domingo, 27 de outubro de 2013

Um pouco sobre Sadomasoquismo

Shibari, bondage, spanking, facesitting, asfixia erótica, afogamento e inversão são só alguns dos termos e situações que os fãs de sadomasoquismo mais gostam de usar em suas práticas sexuais. Mas se para você, todos esses nomes mais parecem sessões de tortura e não parecem oferecer prazer, saiba que não é bem por aí e, quem sabe, está na hora de rever os seus conceitos.
O sadomasoquismo é uma prática que tem vocabulário próprio e seus praticantes fazem questão de se diferenciar do restante das pessoas, usando os termos e acessórios exclusivos dessa modalidade sexual, abusando do poder, da sensualidade, da submissão e, às vezes, até mesmo da força.
Com roupas de couro e produtos eróticos, que variam entre espartilhos, chicotes, algemas, vendas e coleiras, os sados, como carinhosamente são chamados, explicam que o sadomasoquismo não é apenas violência na hora do sexo ou das preliminares, mas uma questão de privação dos sentidos para estimular outros.
Por exemplo, fazer uso de uma venda nos olhos na hora da relação sexual, que, à primeira vista pode causar um pouco de medo, certamente redobrará o prazer do toque, com a surpresa causada por carinhos e afagos inesperados.

Entre as práticas mais comuns do sadomasoquismo estão:
Shibari ou bondage: são duas técnicas de amarração com o maior número de amantes dentro do sadomasoquismo. O objetivo é imobilizar o parceiro, para que ele seja dominado. O shibari deixa a marca das cordas pelo corpo. Já o bondage apenas impede que o parceiro se movimente, facilitando ainda mais sua dominação.
Bukkake: é a prática extrema de dominação e submissão, onde a mulher fica amarrada de joelhos enquanto o seu parceiro (ou os parceiros) ejacula em seu rosto.
Spaking: é o ato de bater, tanto com as mãos, chicote, vara, chinelo ou palmatória, durante a relação sexual, mas sempre com o consentimento de quem irá “apanhar”.
Se você pretende apimentar a sua relação, lembre-se que é imprescindível a conscientização do seu parceiro, pois as sessões de sadomasoquismo exigem certa formalização do ambiente, com o uso de figurinos e acessórios ideais para a prática. E, se apenas um dos dois ficar mais entusiasmado com a novidade, um grande desentendimento pode acabar acontecendo, causando uma enorme fissura na vida sexual do casal.
Por isso, vale lembrar que é possível praticar o sadomasoquismo de uma maneira mais leve, aumentando ainda mais o prazer do momento, apenas com o uso de acessórios não tão extremos, como o chicote ou algema.
Investir em roupas ou lingeries sensuais ou em um simples par de salto alto, também pode mexer com o imaginário masculino, proporcionando uma deliciosa noite de tesão e prazer aos dois.
O que vale, portanto, é levar em consideração a intenção do casal. E quando um ou outro não concordar, existem duas opções: ou alguém cede para atendar as vontades do outro ou cada um segue seu caminho, buscando novas experiências. Afinal, nada pode ser pior para esfriar uma relação do que a falta de interesses em comum.

Veja também: Dicionário BDSM aqui http://saturnopiloto.blogspot.com.br/2013/09/dicionario-bdsm.html

Fonte:http://malvadas.org/2011/09/um-pouco-sobre-sadomasoquismo/

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Luxúria

Nossos ancestrais nem imaginavam, mas, desde a primeira vez em que um deles propôs variar a posição só para experimentar, o sexo ganhou uma proporção muito maior que a inicial - fazer outros de nós. É claro que não evoluímos para ver filmes pornô, comprar vibradores ou pagar por sexo. A chave é uma só: a busca pelo prazer. "Afinal, que tipo de vantagem reprodutiva assistir a filmes de pessoas bonitas fazendo sexo poderia acarretar?", diz o professor de filosofia e neurociência da ESPM-SP Pedro Furtado Calabrez. O especialista lembra que, em algum momento da evolução humana, os indivíduos que sentiam mais prazer com o sexo procriaram mais - porque o processo envolvido lhes era mais, digamos, agradável. "E um vídeo de pessoas fazendo sexo atrai a atenção do ser humano por ser um subproduto desse processo evolutivo", diz. Uma espécie de emulação mental de uma necessidade biológica cujo prazer está atrelado ao sucesso reprodutivo de nossos ancestrais.

E onde entra a luxúria nessa história? O conceito diz que o pecado é sobre se deixar dominar pelas paixões carnais. E o que pode ser mais carnal que o sexo? A dúvida mesmo é definir: o que é além da conta ou o que pode ser considerado anormal entre quatro paredes?


Soneto da infidelidade
Um dos maiores tabus sexuais é a fidelidade. Biologicamente falando, o ser humano não foi feito para ser exclusivo - um homem pode engravidar uma mulher diferente a cada ejaculação e a mulher ovula mensalmente, o que, se dificulta as coisas para espalhar os genes, também permite que a cada nove meses dê à luz um bebê de pai diferente. A vantagem biológica é que assim é possível espalhar nossa carga genética por aí - e criar descendentes. Mas, apesar de natural, com exceção de algumas culturas ao redor do mundo, desde muito cedo somos incentivados a acasalar com um único parceiro. "Quem determina que a infidelidade está errada é a nossa cultura. A fidelidade é uma criação do homem. Não significa que seja algo ruim. Antropólogos constataram que, depois do contato com o homem branco, o indígena, que antes achava natural ter vários parceiros, passou a sentir ciúme", diz o neurocirurgião Fernando Campos Gomes Pinto, do Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Homens e mulheres traem. Mas, ao que parece, eles têm a desculpa ideal para isso. Alguns pesquisadores defendem que a culpa da infidelidade é da testosterona. Em níveis baixos, o hormônio masculino diminui a libido. Quando um paciente recebe o hormônio e normaliza seu nível no organismo, volta a ter desejo sexual. "Isso nos faz pensar que níveis mais altos de testosterona provoquem maior apetite sexual, principalmente nos homens", diz Gomes Pinto. Já a pesquisadora Madalena Pinto, professora de química orgânica e química farmacêutica e medicinal na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, em Portugal, afirma que homens com menor tendência para o casamento, ou com maior tendência para o adultério, ou ainda com maior propensão para o divórcio demonstram um nível médio e alto de testosterona.

Um estudo feito em 2009 coloca mais lenha na teoria. A antropóloga Alexandra Alvergne, da Universidade de Montpellier, na França, avaliou homens da zona rural do Senegal: 21 polígamos com filhos, 32 pais monogâmicos e 28 homens solteiros sem filhos. Os homens com filhos tinham menores níveis de testosterona que os solteiros. E, entre os homens que eram pais, os que tinham maior nível de testosterona investiam menos tempo na família.

E os infiéis podem até culpar a genética pelas puladas de cerca. A neuropsiquiatra americana Louann Brizendine, autora das obras The Female Brain e The Male Brain, afirma que há um gene que pode estar relacionado à infidelidade. "É o chamado gene receptor da vasopressina", diz. O teste foi feito em roedores, com perfis diferentes de maridos. A ratinha da espécie arganaz-do-campo não tem do que se queixar: o macho é monogâmico, tem laços a vida inteira com apenas uma fêmea e uma versão mais longa do gene receptor de vasopressina. Já o seu "primo" arganaz montanhês é um bon vivant: não cria laços. Na pesquisa, observou-se que o ratinho tem uma versão menor do gene receptor. Para provar a teoria, os cientistas injetaram o gene monogâmico no cérebro dos ratos infiéis, que se tornam roedores de uma rata só. Ainda não foi testado em humanos - mas alguém duvida que seria um sucesso entre os ciumentos?

Até aqui, parece que mulher não trai. Não é bem assim. A pesquisadora Kristina Durante, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, afirma que mulheres jovens se sentem mais atraentes quando seu nível de estradiol, hormônio feminino que entra em cena na ovulação, está mais alto do que o comum. E trocam de parceiro com muito mais facilidade. "Mulheres com alto nível de estradiol mostraram maior probabilidade de flertar, beijar ou ter um caso mais sério com alguém diferente de seu parceiro fixo", afirmou a pesquisa publicada no Royal Society Journal Biology Letters.

No estudo, 52 estudantes universitárias entre 17 e 30 anos que não usavam pílulas anticoncepcionais tomaram duas doses de estradiol, fazendo o nível do hormônio feminino aumentar. Na sequência, os pesquisadores pediram que avaliassem a si mesmas e às outras. As mulheres que registravam um maior nível de estradiol foram consideradas muito atraentes por elas mesmas e também pelas outras mulheres. Ou seja, prontinhas para sair por aí praticando a antiga arte da luxúria.

Para Gomes Pinto, entretanto, o componente mental é determinante para a mulher. "Pensamentos, sonhos e desejos mentais explicariam melhor o comportamento mais promíscuo de certas mulheres", afirma o neurocirurgião.


Desejo na cabeça E isso tudo não significa que, sob o ponto de vista neurológico, cabeça de homens e de mulheres sejam completamente diferentes. "Anatomicamente, há diferença de tamanho e peso do órgão, ele é discretamente maior e mais pesado nos homens. Neurologicamente, as diferenças ocorrem por diferentes hormônios que se relacionam com as diferentes gônadas (ovário e testículo) e com o corpo", explica Fernando Campos Gomes Pinto.

David Buss, professor da Universidade do Texas e um dos pioneiros em Psicologia Evolucionista, afirma que homens desejam por volta de 20 parceiras sexuais diferentes ao longo da vida. As mulheres, apenas cinco - lembre-se, isso é uma média mundial. "Quando um homem vê uma mulher, desencadeia um interesse que é sempre sexual, porque assim como em qualquer espécie o interesse do acasalamento está sempre por trás da intenção", diz Márcia Lorena Chaves, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e chefe do serviço de Neurologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Mas não é qualquer mulher que vai interessar a qualquer homem. Existem muitos estudos que tentam entender que características atraem uns aos outros. Com a função de estimular a procriação, o desejo sexual incita no cérebro uma emoção tão primária quanto o medo e a raiva.

Independentemente de sermos primitivos, cerebrais e mais guiados por instintos do que somos capazes de assumir, existem também questões culturais e emocionais que deixam as escolhas e os desejos ainda mais confusos. Mas Freud explica. "A escolha de parceiros, segundo o pai da psicanálise, se daria de acordo com basicamente dois tipos de motivações inconscientes: buscamos alguém que represente figuras que nos dão proteção, que nos atrairia porque vai nos proteger e proteger nossos filhos. Ou alguém que satisfaça nosso narcisismo, pois se escolheria uma pessoa tendo em vista o que se é, o que se foi ou o que se gostaria de ser", diz Clarice Tesch, do Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre.

Para a neurociência, o processo do desejo é bem mais simples. Quando o homem observa quadris e coxas, não está em busca de celulite ou depilação em dia, mas sim repetindo um comportamento ancestral: uma análise indireta da bacia da mulher para avaliar se ela tem condições de procriar. Da mesma forma, a mulher, quando observa a força muscular, o porte físico e, sim, a condição financeira do homem, está analisando o poder de defesa que o candidato tem para oferecer a ela e aos futuros rebentos - ainda que o sexo, no caso, nada tenha a ver com fazer filhotes.

Ou seja, nesta montanha-russa comandada pelo cérebro, na qual química, educação, cultura, religião e escolhas se misturam, não parece haver pecado. Será que estamos perdoados?


Demônio - Asmodeus
O demônio que faz as menininhas literalmente virarem a cabeça em possessões malignas é o representante do mais carnal dos pecados. Asmodeus é famoso na tradição cristã por destruir casamentos e forçar maridos e mulheres a cometerem adultério. Mesmo sendo feio como o diabo: o capeta da luxúria costuma ser retratado com três cabeças (ogro, carneiro e touro), pés de galo, asas e cauda de serpente. O bonitão ainda cavalga um dragão e cospe fogo.


Quando o prazer vira um vício
Michael Douglas e Tiger Woods que o digam. Sexo pode viciar, sim. A explicação está no cérebro, que pega um recurso natural prazeroso e hiperestimula esse processo, tornando-o um círculo vicioso, segundo o neurocirurgião Fernando Campos Gomes Pinto, do Hospital das Clínicas da USP. O prazer sexual é entendido pelo cérebro como uma recompensa. Mas nem sempre a causa está apenas nos mecanismos que geram o prazer. Pacientes com lesão bilateral dos lobos temporais (com destruição bilateral das amídalas) podem apresentar hipersexualidade, alteração conhecida como Síndrome de Kluver-Bucy. O neurologista Carlos Rico, representante dos Dependentes de Amor e Sexo Anônimos (Dasa) no Brasil, afirma que os casos de dependência variam, mas que prejudicam a vida do paciente. "O comportamento pode ir da promiscuidade óbvia envolvendo vários parceiros a atos solitários como masturbação compulsiva, voyeurismo, exibicionismo, ou à entrega obsessiva à fantasia ou à sedução amorosa", diz. Estima-se que entre 3% e 6% da população mundial seja dependente do sexo.



Assim você me mata Como o corpo de homens e mulheres reage aos impulsos da atração
1. A menina mais linda
No corpo do Homem - Dá um olhar geral para o todo. Só depois foca em seios, nádegas, olhos.

No corpo da Mulher - Prende-se a um detalhe. Queixo, olhos ou mesmo o intelecto. Se o homem demonstrar inteligência pela conversa, pode desencadear desejo.

No cérebro - Estímulos externos reais, como beleza, cheiro e voz, e estímulos internos, ligados a memórias afetivas, determinam o interesse.


2. Nossa, nossa
No corpo do Homem - Olhos. Depois de olhar atentamente e gostar do que viu, o cérebro do homem começa a fantasiar detalhes do ato sexual com intensidade.

No corpo da Mulher - Pele e ouvidos. A mulher passa a fantasiar o ato sexual apenas a partir do momento em que existe contato com a pele do outro. E caso o que ela esteja ouvindo seja interessante.

Em ambos - Durante o flerte, o coração acelera e a respiração fica ofegante. O corpo libera noradrenalina e testosterona, ligados ao desejo, e a dopamina, ao prazer. O sangue vai para lábios e genitais, aumentando a sensibilidade.

3. Ai, se eu te pego
No cérebro de ambos, o hipotálamo, que rege nossas emoções mais primitivas, motiva para o ato sexual.

No corpo da Mulher - A vagina fica lubrificada e ocorre o entumecimento da genitália, inchada por receber mais sangue.

No corpo do Homem - Inicia-se o processo de ereção.

4. Delícia, delícia
Ativação dos gânglios da base e do tálamo. A consciência fica menos alerta e mais envolvida na aura de sensualidade. Homem e mulher focam apenas na busca pelo prazer. Ativação do centro do prazer no hipotálamo e orgasmo (clímax).


Tem gosto para tudo Pedofilia
Desejos ou atos sexuais com crianças. É comum entre pessoas da mesma família.


Zoofilia
Quando uma pessoa se sente atraída ou pratica relações sexuais com animais.


Voyeurismo
Quando uma pessoa precisa observar pessoas que estão tirando a roupa, nuas ou fazendo sexo, sem que elas saibam que estão sendo vistas.


Masoquismo
Ocorre quando a pessoa precisa sofrer, na esfera física ou emocional, para sentir prazer sexual.


Sadismo
É considerado sadismo quando uma pessoa precisa provocar, na esfera física ou emocional, sofrimento a outra pessoa, e só assim consegue sentir prazer sexual.


Frotteurismo
Quando um homem toca ou esfrega o pênis em outra pessoa completamente vestida, sem sua concordância, para ter prazer sexual. Muito comum em transportes públicos. É por isso que, em alguns lugares, há vagões de trem somente para mulheres.



Afinal, o que é normal? O limite da perversão é ferir a si mesmo ou outra pessoa - e o sentimento de culpa depois do prazer
Se infidelidade é luxúria, perversão é inferno na certa. Mas o que é perversão? Para a neurociência, significa acionar o centro do prazer no cérebro, via desejos pouco ortodoxos do ponto de vista biológico e sociocultural, utilizando as mesmas vias neurais que são biologicamente utilizadas para o sexo e para a procriação, diz o neurocirurgião Fernando Campos Gomes Pinto. Mas o que é ortodoxo, ou melhor, normal na busca pelo prazer? A resposta é ainda mais complexa.

A perversão se manifesta em algumas pessoas induzidas por um pensamento específico - incomum ou que não seja o habitualmente aceito na sociedade - porque existe uma tensão produzida por hormônios e neurotransmissores que ativa o centro neural de recompensa. "E a partir daí um circuito que existe normalmente é usurpado e deturpado, conferindo prazer", afirma o médico. Ao se submeter ao próprio desejo proibido, uma pessoa pode sentir muito mais prazer durante o ato do que em uma relação considerada normal. "Nossa mente funciona de acordo com o princípio do prazer e, com nosso amadurecimento, vamos aceitando que precisamos abrir mão de parte dessa busca pelo prazer e atender aos princípios da realidade", diz a psicanalista Clarice Tesch, do Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre. Além disso, a perversão é uma classificação discutível. "Em algumas culturas, a homossexualidade é considerada perversão, o que a psicanálise não classifica como tal, pois a orientação sexual não se baseia numa escolha consciente, mas numa rede de identificações inconscientes", afirma. Na Grécia, o conceito de homossexualidade sequer era considerado. A poligamia, proibida no Brasil, é aceita oficial e extraoficialmente em mais de 50 países.

Ou seja, o que é normal para mim pode não ser para você. E o limite é ferir a si mesmo ou outra pessoa - sem autorização, que fique claro. No caso do perverso, ele está sempre em busca da satisfação do seu desejo, sem considerar a lei ou o outro. E, depois da satisfação do desejo, o lobo frontal volta a agir normalmente. A pessoa começa a fazer autojulgamentos e a pesar seus atos de acordo com seus valores, cultura, condição psíquica. Como vivemos em sociedade, dar vazão ao desejo pode significar entrar em conflito. E sentir culpa.


Reprimindo desejos Envolvido com os mistérios do inconsciente, Freud estabeleceu uma relação entre desejo proibido e sexualidade. Para ele, toda criança tem desejos, que reprime ou sublima. Os pais e a sociedade vão mostrando o que pode e não pode ser feito e ela passa a ter noção do que é proibido ou permitido. Embora não sejamos capazes de controlar o desejo, somos aptos a dominar nossos atos. "Psicanalistas não consideram que possa haver uma fantasia perversa, já que fica na esfera da imaginação", diz Clarice. A perversão seria a permanência de traços infantis numa mente adulta. Ou seja, todos podemos ter atitudes perversas.


Para saber mais Kama Sutra
Vatsyayana, Editora Jorge Zahar, 2001

Affective Neuroscience: The Foundations of Human and Animal Emotions
Jaak Panksepp, Oxford University Press, 1998

Fonte: http://super.abril.com.br/cotidiano/luxuria-732702.shtml

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

07 Filmes Pertubadores

Tem gente que por mais a gente diga para não ver algum filme porque é tenso, “dá nervoso”, mais fica com vontade de ver. Alguns valem mesmo a pena, outros são puro asco e entraram para a história do cinema simplesmente por causar repulsa e nojo. Veja abaixo sete filmes perturbadores.
Irreversível (2002 -  Gaspar Noé)

Contada de trás para frente, a história do filme é bem simples. Dois amigos buscam um cara que estuprou a namorada de um deles. Mas eis que se chega ao mote da ação, o estupro em si. São cerca de nove minutos de violência e asco, o suficiente para muita gente deixar a sala do cinema quando o filme estava em cartaz. No início do longa, uma cena de briga que acaba com uma cabeça esfacelada por um extintor de incêndio usado como porrete.
Pink Flamingos (1972 – John Waters)

Representante da escatologia nesta lista, o filme é um ícone no mundo underground. O roteiro narra uma espécie de competição pelo título de pessoa mais repugnantes do mundo, posto que Divine, uma drag-queen, e sua família têm a honra manter. A disputa é quase só uma desculpa para cenas bizarras, como de sexo com galinha (o bicho mesmo), entre mãe e filho, gente comendo fezes, close em ânus e por ai vai. Repugnância do começo ao fim.
Holocausto Canibal (1980 – Ruggero Deodato)

Com cenas de torturas, mutilações, empalamento (um cabo entra pela vagina e sai pela boca), castração e morte de animais, ele chegou a ser proibido em alguns países. No estilo filme dentro do filme, conta o desaparecimento de quatro documentaristas que sumiram após irem para a Amazônia. Um professor vai investigar o caso e encontra uma gravação que mostra como foram mortos. A partir daí, o que vemos são cenas de câmera tremida “filmadas” pelos documentaristas, no estilo Bruxa de Blair, na tribo canibal onde foram parar. Muita gente ainda acreditou que os atores tinham sido realmente mortos no filme. Não foram, mas alguns animais sim.
Saló ou 120 dias de Sodoma (1975 – Pier Paolo Pasolini)

O mal-estar causado por Saló na década de 70 fez o filme ser banido de diversos países. Baseado em histórias do Marquês de Sade, o filme narra 120 dias de torturas sexuais de um grupo de jovens sequestrado por fascistas. São duas horas de masoquismo e sodomia e mutilações, genitais queimados e outras insanidades.
O Iluminado (1980 – Stanley Kubrick)

Considerado um clássico do terror, o filme certamente já foi responsável por muitas unhas roídas nos últimos 30 anos. A história começa leve, quando um homem é contratado para ser vigia de um hotel durante o inverno, quando fica vazio. Ele leva sua família para lá e, no isolamento e no ambiente sombrio, começa a manifestar problemas psiquiátricos e comportamento agressivo. Nos corredores desertos do prédio, o filho tem visões de fatos ocorridos ali. A aparição de duas gêmeas num dos corredores, por exemplo, é uma das cenas mais aterrorizantes. O tempo inteiro é espera-se uma tragédia e a música ajuda, e muito.
Réquiem para um sonho (2000 – Darren Aronofsky)

Do mesmo diretor de “Cisne Negro”, o filme mostra a destruição progressiva de viciados, nem todos em drogas propriamente. Uma das personagens, por exemplo, é viciada em TV (e pílulas com anfetamina para emagrecer). No início, todos têm sonhos, que desmoronam à medida que os vícios e a degradação tomam conta. A angústia só aumenta com a edição e a trilha sonora, que ditam o clima quando a ideia é mostrar os efeitos psicológico e físico das drogas. É do tipo de filme que a gente torce para acabar logo, nem que a solução seja matar os personagens.
Monstros (1932 – Tod Browning)

Não, não é o desenho. Este aqui causou tanta polêmica quando foi lançado que praticamente acabou com a carreira de seu diretor. Atores anões, com deformações físicas e gêmeos siameses representam personagens de um circo grotesco que chama a atenção nas cidades onde passa por vender “aberrações”. A trapezista, uma das poucas sem deficiência física, aproveita-se de um anão apaixonado por ela interessada na riqueza dele. Após se casarem, ela tenta a todo custo matá-lo para ficar com a herança. Mas o plano é descoberto pelos demais “monstros”, que se unem contra ela.

fonte: http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/tag/terror/

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Coisas que nosso corpo faz

Por que não conseguimos fazer cócegas em nós mesmos?
A resposta está na função evolutiva das cócegas - elas eram um alerta de que animais perigosos passeavam por nosso corpo, nos tempos em que dormíamos e caçávamos no meio do mato. O movimento de uma aranha ou um escorpião sobre nossa pele ativa o córtex sensorial primário, que provoca uma reação em cadeia. Sentimos pânico, e ele se expressa na forma de risadas nervosas e incontroláveis. É por isso que muitas pessoas já começam a rir só com a ameaça de cócegas - o Instituto Karolinska, na Suécia, fez o teste com voluntários e descobriu que, nessas situações, eles ativam a mesma região encefálica.

Só que é difícil enganar o cérebro: quando tentamos provocar essa reação em nós mesmos, usando nossas mãos ou outros objetos, ele não interpreta como sinal de perigo. O cerebelo, região responsável por coordenar o movimento dos músculos, não cai na pegadinha e desliga o alarme de pânico. Mesmo as pessoas que sentem mais cócegas (elas são mais sensíveis porque têm mais receptores táteis na pele) não conseguem provocar a reação nelas mesmas. Nem na sola do pé ou nas axilas, lugares que concentram muitos desses receptores.
Sensações  
Por que sentimos frio na barriga na montanha-russa?
Em situações de perigo, o cérebro libera uma descarga de adrenalina que provoca uma contração dos vasos sanguíneos do abdômen - uma região bastante vascularizada. Isso vale para aquele frio na barriga que sentimos na hora de nos apresentar em público, fazer uma prova importante ou pedir a namorada em casamento.

No caso da montanha-russa, ou quando o carro em que estamos desce uma ladeira em velocidade, há um agravante: os órgãos abdominais não são rígidos, nem estão posicionados de forma fixa. Quando descemos de forma abrupta, os ossos vão primeiro, enquanto que as partes mais moles ficam para trás por alguns segundos. Ou seja, é a famosa sensação do "estômago na boca" - sentimos as vísceras subindo, quando elas apenas não desceram na mesma velocidade do resto do corpo. Aí as células nervosas dos órgãos, os mecanorreceptores, detectam essa mudança de posição e mandam o recado para o cérebro, que libera adrenalina. Ou seja: despencar da montanha-russa tende a dar mesmo mais frio na barriga do que fazer prova.

Por que a perna dorme?
A perna, o braço, a bunda... quando ficamos muito tempo numa posição que comprime os nervos de uma região, eles deixam de transmitir sinais claros ao cérebro, além de a circulação sanguínea ficar prejudicada. Com a falta de oxigênio trazido pelo sangue, as células dos músculos liberam lactato, a mesma substância que dá câimbras. Isso faz com que percamos o controle sobre aquele membro - a medicina chama isso de neuropatia periférica, mais comum em diabéticos e em gente com a doença de Charcot-Marie-Tooth, genética. No limite, 4 horas dessa situação podem causar gangrena. Mas é raro chegar a isso, porque o lactato provoca dor - um pedido químico de socorro dos músculos. Aí o cérebro reage rápido, mudamos de posição, a circulação volta ao normal e a perna, o braço ou a bunda acordam.

Por que coisas chatas dão sono?
Quando em monotonia, o cérebro diminui seu ritmo. Com isso, a respiração fica mais lenta e o nível de gás carbônico no sangue aumenta. Os olhos vão fechando, fechando, fechando... Bons sonhos.


Por que quando temos medo dá vontade de fazer cocô?
De novo: culpa da descarga de adrenalina liberada pela glândula suprarrenal em situações de tensão. Isso muda as prioridades do corpo. Enquanto os órgãos envolvidos na reação de luta ou fuga funcionam aceleradamente - os batimentos cardíacos e a respiração ficam rápidos para aumentar a troca de gases e a irrigação dos músculos - o controle do esfíncter anal interno, que é involuntário, fica em 2o plano. A pessoa só não perde as estribeiras e faz cocô na calça porque existe o esfíncter anal externo, que controlamos.



Por que às vezes a gente, do nada, tem um tremelique?
Adivinhe? Adrenalina também. O tremelique, ou aquele calafrio que sua tia avó dizia que era um espírito que tinha passado por você, é sempre associado ao frio ou a alguma emoção, por mais que você não consiga identificar a origem desse estímulo. Você pode ter um calafrio desses por uma simples lembrança, por exemplo, triste ou feliz. Ela já basta para disparar uma descarga de adrenalina, responsável pelo siricutico. Dependendo da intensidade, essa descarga pode causar tremores, vasoconstrição e suadeira. Daí a história do espírito que passou: a pessoa pode mesmo ficar com a aparência pálida e a sensação de mal-estar típicas de quem jura que viu alma penada.

Por que algumas pessoas fazem xixi quando desmaiam?
Há duas possibilidades - a de o desmaio ter sido, na verdade, uma crise convulsiva, e a de falta do sangue no cérebro ao desmaiar. No caso da crise convulsiva, além da perda de consciência e dos movimentos acelerados de certas partes do corpo e da rigidez muscular, ela também relaxa o esfíncter vesical - a estrutura que contém a urina na bexiga. Aí o xixi é liberado inconscientemente. Se a vítima for encontrada no chão depois de os outros sintomas já terem ocorrido, vai parecer aos outros que ela sofreu apenas um desmaio, e não uma convulsão.

Já num quadro de desmaio, que não tem causas neurológicas, não há relaxamento do esfíncter - nem cansaço extremo e sonolência, também indícios de convulsão. Mas pode acontecer de a falta de circulação de sangue no cérebro provocar uma espécie de pane em alguns órgãos de controle voluntário, como o esfíncter urinário. Ou seja, nem todo xixi na calça significa convulsão. E por que quem desmaia não faz cocô? Porque o desmaio desacelera o movimento peristáltico do intestino. Fica assim difícil o cocô descer sozinho - o que não é um problema para o escorregadio xixi.


FONTES: Lúcio Roberto Requião Moura, diretor da Sociedade Brasileira de Nefrologia; Roberto de Carvalho Filho, gastroenterologista da Unifesp; James Ramalho Marinho, da Federação Brasileira de Gastroenterologia. Shigueo Yonekura, especialista em sono da FMUSP; Turíbio Leite de Barros Neto, professor de Fisiologia da Unifesp.

O corpo é capaz de produzir substâncias alucinógenas?
Sim, mas não dá pra controlar. Existem doenças, como esquizofrenia e epilepsia, que provocam alucinações. Aí, sim, o cérebro produz neurotransmissores, isto é, mensageiros químicos que transmitem as informações de um neurônio a outro. Essas substâncias são responsáveis pela percepção dos estímulos externos. Quando existe um desequilíbrio entre os neurotransmissores, as informações recebidas dos meios externos são embaralhadas e surgem as alucinações.

Agora, o organismo saudável até produz substâncias que dão prazer, tiram a dor e relaxam, ou seja, dão barato. Mas não chega a ser uma alucinação. Já temos, de fábrica, a dopamina, os endocanabinoides e a endorfina, substâncias que interferem na comunição normal entre nossos neurônios e, por isso, nos deixam, digamos, um pouco alterados. O que acontece com as drogas psicotrópicas é que elas usam os mesmos receptores neurais (veja as correspondêcias no quadro) que essas substâncias do nosso corpo - só que causando efeitos bem mais intensos e imprevisíveis.


Substância produzida pelo corpo
Endocanabinoides
Em 1928, um ácido graxo produzido pelo cérebro foi batizado "ananda", palavra em sânscrito para "felicidade" - exatamente porque provoca bem-estar e euforia. Depois, descobriu-se que o 2-aracdonil-glicerol também exerce essa função e é mais comum no organismo. Eles são liberados em situações de prazer, em especial relacionados à saciedade depois da comida.

Dopamina
Esse receptor proporciona a sensação de prazer e de motivação ligada a estímulos externos, como o sexo. Os esquizofrênicos a produzem de forma irregular - e, por isso, podem se sentir sob o efeito de LSD sem tomar a droga.


Endorfina O nome já diz tudo: significa "analgésico interno". É produzida pelo organismo que sentiu prazer ao comer ou praticar atividades físicas. Tem um forte efeito de relaxamento e euforia.

Droga análoga

Maconha
O tetra-hidrocanabinol (THC) tem uma composição química muito parecida com a dos endocanabinoides e simula estímulos semelhantes aos da substância que já existe. Ele se liga aos receptores CB1 e CB2, os mesmos ativados pelos endocanabinoides.


LSD
O ácido fornece estímulos extras aos receptores de dopamina dos neurônios. Daí que o usuário da droga vê cores mais vivas, ouve sons mais intensos e alucina.


Opioides
Esse grupo de substâncias alucinógenas funciona como uma dose cavalar de endorfina e multiplica os efeitos que ela provoca. Não por acaso, endorfina rima com morfina.


Por que é tão gostoso arrancar a casquinha da ferida?
A culpa é da histamina. Um tempo depois de nos machucarmos, o organismo libera essa substância para aumentar a vasodilatação local e estimular a multiplicação de células da região. Com isso, a cicatrização é acelerada e surgem as casquinhas, crostas de sangue ressecado que cobrem o ferimento. Mas um efeito desagradável da histamina é a coceira. Com um agravante: quando o machucado está quase cicatrizado, a casca que fica por cima repuxa a pele nova, que ainda é muito fina e sensível. Por tudo isso, arrancar a casca é um grande alívio.


O que define meu cheiro?
Depende do tipo de cheiro. Os culpados pelos mais desagradáveis são bactérias que vivem em ambientes suados. Como temos suores de diferentes tipos de glândulas e acumulados em diferentes tipos de ambientes, não é de surpreender que o chulé e o cecê tenham pouco em comum. Portanto, quem define seu fedor é o ambiente propício ou não para a proliferação de bactérias. Mas há também o cheiro atraente. As mesmas glândulas que produzem suor nas axilas e no púbis secretam os feromônios, substâncias capazes de engatilhar a atração sexual.


Genética
A área mais densa do genoma dos mamíferos é o complexo principal de histocompatibilidade, ainda pouco conhecido, responsável pela formação dos sistemas reprodutivo e imunológico. É ele que imprime traços individuais ao nosso cheiro e ao sabor de nossa saliva. Quanto maior o grau de parentesco entre pessoas, maior a semelhança de seus sistemas imunológicos, e quanto mais diferentes forem esses sistemas, maior será a atração sexual entre elas.


Glândulas apócrinas
Elas terminam nos folículos pilosos - por isso se encontram mais nas axilas e no púbis. A partir da puberdade, produzem uma secreção com gorduras e proteínas. Essas substâncias são imensamente nutritivas para bactérias, o que causa o famoso cecê e o mau cheiro nas partes baixas. Mas essas glândulas também liberam feromônios, substâncias que, quando percebidas pelo outro, atingem a produção de hormônios no hipotálamo, na hipófise e nas gônadas - o efeito inconsciente disso é a atração sexual.


Glândulas écrinas
Ficam em todo o corpo e produzem um suor basicamente feito de água e sais, para regular a temperatura corporal quando fazemos esforço físico ou passamos calor. Por isso, o suor de quando você corre não tem cheiro - a não ser que fique acumulado em algum lugar quente e fechado, como meias e luvas de box. Aí forma o chulé, causado por bactérias que comem pele descamada.

FONTE: Roberto Lent, pesquisador do Laboratório de Neuroplasticidade da UFRJ.



Dor Por que a pancada dói mais depois da briga?
Há dois motivos. O primeiro é que em situações de estresse agudo seu corpo entra em estado de atenção e rapidamente libera substâncias analgésicas. Depois de uma provocação, como um tapa na cara, há uma grande liberação de adrenalina e cortisol no seu sangue. O coração bate mais rápido e com o aumento da oxigenação nos músculos você fica mais ágil e forte. A produção de endocanabinoides e opioides endógenos (analgésicos naturais) também aumenta, o que faz com que você só perceba a dimensão da surra quando estiver relaxado.

O segundo motivo é que os neurônios receptores especializados em dor, chamados nociceptores, passam a trabalhar mais diante de um trauma - mas esse processo não é imediato. A irritação de um tecido, por porradas e cirurgias, por exemplo, estimula a liberação de substâncias como as prostaglandinas, que superativam os nociceptores. Isso aumenta o envio de sinais para o cérebro - razão por que, passado um tempo, a pele queimada (de sol ou de panela) dói só de encostar.


Córtex cerebral Identifica onde está a dor, o que ela significa e como agir.


Sistema límbico Atribui à dor o caráter desagradável e emocional.


Medula espinhal Dá o reflexo para se esquivar da fonte de dor.


Nervos periféricos Conectam o cérebro às várias partes do corpo.

O caminho da dor aguda Como seu corpo reage quando você encosta a mão numa panela quente.
1. Os nociceptores - neurônios receptores da dor presentes pelo corpo - são de tipos diferentes. Eles respondem a estímulos químicos (uma inflamação), elétricos (um choque), térmicos (toque numa superfície quente) e mecânicos (uma alfinetada).

2. Quando os nociceptores são estimulados, emitem impulsos elétricos que seguem pelos nervos periféricos até a medula espinhal.

3. Algumas reações acontecem já na medula, antes de chegar ao cérebro: se tocarmos numa panela quente, afastamos a mão na hora e endireitamos a postura para afastar o corpo do perigo.

4. Os impulsos elétricos chegam ao cérebro e ali são processados de forma paralela por diferentes regiões:

- No sistema límbico é atribuído à dor o caráter desagradável e emocional de sofrimento.

- Quando chega ao córtex, essa sensação emocional de dor é interpretada. Ele consegue localizar a dor, classificá-la, dar significado afetivo, pensar em como reagir - por exemplo, chamar a ambulância.

- Ao mesmo tempo, diferentes partes do cérebro liberam quantidades maiores de substâncias que aliviam a sensação dolorosa: encefalinas (opioides naturais), serotonina e endorfinas.
5. Se o tecido for lesionado, a produção de prostaglandinas será acelerada. Isso deixa a área mais suscetível, inclusive ao toque.


FONTES: Sacred Pain, Ariel Glucklich, Oxford University Press (2001); An fMRI study measuring analgesia enhanced by religion as a belief system, Katja Wiech (2008); Neural correlates of antinociception in borderline personality disorder, Christian Schmahl (2006); Edmund Keogh, professor de psicologia da Universidade de Bath, Reino Unido; Sex differences in opioid analgesia: from mouse to man, Rebeca Craft (2003); Homens e mulheres: manual do usuário, Jerry Borges (2007); Opioides, sexo e gênero, Cláudia Palmeira (2011); Women experience more pain and require more morphine than men to achieve a similar degree of analgesia, Maria Soledad Cepeda e Daniel B. Carr (2003).


Como faquires e religiosos que se autoflagelam conseguem suportar a dor?
No caso de faquires, eles usam técnicas de ilusionismo. Mas no caso da fé a história é outra. Estudos das Universidades de Cambridge e Oxford mostram que durante um estímulo doloroso fiéis ativam uma parte diferente do cérebro - que ajudaria a provar que cultura e religião são importantes para o modo como o sistema nervoso central se desenvolve.

No experimento, participaram 12 voluntários católicos praticantes e 12 ateus ou agnósticos. Eles foram submetidos a choques elétricos ao mesmo tempo em que viam imagens da Virgem Maria e uma pintura de Leonardo da Vinci. Quando lhes perguntaram o que sentiram, os católicos relataram menos sofrimento ao ver imagem religiosa, enquanto ateus e agnósticos disseram ter sentido a mesma dor ao ver ambas as imagens.

Imagens de ressonância magnética do cérebro dos participantes mostraram que a imagem da Virgem ativava o córtex pré-frontal ventrolateral direito dos católicos - uma das áreas responsáveis pela regulação e julgamento da dor. Isso quer dizer que, durante a experiência religiosa, fiéis seriam realmente capazes de reinterpretar o sofrimento como algo positivo, diminuindo sua associação com uma emoção negativa como a dor.


Eles gostam de sofrer?
Cientistas alemães escanearam o cérebro de indivíduos com histórico de automutilação e descobriram que, ao contrário da maioria das pessoas, a atividade na região relacionada às emoções negativas diminuiu depois que eles foram submetidos à dor - mesmo que durante o estímulo esses indivíduos relatem sensações desagradáveis. Ou seja, eles sentem prazer depois de um estímulo doloroso.

Homens e mulheres têm graus diferentes de tolerância à dor?
Sim, apontam os testes realizados pelo psicólogo Ed Keogh, da Universidade de Bath, Reino Unido. Ele chamou um grupo de 50 pessoas, homens e mulheres, para ver o quanto eles toleravam ficar com os braços submersos em um tanque de água gelada. As garotas suportaram a sensação dolorosa por menos tempo. Isso pode ser influenciado por fatores hormonais, neurológicos, sociais e psicológicos. Sabe-se que mulheres também apresentam respostas variáveis à dor conforme o estágio do ciclo menstrual. Grávidas, com altos níveis de progesterona, são mais resistentes. E a testosterona (muito mais abundante no organismo dos homens) também aumenta a resistência à dor: um experimento feito com ratos na Universidade de Washington concluiu que a castração de machos diminuiu o efeito analgésico de opioides, e a injeção de testosterona nas fêmeas produziu o contrário.

Outra constatação: um mesmo estímulo corresponde a um sofrimento maior nas mulheres do que nos homens. Isso acontece porque a região do cérebro responsável pelas emoções (o sistema límbico) é mais ativado nelas do que neles.


Se o cérebro não dói, por que sentimos dor de cabeça?
De fato, o cérebro não tem nociceptores - os receptores de dor. Por isso não é capaz de receber esse tipo de estímulo - tanto que, antigamente, se fazia lobotomia com uma simples anestesia local. Mas a dor de cabeça não acontece no cérebro, e, sim, na meninge - a membrana que envolve a massa cinzenta - ou nos músculos da cabeça e do pescoço.

O que aconteceria se nós não sentíssemos dor?
Pode parecer tentador, mas é uma grande roubada. Sem dor, você só descobriria que quebrou um osso no futebol quando o tornozelo inchasse, ou que foi picado por um bicho peçonhento quando sintomas estranhos surgissem. A dor tem enorme importância evolutiva. É ela que faz você entender que seu tornozelo torceu violentamente e que você precisa sair de campo e procurar socorro - ou a consequência pode ser bem pior. Há pessoas que não sentem dor alguma - são portadoras da insensibilidade congênita à dor (CIP, da sigla em inglês). Não está muito clara qual é a origem da doença. Alguns dos pacientes têm uma mutação no gene SCN9A, que modifica a função receptora da dor. Isso faz com que uma resposta sensitiva não seja enviada ao corpo, e aumenta tremendamente o risco de lesões graves - principalmente na infância, quando a pessoa com a doença ainda não está treinada para saber quais sensações e situações apresentam riscos ou não.

Aparência  
Por que dormir mal deixa a gente com olheiras?
Porque falta de sono deixa as pessoas pálidas - é no repouso que o organismo repõe seu equilíbrio hormonal, e, se ele não é completo, a produção de melatonina é prejudicada, o que causa palidez. Como a região debaixo dos olhos tem a pele muito fina e é bastante vascularizada, se você está pálido a circulação de sangue ali fica mais visível. Daí as manchas escuras. Mas olheiras também podem ser sintomas de problemas mais graves: a falta de ferro no sangue, por exemplo, provoca palidez no rosto. Enquanto você disfarça a área escura com maquiagem, pode estar desenvolvendo anemia. Alergias, asmas e problemas no fígado - tudo isso entra para a lista de causas da palidez. Já no caso de quem consome cigarro, bebidas alcoólicas e café, olheiras podem ser um sinal de que a pessoa está abusando.

Por que acordamos de cara inchada?
Porque ela fica cheia de líquidos durante a noite. Funciona assim: mais ou menos 70% do nosso corpo é feito de líquidos e quase um terço dele circula fora das nossas células - elas têm paredes porosas, que permitem a entrada e saída de fluidos. Quando nos deitamos para dormir, os líquidos extracelulares se distribuem de forma mais uniforme por todo o corpo, inclusive a cabeça.

Além disso, enquanto dormimos, acumulamos linfa (uma espécie de soro composto de nutrientes) com mais facilidade nas extremidades como mãos, pés, pálpebras e rosto. O acúmulo de linfa depende da posição na cama e do tempo de repouso; quem tira um cochilo dá menos tempo para o corpo redistribuir os líquidos do organismo. Quem costuma dormir de barriga para baixo tem mais chances de acordar com o rosto inchado. Quem dorme de lado acumula um pouco mais na parte do rosto que ficou para baixo. Esse é um fenômeno natural, e passa quando a pessoa acorda e fica na vertical. Depois que nos levantamos, o rosto volta ao normal em cerca de uma hora. Tudo isso também explica por que uma pessoa que passa o dia inteiro em pé fica com as pernas inchadas - é para lá que os líquidos se dirigem.

Por que japonês fica vermelho quando bebe?
Porque muitos deles têm dificuldade de metabolizar o álcool. Estima-se que 40% dos habitantes do leste da Ásia (e 22% dos russos e leste-europeus) tenham uma cópia mutante no gene relativo à produção da enzima aldeído-desidrogenase-2 (ALDH2), que atua no metabolismo do álcool. A função dessa enzima é acelerar a quebra do acetaldeído (substância mais tóxica do que o álcool e um dos maiores responsáveis pela ressaca) em ácido acético, uma substância inofensiva. Quando isso não acontece e o sangue fica com acetaldeído, vêm o rosto avermelhado, a dor de cabeça, a taquicardia, a tontura e as náuseas. É um problema muito comum, que atinge 1 bilhão de pessoas no mundo e exige um cuidado extra com a saúde: a falta de ação da ALDH2 aumenta em 100 vezes a chance de quem consome álcool com regularidade de adquirir câncer de esôfago. Também está relacionada a casos de mal de Parkinson e Alzheimer. Em janeiro de 2011, um grupo de pesquisadores americanos anunciou a descoberta da substância Alda-1, capaz de reativar a enzima. Agora, farmacêuticas correm para transformar a Alda-1 num medicamento comercialmente viável (leia mais sobre ressaca na página 39).


FONTES: Departamento de Química da UFSC; Why we hurt? The natural history of pain (2000), Frank T. Vertosick Jr.; Felicia Axelrod, da Escola de Medicina da Universidade de Nova York; Shigueo Yonekura, especialista em sono da FMUSP; Susan Redline, pesquisadora da Escola de Medicina de Harvard.


Movimentos
 

Por que nos espreguiçamos ao acordar, no escritório, na aula?
Para movimentar os músculos e ativar a circulação sanguínea depois de permanecermos muito tempo numa mesma posição - seja dormindo ou sentado no trabalho. Por que fazemos isso tão instintivamente, mesmo quando o chefe ou o professor está por perto? Pelo mesmo motivo por que mudamos de posição quando estamos dormindo sobre o braço e ele começa a ficar amortecido: o cérebro recebe sinais de alerta e determina que é hora de se movimentar. Antes de racionalizar o movimento, você já está se esticando todo.

Por que tem gente que sacode tanto a perna quando está sentado?
O hábito aparece quando ficamos muito tempo na mesma posição. A pessoa sente uma sensação estranha, que pode incluir dor e coceira. Para minimizar o incômodo, a pessoa movimenta a perna. É uma forma de tentar ativar a circulação sanguínea - mas não funciona, e por isso não conseguimos parar de nos mexer. A solução, nesses casos, é mudar de posição ou levantar-se de meia em meia hora. Isso é completamente diferente da síndrome das pernas inquietas, um transtorno mais comum à noite em que a pessoa sente comichões e acaba chacoalhando as pernas a cada meia hora.

Por que trememos de nervoso?
Quando identifica uma situação de perigo, o hipotálamo ativa a reação de luta ou fuga (veja no quadro abaixo). Isso acelera a respiração e os batimentos cardíacos para que os músculos possam fazer uma força extra. E os músculos, sabendo do que está por vir, ficam tensos. Se a tensão não for transformada em ação efetiva, eles começam a tremer - resultado de um desequilíbrio das pequenas contrações musculares que nos mantêm em pé, ou sentados, sem cair. A tremedeira também acontece com animais: olhe para um cachorro em posição de ataque e você vai perceber que os músculos de suas patas vibram.


LUTAR OU FUGIR
O que o corpo faz diante do perigo.
Quando um estímulo é identificado como risco, é acionado o hipotálamo - parte do cérebro responsável pela reação de luta ou fuga. Duas coisas então acontecem. Ele ativa o sistema nervoso simpático (responsável por atividades autônomas do corpo como pressão arterial e sono), que manda as glândulas suprarrenais liberarem adrenalina e noradrenalina. Ao mesmo tempo, a hipófise, vizinha do hipotálamo, produz o hormônio adrenocorticotrópico, que por sua vez faz as glândulas suprarrenais soltar outros 30 hormônios. E aí acontece o seguinte:

1. A pupila se dilata.
2. Vasos sanguíneos contraem levando o sangue da pele para órgãos internos.
3. Os músculos se tensionam.
4. O suor vem para resfriar o corpo.
5. A respiração se acelera para captar mais oxigênio.
6. O coração bate rápido para aumentar o fluxo de sangue.


FONTES: Mark Buchfuhrer, médico americano especialista em distúrbios do sono; Catriona Morrison, psicóloga cognitiva da Universidade Leeds. foto: Mark Kostich


Como curar o soluço?
Todas as avós guardam sua receitinha. E algumas têm até base científica. O soluço comum é um reflexo provocado pela irritação do nervo frênico, que vai do cérebro até o abdômen e dirige o diafragma - músculo responsável pelo controle da respiração. O nervo irritado, por reflexo, "manda" o diafragma contrair. Para acabar com esse espasmo, o que vale é distrair o cérebro (desde que o soluço não seja sintoma de traumas psicológicos, doenças hepáticas, úlceras ou insuficiência renal).Veja no quadro à direita quais das estratégias populares funcionam.


O soluço aparece mais comumente quando...
- Bebemos muito líquido (especialmente com gás) e/ou comemos muito: o estômago incha e o nervo frênico é pressionado.
- Damos gargalhadas ou choramos compulsivamente: a respiração fica descontrolada.


Hic-hic

O barulhinho do soluço tem motivo. Quando o diafragma contrai, a laringe (na garganta) reage cortando a passagem do ar entre a boca e os pulmões. Isso faz as cordas vocais vibrarem daquele jeito engraçado.


1. Beber água
Por que funciona: Ocupa o nervo frênico com uma nova utilidade.


2. Tomar susto (mesmo)
Por que funciona: A descarga de adrenalina coloca o organismo em estado de atenção e distrai o cérebro do problema do nervo irritado.


3. Receber cócegas
Por que funciona: Parecido ao susto - o alerta disparado pelo cérebro deixa o problema do nervo em segundo plano.


4. Tampar os ouvidos com os dedos
Por que funciona: O nervo frênico tem ramificações que chegam à região do sistema auditivo. Ouvidos tampados fazem com que essa área seja estimulada, e o nervo volta a funcionar bem.


5. Prender a respiração
Por que funciona: Aumenta a quantidade de CO2 no sangue, e esse problema se torna mais urgente a ser resolvido pelo organismo. Dá tão certo quanto respirar dentro de um saco de plástico, pelo mesmo motivo.


FONTE: Boyan Hadjiev, alergologista e membro do American Board of Allergy & Immunology.

Por que olhar para o sol faz a gente espirrar?
Não acontece com todo mundo, mas é comum entre pessoas que têm certa condição genética. No momento em que a pessoa olha para o sol e o nervo ótico envia sinal para o cérebro diminuir as pupilas, parte desse sinal é interpretado como se a pessoa estivesse com o nariz irritado.

Esse é o chamado espirro de reflexo fótico. No século 4 a.C., Aristóteles já se debatia com esse problema - acabou concluindo que o calor do sol sobre o nariz provocava espirros. No século 17, o filósofo Francis Bacon ficou ao sol com os olhos fechados e contestou a tese do grego. Mas apresentou uma resposta insatisfatória: mesmo sem abrir os olhos, o sol deixaria os olhos cheios d¿água, que desceria até o nariz. Desde então, tudo o que os pesquisadores conseguiram concluir é que o fenômeno tem origem genética e deixa as pessoas com um pequeno curto- circuito cerebral, curioso, mas inofensivo para a saúde.

Por que às vezes tentamos espirrar e não conseguimos?
Porque o espirro é um processo involuntário complexo que não pode ser reproduzido por mera vontade. Sua função é expulsar do sistema respiratório vírus, bactérias, pó etc. É assim: nossos pulmões estão em contato permanente com o ar e temos barreiras no nariz (os pelos) e na boca (seu revestimento viscoso) para protegê-los da entrada oportunista de agentes nocivos. Quando as barreiras falham, espirramos ou tossimos. E às vezes acontece o espirro frustrado: você fica naquele vai-não-vai, o agente irritante é expelido de outro jeito e não se espirra mais. Mas há uma exceção: às vezes, o agente não é expulso, mas alguém fala "saúde" antes do ato. Aí parece que a gente trava. É você enganando seu cérebro - mesmo num processo involuntário, isso é possível. É uma reação condicionada: gente que espirra muito frequentemente, e sempre ouve "saúde" depois, pode ser induzida a não espirrar mais se ouvir o cumprimento antes da hora.


No espirro:
2 litros de ar são inspirados... E depois lançados a 160 km/h junto com pelo menos mais... 3 elementos: saliva, secreção nasal e as partículas intrusas. Quase todos os 43 músculos da face se contraem - por isso é quase impossível espirrar de olhos abertos



Fluidos  
Por que choramos quando estamos tristes ou alegres?
Nós sempre produzimos lágrimas para limpar ou lubrificar os olhos a cada piscada. Mas no caso do choro de emoção, a função delas não é fisiológica e, sim, comunicativa. Segundo o oftalmologista espanhol Juan Murube Del Castillo, da Universidade de Alcalá, o choro surgiu antes de o humano desenvolver a fala, provavelmente porque os movimentos dos músculos da face - como levantar sobrancelha e mover os cantos dos lábios para baixo - não eram por si só suficientes para expressar estados emocionais mais intensos e sentimentos abstratos.

No princípio, era a dor. Depois, já há cerca de 50 mil anos, junto com o surgimento da fala, o choro passou a expressar pedidos de ajuda - e aí não só de dor física, mas também de medo, raiva, tristeza... Mais tarde, vieram o choro de felicidade e aquele de quando nos sentimos tocados com a situação dos outros. Seu objetivo é expressar a empatia - a capacidade de se colocar no lugar do outro. Parece sofrimento à toa, mas é isso que nos move a oferecer ajuda uns aos outros - e assim manter a sobrevivência dentro de um grupo.

E o que acontece em nosso corpo quando choramos de emoção? Diante de uma situação, nosso sistema límbico pode associá-la a alguma experiência passada que traga felicidade ou tristeza. Tal reação desencadeia uma sequência de respostas fisiológicas: as fibras do sistema parassimpático (antagonista do sistema simpático no sistema nervoso central) são estimuladas por todo o corpo e substâncias como noradrenalina e serotonina são liberadas. A glândula lacrimal, sensível ao estímulo parassimpático, responde com uma contração e libera lágrimas em maior quantidade. Com tanto líquido, os drenos do canto da pálpebra, próximos ao nariz, não dão conta. Daí uma parte das lágrimas escorrer para fora do olho.

Por que a gente saliva, lacrimeja e sua quando vomita?
A irritação da mucosa do estômago, que causa o vômito, ativa certos receptores sensitivos, que enviam estímulos ao "centro do vômito" do sistema nervoso - uma região do bulbo raquidiano, acima da medula espinhal. É esse centro que comanda as atividades e reações no mecanismo do vômito. O estômago se prepara, fechando sua parte final e abrindo a inicial, que fica próxima ao esôfago. Enquanto isso, músculos de diferentes regiões passam a trabalhar juntos, em uma espécie de esforço coletivo para expelir o conteúdo indesejado: os do abdômen aumentam a pressão na região, os da língua, colocam-na para fora, e os músculos da face se contraem. Isso acaba apertando também as glândulas que produzem saliva, lágrimas e suor. A contração de outros músculos pelo resto do corpo também ajuda na sudorese. E, além dessa produção mecânica, as glândulas também recebem a mensagem enviada pelo sistema nervoso de que há vômito a caminho. Isso gera, de forma reflexa, um aumento na produção de lágrimas, saliva e suor - embora eles não tenham função alguma durante o vômito.


O CÉREBRO EMOCIONAL A estrutura responsável pelo que sentimos e por coisas que o corpo faz sem nosso controle.
O sistema límbico é uma parte primitiva do nosso cérebro envolvida em atividades autônomas, na produção de hormônios e nas nossas emoções. Conheça suas principais estruturas:

1. Hipotálamo:
Envolvido na regulagem do sono, da libido, do apetite, do ciclo circadiano e da temperatura corporal. Age com a hipófise, importante glândula do sistema endócrino.

2. Amígdala:
Avalia a percepção de risco e adiciona significado emocional a estímulos dos sentidos.

3. Hipocampo:
Armazena memórias recentes e é usado para formar as de longo prazo.


FONTES: Marcela Cypel, oftalmologista da Unifesp; James Ramalho Marinho, da Federação Brasileira de Gastroenterologia.

Qual a técnica infalível pra segurar o choro?
Não tem jeito. O choro não é um mecanismo meramente fisiológico; ele é disparado por um gatilho emocional. Uma vez recebido esse estímulo, o cérebro envia a ordem de chorar e o mecanismo é ativado. Só resta então uma saída: pensar em outra coisa totalmente diferente do motivo das lágrimas.

Digestão  
Por que criança não tem nojo de cocô?
Porque o nojo não é apenas produto da evolução, nem vem pronto de fábrica. Ele é determinado também pelo desenvolvimento fisiológico (ou seja, depende da idade), experiência, criação e cultura.

Funciona assim: o nojo é um sistema adaptativo construído ao longo de milhões de anos de contato dos animais com parasitas e substâncias tóxicas. Esse sistema evoluiu de forma a moldar um padrão de comportamento que protege os organismos de infecções. Seria algo como um sistema imunológico comportamental, sensível a certos cheiros, texturas e sabores que indicam o risco de contato com agentes patogênicos. Por exemplo, desenvolvemos nojo de imagens de objetos longos, finos, lubrificados que se retorcem - possivelmente por causa de vermes que parasitam a carne em decomposição. Isso faz a gente ter nojo até de minhocas inofensivas. O mesmo valeria para o cheiro dos compostos de enxofre presentes nos gases que emanam das fezes e de carniça - ainda que possam vir de um simples mau hálito matinal.

No entanto, essa sensação de nojo é dinâmica, concluiu Valerie Curtis, pesquisadora da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que desde a década de 1990 estuda o nojo em diferentes culturas. Um dos fatores são os estados fisiológicos. No primeiro ano de vida, a capacidade cognitiva não é a mesma que aos 3 anos - um possível motivo para bebês não se incomodarem com a própria caca. Além disso, o nojo também é aprendido, seja ao associar um estímulo a algo que tenha feito mal à saúde, seja ao ver repetidamente a reprovação dos pais, seja ao aprender regras culturais.

Qual é a cor do pum?
Nenhuma. Os gases que o compõem - H2S, N2, O2, H2, CO2, CH4 - são todos incolores, incapazes de deixar um traço visível sequer do traque alheio.

Por que alguns puns são silenciosos e quentes e outros, barulhentos e frios?
Todo pum tem a mesma temperatura quando está no intestino - basicamente a temperatura do seu corpo. Mas agora vamos simular um pum com nossa boca. Se você soprar devagarinho sua mão, vai sentir que o ar está meio quente. Mas basta fazer pressão e assoprar bem forte para que ele pareça frio. Esse fenômeno - conhecido como efeito Joule-Thomson - acontece por causa da diferença de pressão ao passar por uma válvula - nesses casos, sua boca e seu esfíncter. Quando um gás se expande, ele perde temperatura, tal como acontece em sprays e compressores de geladeiras. Por isso, o pum fininho sai com a temperatura do corpo, mais alta do que a temperatura ambiente, enquanto o que sai com bastante velocidade é resfriado na perda de pressão.

E o barulho? Como o som é produzido pela vibração do esfíncter, um flato de maior pressão vai também ter mais sonoridade. Ou seja, quanto mais volume, mais pressão e mais barulho. Mas é possível afiná-lo mesmo que seja muito volumoso. Se o esfíncter estiver contraído, o potencial de ruído aumenta; já se estiver relaxado, vai permitir uma saída mais silenciosa. Quer disfarçar? Então relaxa.

Agora, o que não dá para controlar na hora é o cheiro. O que o define não é o barulho nem a sensação térmica do pum, mas sim a dieta. Da composição de qualquer pum, 99% são 5 gases inodoros: nitrogênio, oxigênio, hidrogênio, gás carbônico e metano. O perigo mora no 1% de gases derivados de enxofre, como o sulfeto de hidrogênio e o metanetiol. Esse fedor não depende apenas da dieta. A composição da população bacteriana que mora no intestino grosso também importa.

Os alimentos campeões em produção de pum...

...Em volume
Os que causam mais gases - dióxido de carbono, hidrogênio e metano, todos volumosos mas sem cheiro:

- Amidos (trigo, milho, batata)

- Lactose (derivados de leite)

- Manitol, sorbitol e xilitol (refrigerantes, chicletes e outros produtos dietéticos)

- Estaquiose e rafinose (leguminosas, como feijão, grão-de-bico, ervilhas, lentilhas, soja)


...Em fedor
Os que causam maior produção de sulfatos, cisteína e metionina - os gases fedorentos do pum:

- Crucíferas (repolho, couve-flor, nabo, brócolis)

- Cerveja

- Proteínas (principalmente de origem animal, como as carnes)


FONTES: Valerie Curtis, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres; Ana Margareth Bassols, professora de Psiquiatria da UFRGS; James Ramalho Marinho, da Federação Brasileira de Gastroenterologia.

Porque o mau hálito varia de pessoa para pessoa?
Porque o bafo tem diferentes causas. Somadas, elas formam um buquê específico. De cada 10 casos de mau hálito, 9 são resultado da decomposição do resto da comida ou de células mortas dentro da boca. Mas ele pode vir também da queima de gorduras durante o sono, da prisão de ventre e de uma gengivite ou sinusite.

Boca suja Cheiro: ovo podre com repolho e gás de cozinha com toques de cadáver

Bactérias fazem a festa com restos de comida que ficam entre os dentes, nos recônditos mais escondidos da cavidade bucal ou na saburra - aquela massa esbranquiçada sobre a língua, feita de bactérias, células epiteliais mortas e restos de alimento. Dessa decomposição de material orgânico são eliminadas algumas substâncias fedidas que compõem a maioria dos bafos. A higiene bucal é importante para evitar o odor, mas não está sozinha. A saliva elimina naturalmente bactérias e substâncias fedorentas que ficam na boca. Por isso, o risco de bafão é maior entre quem saliva pouco - quadro que é agravado por antidepressivos, hipertensão, estresse e pelos sintomas da gripe. Até respirar pela boca pode ser uma armadilha, já que isso evapora a saliva. Para dar uma mão para esse aliado, beber água com frequência é fundamental. Chiclete sem açúcar também pode ajudar, pois a mastigação promove a contração das glândulas que ejetam a saliva.

Doenças da boca
Cheiro: pus e coisa podre
Doenças orais que causam sangramentos e a formação de pus, como a gengivite, podem levar a um mau hálito tremendo. Afinal, o pus nada mais é do que um caldo de glóbulos brancos destruídos na batalha infecciosa, bactérias e outros tecidos mortos, tudo em putrefação.


Doenças da garganta e do nariz
Cheiro: pus e coisa podre
O muco produzido pelos sinos (cavidades nos ossos na face) coleta tudo o que vier de estranho do ar para depois ser drenado e descer até a garganta. Às vezes, seja por alergia, seja por infecção, as paredes dessas cavidades inflamam e as fecham - é a tal da sinusite. Pronto, o ambiente quente, úmido, fechado e rico em matéria orgânica é ótimo para a proliferação de bactérias anaeróbias, que produzem fedor. Amígdalas inflamadas também são fonte de cheiro purulento. Essas estruturas são como um filtro que retém os micro-organismos vindos do ambiente. A batalha imunológica acontece nas "criptas", pequenas invaginações do tecido epitelial da amígdala que acabam armazenando anticorpos mortos e alimentos - um lar ideal para bactérias. Para coroar o cheirão, de vez em quando as criptas liberam suas crias: bolinhas brancas fedorentas.


Jejum
Cheiro: acetona
Eis que cai um mito. O "hálito de estômago vazio" não vem do estômago, e sim do metabolismo de gordura. Quando a quantidade de açúcar no sangue cai, chega a hora de o corpo começar a queimar lipídios em substituição, um processo chamado cetose. Um dos produtos dessa metabolização são os corpos cetônicos, que se transformam espontaneamente em acetona - uma substância de cheiro bem característico. Parte dela é liberada pela urina, mas, como é muito volátil, sai até pela respiração. Daí o hálito meio azedo liberado na respiração de portadores de diabetes, de pessoas em dieta e de quem acaba de acordar.

Prisão de ventre Cheiro: fezes

Não, o pum não vai subir - o mau cheiro vai sair do pulmão mesmo. Quanto mais tempo o cocô ficar no intestino, maior a proliferação de bactérias e a absorção de toxinas fedidas - estas ficam no sangue e dali se transferem aos pulmões e ao ar.


BAFÃO MATUTINO
Não há amante que se salve. Mesmo que você escove os dentes bem direitinho antes de dormir, é quase certo que vá acordar com bafo de dragão. Esse blend matinal é definido por pelo menos dois fatores. Primeiro, o volume de saliva é reduzido durante o sono, e muitas pessoas respiram de boca aberta nesse momento - boca seca é boca fedida. Depois, o jejum de mais de 8 horas dá aquele hálito cetônico. É tiro e queda. Mas para o bodum passar basta comer alguma coisa.
As substâncias que compõem o mau hálito
Cadaverina H2(CH2)5NH2 e putrescina NH2(CH2)4NH2

Aroma: carniça.
Causa: má higiene bucal (vem da decomposição da carne).


Escatol C9H9N

Aroma: fezes (é o principal responsável pelo cheiro do cocô, mas tem aroma floral em baixas concentrações).
Causa: má higiene bucal (vem da decomposição de matéria orgânica).


Sulfeto de hidrogênio H2S

Aroma: ovo podre, pum e gás de esgoto.
Causa: má higiene bucal (e nem é preciso ter doença periodontal).


Metanotiol CH3SH

Aroma: gás de cozinha (adicionado para dar o cheiro que indica vazamento).
Causa: principalmente doenças periodontais. Pessoas com essas condições têm concentrações 8 vezes maiores do que a população em geral.


Dimetil sulfeto (CH3)2S

Aroma: maresia.
Causa: doenças bucais, respiratórias, metabólicas e sistêmicas e ingestão de certos medicamentos. Quando está presente no sangue, é excretado pelos pulmões e pela pele, o que dá mau hálito e mau cheiro.


Amônia NH3

Aroma: amoníaco.
Causa: excesso de proteína no sangue, que, depois de metabolizada, é liberada pela urina e pelo hálito.


Corpos cetônicos

Aroma: acetona.
Causa: diabetes mellitus, exercício vigoroso, dieta pobre em carboidratos e jejum prolongado.


FONTES: Celso Senna, da Associação Brasileira de Odontologia; Francini Pádua, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial; Breath: Causes, diagnosis and treatment of oral malodor, Sean S. Lee, 2009

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Não sou...

- Nem Negro, Nem Homossexual, Nem Índio, Nem Assaltante, Nem Guerrilheiro, Nem Invasor De Terras.
Como Faço Para Viver No Brasil Nos Dias Atuais?
Na Verdade Eu Sou Branco, Honesto, Professor, Advogado, Contribuinte, Eleitor, Hétero...
E Tudo Isso Para Quê?
Meu Nome é: Ives Gandra da Silva Martins*

Hoje, tenho eu a impressão de que no Brasil o "cidadão comum e branco" é agressivamente discriminado pelas autoridades governamentais constituídas e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que eles sejam índios, afrodescendentes, sem terra, homossexuais ou se autodeclarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.

Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, ou seja, um pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco hoje é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior (Carta Magna).

Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que eles ocupassem em 05 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado, e ponham passado nisso. Assim, menos de 450 mil índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também por tabela - passaram a ser donos de mais de 15% de todo o território nacional, enquanto os outros 195 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% do restante dele. Nessa exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados.

Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas aqueles descendentes dos participantes de quilombos, e não todos os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição Federal permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.

Os homossexuais obtiveram do Presidente Lula e da Ministra Dilma Roussef o direito de ter um Congresso e Seminários financiados por dinheiro público, para realçar as suas tendências - algo que um cidadão comum jamais conseguiria do Governo!

Os invasores de terras, que matam, destroem e violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que este governo considera, mais que legítima, digamos justa e meritória, a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem esse 'privilégio', simplesmente porque esse cumpre a lei.

Desertores, terroristas, assaltantes de bancos e assassinos que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de R$ 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para 'ressarcir' aqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.

E são tantas as discriminações, que chegou a hora de se perguntar: de que vale o inciso IV, do art. 3º, da Lei Suprema?

Como modesto professor, advogado, cidadão comum e além disso branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço nesta sociedade, em terra de castas e privilégios, deste governo.

Para os que desconhecem o Inciso IV, do art. 3°, da Constituição Federal a que se refere o Dr. Ives Granda, eis sua íntegra:
"Promover O Bem De Todos, Sem Preconceito De Origem, Raça, Sexo, Cor, Idade E Quaisquer Outras Formas De Discriminação."
 
(*Ives Gandra da Silva Martins, é um renomado professor emérito das Universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado Maior do Exército Brasileiro e Presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo).

Destino existe? - Mistérios da Humanidade

Questão 7 - Destino existe?
Uma pergunta aparece com frequência nas provas de vestibular. Você sabe onde um objeto está no momento inicial (t = 0) e precisa usar equações para determinar onde ele estará num momento futuro (como t = 5). Basta usar algumas fórmulas. Dá para calcular a velocidade do carro dividindo a distância pelo tempo. Ou descobrir a força exercida sobre ele multiplicando a massa pela aceleração (2a Lei de Newton, lembra?). A física clássica é assim: ela descreve o mundo seguindo leis fixas e permanentes. E essas leis permitem prever o que vai acontecer.

Agora pense no seguinte. O Big Bang foi uma explosão que espalhou partículas pelo Universo, certo? Então, usando as leis da física, em tese é possível calcular exatamente onde essas partículas irão estar e o que elas irão fazer. O deslocamento e as interações dessas partículas já estão traçados - porque são apenas uma consequência do que aconteceu na origem do Universo. Ou seja: por esse raciocínio, destino existe, sim. E, como nós somos feitos de partículas, ele existe para nós também. Essa é a base do determinismo - a ideia de que o comportamento de um sistema pode ser determinado a partir de suas condições iniciais. Se quisermos levar essa ideia ao extremo, podemos dizer que até as nossas decisões já estão traçadas. Afinal, o pensamento deriva de um fenômeno físico (o deslocamento de elétrons e neurotransmissores dentro do cérebro). E, como tal, ele deve ter uma trajetória previsível.

Você deve estar duvidando disso. Afinal, você é livre para tomar as próprias decisões. Pode continuar a ler este texto ou escolher se levantar e ir pegar um café, por exemplo. Mas há indícios de que não é bem assim - e quando nossa consciência resolve fazer algo, na verdade o cérebro já decidiu sozinho. Essa hipótese foi comprovada em laboratório pelo cientista John-Dylan Haynes, do Centro de Neuroimagem Avançada de Berlim. Numa experiência criada por ele, os participantes receberam um joystick que tinha dois botões, um para cada dedo indicador. Em algum momento, quando achassem que deveriam, os voluntários estavam livres para decidir qual dos dois botões apertar. Tomada a decisão, deveriam pressioná-lo imediatamente. Por imagens de ressonância magnética, Haynes percebeu que o córtex pré-frontal dos voluntários (região cerebral responsável pela tomada de decisões) era ativado até dez segundos antes de a pessoa resolver apertar o botão. "Nossa mente consciente acredita que somos livres para escolher entre diferentes opções, mesmo quando o cérebro já decidiu o que vai acontecer", diz Haynes.

Isso só foi provado em situações muito simples. "Decisões complexas são mais difíceis de investigar com um scanner cerebral. É difícil colocar alguém no aparelho e dizer: `Por favor, agora decida com quem você vai se casar'." Mesmo assim, a descoberta abre um caminho intrigante: além do destino cósmico, poderia existir também uma espécie de destino neurológico, traçado por decisões que nosso cérebro toma sem nos avisar. "Nossos experimentos tornam o determinismo bastante provável. Mas ainda precisamos de muita pesquisa para prová-lo", diz Haynes. Então, se destino existe e já está traçado e não temos livre-arbítrio, devemos parar de tentar controlar ou melhorar nossas vidas e simplesmente ficar no sofá vegetando? É claro que não. A física clássica explica bem o mundo ao nosso redor. Mas ela derrapa na hora de descrever o mundo das partículas muito pequenas. Isso tem sido tarefa para a física quântica - onde muitas coisas são imprevisíveis. "O determinismo estrito não funciona", diz o físico Marcelo Gleiser. "Nós não somos a solução de uma equação complexa. Até porque ninguém sabe que equação é essa. E mesmo que alguém soubesse, nunca conseguiria resolvê-la", afirma. "Uma das características da inteligência é justamente o livre-arbítrio. E quanto mais complexo o cérebro é, mais liberdade de escolha ele tem. A menos que nós sejamos uma simulação rodando num computador gigante. Mas aí já é uma outra história."

Fonte:http://super.abril.com.br/ciencia/7-maiores-misterios-universo-destino-existe-743151.shtml

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Há vida fora da Terra? - Mistérios da Humanidade

Questão 6 - Há vida fora da Terra?
Em 15 de agosto de 1977, um radiotelescópio do Instituto Seti ("Busca por Inteligência Extraterrestre", na sigla em inglês), nos EUA, captou uma mensagem estranha. Foi um sinal de rádio que durou apenas 72 segundos, só que muito mais intenso que os ruídos comuns vindos do Cosmo. Ao analisar as impressões em papel feitas pelo aparelho, o cientista Jerry Ehman tomou um susto. O sistema captara um sinal 30 vezes mais forte que o normal. Seria alguma civilização tentando fazer contato? Ehman ficou tão impressionado que circulou os dados do computador e escreveu ao lado: "Wow!". O caso ficou conhecido como Wow signal (sinal "uau"!), e até hoje é o episódio mais marcante na busca por inteligência extraterrestre. O Seti e outras instituições tentaram detectar o sinal várias vezes depois, mas ele nunca mais foi encontrado.

Mesmo assim, hoje muitos cientistas acreditam que o contato com extraterrestres é mera questão de tempo. "Numa escala de 1 (pouco provável) a 10 (muito provável), eu diria que nossa chance de fazer contato com ETs em meados deste século é 8", acredita o físico Michio Kaku, da City College de Nova York. Esse otimismo tem justificativa. "Pelo menos 25% das estrelas têm planetas. E, dessas estrelas, pelo menos a metade tem planetas semelhantes à Terra", explica o físico Marcelo Gleiser. Isso significa que, na nossa galáxia, podem existir até 10 bilhões de planetas parecidos com o nosso. Uma quantidade imensa. Ou seja: pela lei das probabilidades, é muito possível que haja civilizações alienígenas. O satélite Kepler, da Nasa, já catalogou 2 740 planetas parecidos com a Terra, onde água líquida e vida talvez possam existir. Um dos mais "próximos" é o Kepler 42d, a 126 anos-luz do Sol (um ano-luz equivale a 9,5 trilhões de quilômetros).

Kaku acredita que, para civilizações muito avançadas, essa distância não seria um problema - pois elas poderiam manipular o espaço-tempo e utilizar portais no Cosmos, como nos filmes de ficção científica. Ok, mas então por que até hoje esse pessoal não veio aqui? "Se são mesmo tão avançados, talvez não estejam interessados em nós", opina Kaku. "É como a gente ir a um formigueiro e dizer às formigas: `Levem-nos a seu líder¿." Para outros cientistas, contudo, a existência de civilizações avançadas é mera especulação. E explicar por que elas não colonizaram a Terra já é querer dar uma de psicólogo de aliens.

Vida x vida inteligente
Tudo bem que existem bilhões de Terras por aí. E que a probabilidade de existir vida lá fora é muito grande. Mas não significa que seja vida inteligente. "Você pode ter um planeta cheio de vida, mas formada por amebas e outros seres unicelulares", acredita Gleiser. Afinal, com a Terra foi assim. A vida aqui existe há cerca de 3,5 bilhões de anos. Mas durante quase todo esse tempo (3 bilhões de anos), só havia seres unicelulares: as cianobactérias, também chamadas de algas verdes e azuis.

Além disso, não basta o tempo passar para que as formas de vida se tornem complexas e inteligentes. A função essencial da vida é se adaptar bem ao ambiente onde ela está. A vida só muda - na esteira de alguma mutação genética - se uma mudança ambiental exigir que ela mude. Assim, se o ambiente não mudar e a vida estiver bem adaptada, as mutações genéticas que em geral aparecem ao longo de gerações não vão fazer diferença. Tudo depende da história de cada planeta. Se o asteroide que matou os dinossauros há 65 milhões de anos não tivesse caído aqui na Terra, e os dinossauros não tivessem sido extintos, não estaríamos aqui.

"Não temos nenhuma prova ou argumento forte sobre a existência de vida inteligente fora da Terra", diz Gleiser. "Existe vida? Certamente. Mas como não entendemos bem como a evolução varia de planeta para planeta, é muito difícil prever ou responder se existe ou não vida inteligente fora daqui", completa. "Se existe, a vida inteligente fora da Terra é muito rara." Decepcionante.

Mas antes de lamentar a solidão da humanidade no Cosmos, saiba que ela pode ser uma boa notícia. Porque se aliens inteligentes realmente existirem, não serão necessariamente bondosos. "Se eles algum dia nos visitarem, acho que o resultado será o mesmo que quando Cristóvão Colombo chegou à América. Não foi bom para os índios nativos", comparou certa vez o físico Stephen Hawking.

Fonte:http://super.abril.com.br/ciencia/7-maiores-misterios-universo-ha-vida-fora-terra-743170.shtml

domingo, 13 de outubro de 2013

Alma Existe? - Mistérios da Humanidade

Questão 5 - Alma existe?
Em 1901, o médico americano Duncan Macdougall fez uma experiência com doentes terminais. Colocou cada paciente, com cama e tudo, sobre uma balança gigante. "Quando a vida cessou, a balança mexeu de forma repentina - como se algo tivesse deixado o corpo", escreveu Macdougall na época. A balança mexeu 21 gramas, e o doutor concluiu que esse era o peso da alma. A descoberta caiu na cultura popular e até inspirou um filme (21 Gramas, de 2003). Ela não tem valor científico, pois a balança era muito imprecisa - e cada paciente gerou um valor diferente. Mas será que não dá para refazer a experiência com a tecnologia atual? Se alma existir mesmo, dá para medir? Em tese, sim. Tudo graças a Einstein e sua equação E=mc2 (E é energia, m é massa e c é velocidade da luz). Se consideramos que a alma existe, e é uma forma de energia, então deve haver massa relacionada a ela. Se a energia muda, a massa também muda. Se alma existe, e sai do corpo quando a pessoa morre, o corpo sofrerá perda de massa - que pode ser medida. O médico Gerry Nahum, da Universidade Duke, propôs uma experiência para testar a hipótese: construir uma caixa perfeitamente selada, que ficaria sobre uma balança hipersensível, capaz de medir 1 trilhonésimo de grama. O problema é que, por razões éticas, não dá para colocar uma pessoa moribunda dentro de uma caixa hermeticamente fechada, pois isso a faria morrer. E o teste nunca foi feito.

Mas os cientistas continuam em busca de evidências para a alma. E os estudos mais surpreendentes vêm de uma dupla que está na vanguarda da ciência: o anestesista americano Stuart Hameroff, do Centro de Estudos da Consciência do Arizona, e Roger Penrose - sim, o mesmo físico de Oxford autor da teoria sobre o que veio antes do Big Bang. Mas, desta vez, a tese é ainda mais inacreditável. Dentro de cada neurônio existiriam 100 milhões de microtúbulos: tubinhos feitos de uma proteína chamada tubulina. A tubulina atuaria como bit, ou seja, como menor unidade de informação que pode ser criada, armazenada ou transmitida. Os tubinhos vibram, interferem com a tubulina e geram ou processam informação - que é passada de um neurônio a outro.

Mas os microtúbulos são tão pequenos que as leis da física quântica se aplicam a eles. E essas leis preveem algumas possibilidades bizarras, como a superposição (uma partícula pode existir em dois lugares ao mesmo tempo). Para os pesquisadores, haveria uma relação quântica entre os tubinhos do cérebro e partículas fora dele, espalhadas pelo Universo. "Quando o cérebro morre, a informação quântica [gerada nos microtúbulos] não fica presa. Ela se dissipa no espaço-tempo", diz Hameroff. Pela mesma lógica, quando alguém nasce, essa informação espalhada no Universo entraria nos microtúbulos. Ou seja: a alma existiria, sim, como um conjunto de relações quânticas entre partículas dispersas no Universo. Embora Hameroff tenha escrito centenas de páginas a respeito, nada disso tem comprovação. "Não reivindico nenhuma prova. Só ofereço um mecanismo cientificamente plausível", diz.

Fonte: http://super.abril.com.br/ciencia/7-maiores-misterios-universo-alma-existe-743169.shtml

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O que acontece após a morte? - Mistérios da Humanidade

Questão 4 - O que acontece após a morte?
Quando morreu pela primeira vez, em 1993, o empresário americano Gordon Allen estava a caminho da UTI. Havia sofrido uma parada cardíaca momentos antes. Seu sangue deixou de fluir, a respiração se deteve, o cérebro apagou. Mesmo assim, ele sentiu algo. "Fui transportado para fora do corpo e comecei a viajar. Não senti dor, apenas leveza. Vi cores maravilhosas, que não existem na Terra", recorda Allen no site da fundação que leva seu nome. Os médicos o ressuscitaram com um desfibrilador.

Assim como Gordon Allen, milhares de pessoas que tiveram morte clínica foram trazidas de volta. "Há uma semelhança incrível nos relatos", diz Maria Julia Kovács, coordenadora do Laboratório de Estudos sobre a Morte da USP. "Muitos dizem ter visto um túnel e uma luz branca. Outros veem uma imagem de Deus." Os relatos também incluem encontros com parentes mortos e a sensação de estar fora do corpo. São as chamadas experiências de quase-morte (EQM). A explicação mais aceita é que se trata de alucinações, causadas pela falta de oxigênio no cérebro. Um estudo feito em 2010 pela Universidade George Washington monitorou o cérebro de sete pacientes terminais. Em todos os casos, a atividade cerebral disparava logo antes da morte. Isso supostamente acontece porque, conforme os neurônios vão morrendo, perdem a capacidade de reter carga elétrica - e começam a descarregar numa sequência anormal, que poderia provocar alucinações.

O intrigante é que, durante a EQM, às vezes a pessoa vê coisas que realmente aconteceram - e que ela, em tese, não teria como saber. "Muitos pacientes dizem ter se encontrado com um parente que ninguém sabia que havia morrido. Nem o próprio paciente. Por exemplo, um tio que morreu minutos antes de o paciente ter a EQM", disse o psiquiatra Bruce Greyson, da Universidade da Virgínia, num seminário realizado em Nova York. "Outras pessoas contam coisas que se passavam na sala do hospital [enquanto elas estavam mortas]".

Mas como explicar que os pacientes estejam conscientes mesmo sem atividade cerebral? Depois de acompanhar 344 sobreviventes de paradas cardíacas, dos quais 18% tiveram EQM, o médico holandês Pim van Lommel criou uma teoria a respeito. "A consciência não pode estar localizada num espaço em particular. Ela é eterna", diz. "A morte, como o nascimento, é mera passagem de um estado de consciência para outro." Ele reconhece que as pesquisas sobre EQM não provam isso, mesmo porque as pessoas com EQM não morreram - só chegaram muito perto. "Mas ficou provado que, durante a EQM, houve aumento do grau de consciência. Isso significa que a consciência não reside no cérebro, não está limitada a ele", acredita.

Fonte:http://super.abril.com.br/ciencia/7-maiores-misterios-universo-acontece-morte-743168.shtml

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Qual o sentido da vida? - Mistérios da Humanidade

Questão 3 - Qual é o sentido da vida?
A ciência propõe duas explicações para essa dúvida metafísica. A primeira, mais tradicional, é: o sentido (objetivo) da vida é se reproduzir, ou seja, ter filhos. Ponto. Isso vale tanto para nós como para o sabiá, o cordeiro patagônico ou o bicho-da-seda. Pelo menos é o que diz a tese do gene imortal, uma das mais populares da biologia evolutiva. Ela tem sido desenvolvida desde os anos 1970 pelo biólogo britânico Richard Dawkins, e reinterpreta a teoria da evolução de Darwin.

A transmissão de informação genética entre pais e filhos não é perfeita. Podem ocorrer erros: as mutações. Eles sempre acontecem - em média, cada humano nasce com 60 mutações. Esses erros no DNA podem provocar síndromes e doenças, mas também podem ser positivos. Se um indivíduo tem uma mutação que o torna mais apto que os demais (mais forte ou mais bonito, por exemplo), ele tende a se reproduzir mais e espalhar essa mutação na sociedade. Os mais aptos permanecem e os demais desaparecem. É a chamada seleção natural.

Dawkins fez uma ligeira modificação nessa teoria. Para ele, os protagonistas da seleção natural não são as espécies nem os indivíduos: são os genes. Nós seríamos meras máquinas de sobrevivência que os genes construíram para se preservar ao longo das gerações. "As máquinas de sobrevivência têm aparência muito variada. Um polvo não se parece em nada com um rato, e ambos são muito diferentes de uma árvore. Mas, em sua composição química, eles são quase iguais", escreve Dawkins. É verdade. Cada ser vivo tem um código genético diferente - mas ele sempre é construído com as mesmas moléculas. E a nossa missão na Terra é espalhar essas moléculas. "Todos nós, desde as bactérias até os elefantes, somos máquinas de sobrevivência para o mesmo tipo de replicador: as moléculas de DNA." Como há vários tipos de ambiente no mundo, os replicadores construíram uma ampla gama de máquinas para prosperar neles. Um macaco preserva os genes nas copas das árvores; um peixe preserva os genes na água, e assim por diante. Os genes também nos dotaram de instintos que nos levam à reprodução - é por isso que o sexo é tão prazeroso, e a atração sexual tão forte. A tese do gene imortal é convincente e elegante. Mas não explica tudo.

O cérebro humano possui um mecanismo chamado sistema de recompensa. São grupos de neurônios situados em certas regiões, como o septo - que fica bem no centro do cérebro. Toda vez que fazemos algo física ou mentalmente agradável, qualquer coisa mesmo, esses neurônios causam a liberação de dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer. As demais áreas do cérebro são inundadas pela dopamina - inclusive aquelas que manejam o autocontrole e as emoções. Você sente prazer. E tem vontade de sentir de novo. E de novo. E de novo... O sistema de recompensa tem uma influência gigantesca sobre nossas ações e decisões. Sempre que você se sente bem, ou mal, é esse sistema que está fazendo isso acontecer. E ele nem sempre nos guia no caminho de gerar descendentes - você deve conhecer gente que não tem filhos, nem quer ter, e está muito bem assim. Porque existe uma segunda explicação para o sentido da vida. Em vez de espalhar genes, o objetivo pode ser contentar o sistema de recompensa. Traduzindo: ser feliz.

O sistema de recompensa foi descoberto nos anos 1950 pelos psicólogos James Olds e Peter Milner, da Universidade McGill, no Canadá. Usando eletrodos, eles notaram que um rato sempre voltava a um ponto da gaiola para receber um choquinho (prazeroso) no septo. Chegou a passar 7 mil vezes por hora, sem ligar para nada mais. Nem para os próprios filhotes. "O animal vai se estimular com frequência, e por longos períodos, se puder fazê-lo", concluíram Olds e Milner. Hoje a ciência sabe que outras coisas (drogas, açúcar, gordura, sexo) também têm o poder de atuar nessas áreas. Por isso elas são tão atraentes - e, em algumas pessoas, podem se tornar viciantes.

Fonte: http://super.abril.com.br/ciencia/7-maiores-misterios-universo-qual-sentido-vida-743167.shtml