupando aquela coisa flácida por uns cinco minutos até que finalmente a Marta pegou no meu pau. Tinha, finalmente, quebrado a barreira entre o - acho que vou embora e o acho que vou te dar . 

Começamos então a fase final. 

Ela com a mão no meu pau e eu com a mão na sua xoxota (fica bonitinho este nome!!). Não deu dois minutos de dedinho e já veio com aquela outra famosa - Eu quero! Eu quero! - como se não quisesse desde o começo mas, tudo bem, respeito. Se não respeita, fica com fama de insensível e... bom, deixa para lá, vamos ao que interessa. Como todo bom cavalheiro, tirei a mão de lá e coloquei no nariz para "reconhecer o gramado".

Sinceridade: Minha sorte que meu pinto não tem nariz, se tivesse acho que não encararia a parada.

Começamos a nos despir. Fui abaixar sua calça e me deparei com as botas: Preciso comentar do cheiro que saiu de dentro das botas ??? Se tivesse lugar, poderia jurar que ela escondeu um gato morto em cada pé.  Pensei em dar a primeira tomando um banho, talvez melhorasse um pouco as condições. Fomos até o banheiro e, para variar, estava sem água.

Sinceramente: Tava louco para dar uma trepada. Meu pau já tava ardendo, as bolas começando a doer...

Comi ali mesmo dentro do banheiro (Sim. Usei camisinha!!!). Comecei sentado na privada, depois encostei a Marta na parede do banheiro e peguei ela por trás. Pra não gozar muito rápido, fiquei contando quantas bolas de celulite ela tinha na bunda. 

Quando chegou na vinte e cinco, ela pediu para mudar de posição, eu estava tão empolgado com a minha estatística que nem percebi que ela batia a cabeça na parede com força e acho que já tava machucando.

Fomos para o corredor do apartamento (no banheiro não tem espaço para ficar deitado). Dei umas bombadas ali e fomos terminar na cama. Dei aquelas gozadas de arder o canal. A Marta disse que gozou três vezes!!! (mas acho que a Marta está mentindo). 

Depois que gozei, tirei a camisinha, dei aquela conferida para ver se estavam todos ali, amarrei a ponta e joguei no lixo. Entrei então naquela parte conhecida pelos homens como o cúmulo da eternidade (Cúmulo da Eternidade: Os minutos entre depois que você goza e a hora em que você leva a mulher embora).

Sinceridade: Com pinto mole não há a menor possibilidade de encarar a Marta!!!

Já nos preparativos finais para ir embora disse que estava com fome.
Meus quinzão já tinham ido para o espaço (As balas não foram de graça!!). Perguntou se não podia pedir uma pizza ou comer um cachorro quente. Para não ficar feio para minha cara, ofereci-lhe para fazer algo para comermos e ela  "- Nossa que romântico!!!".

Pronto! Só faltava a baranga achar que gostei dela!!! Fucei os armários e achei um Miojo.
Na geladeira tinha uma destas latas de molho pronto de tomate que fazia uma semana que estava lá.

Fiz a gororoba.
Tinha uns dois ou três tomates que só parti em quatro e coloquei junto para tirar aquele ar de anemia do prato. Sentamos e comemos.

Comi pouco, a Marta acho que fazia uma semana que não comia. 

Não deveria ter colocado aquele molho. A Marta comeu um monte e começou a passar mal. Ficou com dor de barriga. Fiquei com um pouco de dó dela. Dar uma cagão na casa de alguém que você acaba de conhecer, não é o "sonho" de nenhuma mulher. Lá foi a Marta . Quase seis horas da manhã, nenhum barulho na rua, a porta do banheiro não fecha direito.

Sinceramente: Nunca uma mulher tinha ido ao banheiro perto de mim (para cagar!) e logo na estréia tive direito a show de efeitos sonoros.
Aquele barulho de quando você acelera uma motoca velha, denunciava e forma "lïquida" que a coisa tava vindo.

Minha TV queimada, o rádio meu irmão havia pego emprestado. Tive que ouvir a sinfonia do começo ao fim. Ouvi quando ela tentou puxar a descarga (estava sem água, lembra???), quando tentou abrir a torneira para lavar a mão, ambos sem sucesso. Veio então nossa heroína daquela batalha que achei não ter mais fim. Foram quinze minutos de barulhos de motoca e de água escorrendo. 

Ela saiu do banheiro deixando lá toda a sua obra, deu uma cheirada na mão, esfregou-as e me abraçou.  

Eu sabia que o cheiro que eu estava sentindo era do banheiro mas, eu tinha a sensação de que vinha da sua boca. Dei-lhe minhas últimas balas.

Aquelas mãos passando em meu rosto como quem quer fazer um carinho, não sei quanto tempo poderia aguentar.

Pegou no meu pau de novo, viu que estava mole e disse: - Vou levantar o bebê de novo. (bebê???!!!) Abaixou minha calça e começou a me chupar.


Sinceramente: Um boquete é sempre um boquete. O danado mesmo com todo aquele cheiro de enxofre no ar (ele não tem nariz, lembra???) ficou em pé de novo.
A moça então resolveu escancarar: Começou a fazer um streap-tease (nem sei escrever isso!!). Preferia a boquete mas, tudo bem, vamos respeitar o ritual, para não parecer insensível. 
A sala estava meio escura e ela, achando que estava realmente me agradando com aquelas incontáveis bolas de celulite (tinha parado na 25 lembra???), acendeu a luz.
Quando tudo ficou mais claro olhei para aquela bunda e pensei: Puta que pariu, a gorda tem um monte de espinha na bunda para ajudar. Na verdade para meu espanto ou alívio (já não sabia mais o que pensar)nnão eram espinhas. Eram algumas sementes do tomate que coloquei na macarronada. 

A desinteria deve ter escorrido por toda sua bunda e papel higiênico não limpou tudo que podia e elas ficaram por ali grudadinhas. Peguei minha cueca, dei uma cuspida, limpei em volta e comi a Marta de novo. Sete horas da manhã a Marta pegou o ônibus e foi embora. 
A água voltou às dez horas.

E sinceramente, não quero mais tocar neste assunto

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O fim de um caguete


Bateu sujeira na sombra de Alvinho e toda a cana saiu na sua captura. Sem outro jeito, de teve que se arrancar do seu pedaço. Foi se mocozar nas encolhas de um parceiro de fé, o Vado, ponta-firme. E era daí que, de noite, se mandava pra estarrar os loques e defender seu lado, porque a situação estava encardida e no dava pé deixar tudo por conta do companheirinho. 

Com essas e outras, podia levar a barca até pegar estia e a sua barra ficar mais leve. Acontece, porém, que o cupim andava roendo o peito e a caixa de catarro, falhando. Vontade de tuberculoso é broca.  E o Alvinho queria. Como queria! Dia e noite, só tinha vontade da Madalena, uma cabrocha de alta linha, que não deu pra ele carregar na hora do pinote. No que fez mal. Ela, longe, era carga mais pesada. Durante as horas em que ficava enfurnado, sem poder botar a fuça na rua, só pensava nela. Por mais que se esforçasse, não tirava a mina da cuca. Era uma zorra. Um troço de abilolar.

Numa noite, depois de arroxar uma farmácia, de onde, além da grana, afanou umas bolinhas, se chapou e não se aguentou. Anunciou pro Vado:

— Meu bom, num podendo comigo. Vou ver a Madalena.

O cupincha. que estava por dentro das quizilas, se espantou e quis cortar a onda:

— Guenta aí! Tu vai dar sopa pro azar por quê? Os homens sabem da tua gamação na Madalena. Eles tão só aí na campana. De botucas ligadas no barraco dela. Se tu pia lá, eles te ganham fácil.

Pro Alvinho, aquele papo era do cacete. Sabia que tudo que o Vado falou era positivo. Mas, estava encabreirado. Ardido por dentro. Andou de bobeira de um canto pra outro do mocó. Botou tudo na balança. Ficar enrustido ali era o mesmo que estar na cela. E a Madalena era sua gama de pedra. Valia o risco. Cismou e selou:

— Vou, sim.

Afirmou com a força de quem sabe querer. O parceiro sentiu o lance. Só chiou por Chiar:

— Se tu quer mulher, eu dou uma banda por aí e trago duas pistoleiras pra gente. Não precisa tu ficar dando carga à toa.

Esse pla até atucanou o vagau, que estrilou:

— Que mulher. poxa? Eu só quero é a Madalena! E tchau mesmo.

Botou o pé no rnundaréu e deixou o Vado falando sozinho. Atracou na Favela do Buraco da Lacraia de madrugada. Estava tudo em silêncio. O Alvinho espiou os caminhos e se tocou que estavam todos livres. Nem um tira, nem um cachorrinho estava de plantão. Avançou se esgueirando entre os barracos.

Não leve escama. Chegou fácil à moradia da Madalena. Bateu de leve, que não estiva a fim de escarcéu. Nesse momento, um vulto apareceu no fundo do beco. O Alvinho se ouriçou. Mediu a distância e viu que, se a figura fosse da lei, não tinha escapatória. Não dava pra correr. O jeito era encarar. Levou a mão na arma. Mas, teve um breque. O vulto que vinha se aproximando manjou o movimento e o reconheceu. Maneirou:

— Que é que há, Alvinho? Vai me estranhar?

O alô relaxou o salseiro. Pro Alvinho, foi o alívio. Neste instante, a Madalena abriu a janela, se assustou de ver ele ali. Fez dengo antes de abrir a porta. E o Alvinho não quis saber direito quem tinha cruzado com ele. Se era chapa ao ponto de reconhecê-lo no escuro, estava legal. O resto era só com a Madalena. E não deu outra coisa. Matou a saudade.

Os primeiros raios de sol iluminavam a favela, quando a gronga se deu. No meio do seu sono satisfeito, o Alvinho foi despertado por um berro:

— É cana, Alvinho! Tu tá cercado. Se sair legal, ninguém vai te esculachar. Se aprontar, a gente te dança. Tu tem um tempo pra escolher.

Foi broca. A Madalena se botou a rezar. O Alvinho estava feliz. Todo satisfeito, Depois de tanto amor, não queria guerra. Queria paz pra poder ter sempre a sua Madalena. E estava disposto a pagar por tudo. Virou pra mina e pediu:

— Tu vai me ver? Tu me espera?

Ela olhou nos olhos dele e estava jurado. Não precisa palavra entre os amantes que se amam. E então o Alvinho iniciou o trato:

— Quem tá aí no mando?

Um tira jovem, meio afobado, doido pra mostrar valentia, era o mais próximo e foi quem engrenou o papo:

— É o Doutor Diogo.

O Doutor Diogo era manjado pelos bandidos. Não era bronqueado. Só cumpria seu papel. Não dava pancada à toa, nem desmoralizava valente nenhum. Prendia do jeito que desse. Quem se rendia pra ele, não penava. Aquilo era bom pro Alvinho Ele avisou:

— Tá legal! Vou sair.

Porém, aí, uma idéia de jerico lhe bateu na cachola. Jogou verde:

— Vou sair manso. Só que tem um negócio. Quero saber quem me dedou.

Deu certo. O tira jovem deu mancada.

Sem pensar, deu a ficha.

— Foi o Tisiu.

Como resposta, o Alvinho jogou a arma pela janela. Ainda escutou o Doutor Diogo bronquear:

—Tá falando muito. Quem te mandou cantar a bola?

Mas, isso não interessava pro Alvinho. Ele beijou a Madalena. E, já saindo disse:

— O Tisiu é que me viu entrar aqui. Deixa ele.

Sem mais assunto, o Alvinho se largou na mão dos tiras. Eles, sem perder tempo, meteram as argolas no bandido e o levaram pelos becos da favela, rumo ao carro que estava parado em frente a uma padaria. E na porta da padaria, assim como quem não quer nada, o Tisiu sapeava o lance. O Alvinho tirou ele na pinta. O crioulo desviou o olhar. Mas, teve que escutar uma promessa:

— Tá legal, Tisiu. Tá legal. Agora, tu se lembra que tem sempre um dia atrás do outro.

Nas quebradas do mundaréu, até as pedras se encontram. E quem não tem roda larga, acaba sempre comendo capim pela raiz. Um dia, o Tisiu se estrepou. Estava devendo pros homens e entrou em pua. Fez uma mixórdia. Chorou, implorou, pediu pelo amor de Deus pra não meterem ele no mesmo pavilhão que o Alvinho. Conseguiu. Mas, logo o outro soube da entrada do cagüete e daí pra frente perdeu o sossego. Passava o tempo todo tramando um jeito de apanhar o Tisiu. Até que veio a vez.

Os bonzões do presídio armaram uma treta cavernosa. Rebuliço geral pra, no meio da confusa, ganharem fuga. O Alvinho topou de primeira. E a catimba se deu. Rolo grosso. A curriola toda querendo ganhar a rua. Só o Alvinho não queria se mandar. Seu acerto era com o Tisiu. Foi pra decisão. Varou grade, parede, bala e tal e coisa. Passou pro pavilhão em que estava o cagüete. Deu congesta no carcereiro, pegou as chaves e invadiu a cela do Tisiu. Se plantou na frente do rato e puxou uma navalha. O crioulo se jogou de joelhos e implorou:

— Tem pena de mim. Alvinho. Eu não te sacaneei por gosto. Os homens me apertaram. Te juro por essa luz que me ilumina.

Foi a última vez que o Tisiu falou na desgraçada da vida. Hoje, quem for à Favela do Buraco da Lacraia e passar perto das malocas vai ver, parado na porta de uma padaria, esmolando, a triste figura de um crioulo sem língua. 
 
  
Plínio Marcos

* Texto originalmente publicado na coluna “Janela Santista”, na edição de 24/10/1999, do Jornal da Orla. 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A lógica portuguesa

Brasileiro faz piada com português, por não entender que os dois povos  têm lógicas diferentes.
O português é mais literal, cultiva um preciosismo de sintaxe.
Vejam só:

Uma conhecida dirigia por Portugal,  quando viu um carro com a porta de
trás aberta. Solidária, conseguiu  emparelhar e avisou:
- "A porta está aberta!"
A mulher que dirigia conferiu o problema e respondeu irritada:
- "Não, senhora.  Ela está mal fechada!"

Outro brasileiro, conhecido nosso,  estava em Lisboa e numa sexta-feira  perguntou a um comerciante se ele fechava no sábado.
O vendedor disse que não.
No sábado, o brasileiro voltou e deu com a cara na porta.
Na segunda-feira, cobrou irritado do português:
- "O senhor disse que não fechava!"
O homem respondeu:
- "Mas como vamos fechar se não abrimos?"

Trata-se realmente de um povo admirável, que tem mais cuidado com a língua pátria do que com a lógica, daí as piadas.
Um amigo jornalista hospedou-se há um mês num hotel em Ávora.
Na hora de abrir a água da pia se atrapalhou, pois na torneira azul estava escrito "F" e na outra, preta, também "F". Confuso, quis saber da camareira o porquê dos dois "efes".
A moça olhou-o com cara de espanto e respondeu, como quem fala com uma criança:
- "Ora pois, Fria e Fervente."

Acrescento o acontecido com o meu amigo Pompilho.  Em Lisboa, a passeio, resolveu  comprar  uma gravata.  Entrou numa loja do Chiado (bairro de lojas finas) e, além da gravata, comprou ainda um par de meias, duas camisas sociais, uma polo esporte, um par  de luvas e um cinto.
Chorou um descontinho, e pediu para fechar a conta.
Viu então que o vendedor pegou lápis e papel e se pois a fazer contas, multiplicando, somando, tirando  porcentagem de desconto, e aí, intrigado, perguntou:
- "O senhor não tem máquina de calcular?"
"Infelizmente não trabalhamos com eletrônicos, mas o senhor pode encontrar na loja justamente aqui ao lado."

Acho que ainda posso acrescentar  mais uma historinha.
Meu amigo morou por um ano em Estoril e contou-me que lá, num certo dia, meio perdido na cidade perguntou ao português:
- "Será que posso entrar nesta  rua para ir ao aeroporto?"
- "Poder o senhor  pode, mas de  jeito algum vai chegar ao aeroporto."

domingo, 10 de novembro de 2013

Onde erramos?

Cenário 1: João não fica quieto na sala de aula. Interrompe e perturba os colegas.
Ano 1959: É mandado à sala da diretoria, fica parado esperando 1 hora, vem o diretor, lhe dá uma bronca descomunal e até umas reguadas nas mãos e volta tranqüilo à classe. Esconde o fato dos pais com medo de apanhar mais. Pronto.
Ano 2013: É mandado ao departamento de psiquiatria, o diagnosticam como hiperativo, com transtornos de ansiedade e déficit de atenção em ADD, o psiquiatra receita  Rivotril. Transforma-se num zumbi. Os pais reivindicam uma subvenção por ter um filho incapaz e processam o colégio.

Cenário 2: Luis, de sacanagem quebra o farol de um carro, no seu bairro.
Ano 1959: Seu pai tira a cinta e lhe aplica umas sonoras bordoadas no traseiro. A Luis nem lhe passa pela cabeça fazer outra nova "cagada", cresce normalmente, vai à universidade e se transforma num profissional de sucesso.

Ano 2013: Prendem o pai de Luis por maus tratos. O condenam a 5 anos de reclusão e, por 15 anos deve abster-se de ver seu  filho. Sem o guia de uma  figura paterna, Luis se volta para a droga, delinqüe e fica preso num presídio especial para adolescentes. 

Cenário 3: José cai enquanto corria no pátio do colégio, machuca o joelho. Sua professora Maria, o encontra chorando e o abraça para confortá-lo...
Ano 1959: Rapidamente, João se sente melhor e continua brincando.

Ano 2013: A professora Maria é acusada de não cuidar das crianças. José passa cinco anos em terapia pelo susto e seus pais processam o colégio por danos psicológicos e a professora por negligência, ganhando os dois juízos. Maria renuncia à docência, entra em aguda depressão e se suicida...

Cenário 4: Disciplina escolar
Ano 1959: Fazíamos bagunça na classe... O professor nos dava uma boa "mijada" e/ou encaminhava para a direção; chegando em casa, nosso velho nos castigava sem piedade e no resto da semana não incomodávamos mais ninguém.

Ano 2013: Fazemos bagunça na classe. O professor nos pede desculpas por repreender-nos e fica com a culpa por fazê-lo. Nosso velho vai até o colégio dar queixa do professor e para consolá-lo compra uma moto para o filhinho.

Cenário 5: Horário de Verão.
Ano 1959: Chega o dia da mudança para horário de verão. Nada acontece.

Ano 2013: Chega o dia da mudança para horário de verão. A gente sofre transtornos de sono, depressão, falta de apetite, nas mulheres aparece até celulite.

Cenário 6: Fim das férias.
Ano 1959: Depois de passar férias com toda a família enfiados num Gordini ou Fusca, é hora de voltar após 15 dias de sol na praia. No dia seguinte se trabalha e tudo bem.

Ano 2013: Depois de voltar de Cancun, numa viagem 'all inclusive', terminam as férias e a gente sofre da síndrome do abandono, "panic attack", seborréia, e ainda precisa de mais 15 dias de readaptação...

Cenário 7: Saúde.
Ano 1959: Quando ficávamos doentes, íamos ao IAPI ou ao  IAPTEC ou ao IAMSP ou semelhantres e  aguardávamos 2 horas para sermos atendidos, não pagávamos nada, tomávamos os remédios e melhorávamos.

Ano 2013: Pagamos uma fortuna por plano de saúde. Quando fazemos uma distensão muscular, conseguimos uma consulta VIP para daqui a 3 meses, o médico ortopedista vê uma pintinha no nosso nariz, acha que é câncer, nos indica um amigo dermatologista que pede uma biópsia, e nos indica um amigo oftalmologista porque acha que temos uma deficiência visual.  Fazemos quimioterapia, usamos óculos e depois de dois anos e mais 15 consultas, melhoramos da distensão muscular.

Cenário 8: Trabalho.
Ano 1959: O funcionário era "pego" fazendo cera (fazendo nada). Tomava uma regada do chefe, ficava com vergonha e ia trabalhar.

Ano 2013: O funcionário pego "desestressando" é abordado gentilmente pelo chefe que pergunta se ele está passando bem. O funcionário acusa-o de bullying e assédio moral, processa a empresa que toma uma multa, o funcionário é indenizado e o chefe é demitido.

Cenário 9: Assédio.
Ano 1959: A colega gostosona recebe uma cantada de Ricardo. Ela reclama, faz charminho mas fica envaidecida, saem para jantar, namoram e se casam.

Ano 2013: Ricardo admira as pernas da colega gostosona quando ela
nem está olhando, ela o processa por assédio sexual, ele é condenado a
prestar serviços comunitários. Ela recebe indenização, terapia e proteção
paga pelo estado. 

Pergunta-se:
  
Em que momento entre 1959 e 2013 que nos tornamos esse monte de merdas?